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Brasil inaugura sua primeira fábrica de circuitos integrados

Fonte: 
OFICINA DA NET
Data: 
05/02/2010

Criado em 2008, o Ceitec é uma empresa pública federal ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), que tem como objetivo o desenvolvimento da indústria eletrônica nacional por meio da implantação de SEMICONDUTORES. A empresa tem duas unidades: a fabril, que hoje é a única fábrica COMERCIAL de circuitos integrados no País e na AMÉRICA LATINA, e um centro de pesquisa e desenvolvimento.

Os engenheiros já desenvolveram projetos comerciais de grande complexidade, como o chip de modulação para o sistema brasileiro de TV Digital (ISDB-T), o chip de identificação por radiofrequência para colocação em animais voltado para rastreabilidade bovina (Chip do Boi) e uma família de circuitos integrados de utilização na identificação eletrônica de bagagens, automóveis e MEDICAMENTOS.

O Chip do Boi está em fase de testes de campo em 10 mil cabeças de gado e, em breve, deve ser comercializado.

Este ano, o Ceitec prevê contratar 120 engenheiros, incluindo mestres, doutores, profissionais com experiência na indústria de SEMICONDUTORES e recém-formados. A fábrica deve empregar cerca de 40 profissionais altamente especializados.

A indústria eletroeletrônica representa o maior SETOR INDUSTRIAL nas economias avançadas. Este ano, mais de 12% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial serão gerados por este SETOR, de acordo com a Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômicos (OCDE). No BRASIL, segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), a indústria eletro-eletrônica representava 4,3% do PIB, em 2008.

INDÚSTRIA ELETROELETRÔNICA GANHA IMPULSO

O SETOR de microeletrônica do País ganha outro impulso hoje (5/2), com a inauguração da fábrica de circuitos integrados do Centro de Excelência e Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), em PORTO Alegre (RS).

A empresa pública federal já tem um Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (Design Center) com a atuação de engenheiros altamente qualificados e, agora, passa a ter condições de produzir inovações em grande volume e escala COMERCIAL. É a primeira empresa da AMÉRICA LATINA especializada da no desenvolvimento e PRODUÇÃO de chips (circuito eletrônico miniaturizado composto principalmente por dispositivos SEMICONDUTORES).

A estatal, vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), foi criada por decreto presidencial em novembro de 2008. O INVESTIMENTO do governo tem o objetivo de desenvolver a indústria de SEMICONDUTORES, atraindo novos fabricantes, gerando as condições para a consolidação da indústria microeletrônica avançada no País. Além da receita gerada pela comercialização de chips, a Ceitec tem papel importante ao manter no BRASIL a propriedade intelectual de todos os produtos desenvolvidos pelos seus engenheiros.

Os dados consolidados da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica mostram ainda que o déficit da balança COMERCIAL de produtos do SETOR eletroeletrônico foi de US$ 17,5 bilhões, em 2009, superando as previsões anteriores de US$ 16,8 bilhões. Para este ano, a previsão é que o déficit atinja US$ 19,5 milhões. Grande parte deste déficit resulta da reduzida FABRICAção no País de SEMICONDUTORES e do alto volume de importações para atender a demanda por produtos eletroeletrônicos.

As EXPORTAÇÕES brasileiras decorrente da PRODUÇÃO de componentes discretos e do encapsulamento, montagem final e testes de componentes SEMICONDUTORES, em geral de baixa complexidade, cresceram 50% entre 2000 e 2008, passando de US$ 50 milhões em 2000 para US$ 76 milhões em 2008, retornando ao patamar de US$ 57 milhões em 2009. As importações, por sua vez, cresceram 94,1% no mesmo período (média superior a 8% ao ano). Em 2000, eram de US$ 2 bilhões, chegando a US$ 4 bilhões em 2008 e US$ 3,2 bilhões em 2009.

O déficit nacional em componentes SEMICONDUTORES também tem crescido, em decorrência da pequena PRODUÇÃO e do crescente aumento no uso de circuitos integrados na indústria eletroeletrônica. A relevância dos componentes SEMICONDUTORES para o SETOR eletroeletrônico, não só como insumo, mas também como agente indutor de inovações, motivou a inclusão do tema entre as prioridades nos planos e programas do governo Federal.

INVESTIMENTO

Só o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) investiu quase R$ 500 milhões em ações e projetos voltados ao SETOR de microeletrônica no período de 2002 a 2009. Na avaliação do ministro Sergio Rezende, o Ceitec é estratégico para o incremento da ECONOMIA nacional. "Estamos pegando o bonde da microeletrônica que, por muito tempo, foi esquecido. Representa a volta do BRASIL à indústria da microeletrônica", afirmou.

A implementação e a operação do Ceitec é uma das linhas de ação e das medidas previstas na POLÍTICA INDUSTRIAL, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE), em 2004. A partir de 2007, passou a integrar o Plano de Ação em Ciência Tecnologia e Inovação 2007-2010 (PAC,T&I) e, logo em seguida, foi incorporada no Programa de TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO e Comunicação (TIC) da POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO PRODUTIVO (PDP), lançado em 2008.

CENTROS DE TREINAMENTOS

No País, existem hoje dois centros de treinamentos na área de microeletrônica. Um na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e outro em Campinas (SP), no Centro Nacional de Tecnologia (CNT) - ex-Centro de Pesquisa Renato Archer (CenPRA). Essas ações estão inseridas no Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação (PAC,T&I 2007-2010). Os investimentos públicos no SETOR devem chegar a R$ 500 milhões. O financiamento destas ações visa ao fomento tecnológico das indústrias de eletrônica e de SEMICONDUTORES, do SETOR softwares e serviços, bem como, o de telecomunicações.

O programa CI BRASIL opera em cooperação com a empresa Cadence Design Systems Inc. A meta é capacitar até 2011 cerca de 1,5 mil projetistas, visando atender a demanda atual e futura das EMPRESAS nacionais, incluindo as DHs em processo de formação, e multinacionais operando no País, ou que aqui se instalarem. Além da formatação de mão de obra, a proposta objetiva a criação de mais dois centros de formação, um na região Sudeste e outro na Nordeste. Para isso, o orçamento do MCT, em 2007, previa uma verba de R$ 80 milhões.

CAPACITAÇÃO

De acordo com o diretor do Centro de TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO Renato Archer e coordenador do Programa CI BRASIL, Jacobus Willibrordus Swart, a formação de projetistas tem o caráter de suprir as necessidades do Ceitec e também das demais EMPRESAS instaladas no País, que trabalham com o desenvolvimento de circuitos. "É de extrema importância o INVESTIMENTO do governo federal por meio do MCT no fomento ao MERCADO de circuitos integrados. Só assim conseguiremos trabalhar em uma tecnologia que não é de ponta, mas que é de suma importância", destaca.

Jacobus disse que até agora já foram formados cerca de 340 projetistas. "Com os investimentos do governo, que chegam a R$ 10 milhões anuais, devemos formar em torno de 200 profissionais todo ano", comenta.

O coordenador do programa salienta ainda a necessidade de o País incentivar seus jovens a ingressar na área da engenharia elétrica. "Precisamos trabalhar para estimular nossos jovens a que busquem essa carreira. O BRASIL precisa formar mais engenheiros. Se comparado com outros países do BRIC - BRASIL, Rússia, Índia e China -, por exemplo, a Rússia forma anualmente 120 mil engenheiros; a China, 300 mil; a Índia, 200 mil e o BRASIL, apenas 30 mil por ano", informa.

O profissional formado pelo programa é reconhecido como projetista de CIs de nível internacional, sendo certificado pela empresa Cadence Design Systems, apontada como um dos maiores fornecedores mundiais de ferramentas EDA (Electronic Design Automation) e de soluções em microeletrônica.

O coordenador geral de Microeletrônica do MCT, Henrique de Oliveira Miguel, diz que o ministério coordenou o desenvolvimento e a execução do programa de formação de projetistas com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com a concessão de bolsas, e também da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que selecionou a instituição para implantar o programa. "Com esta formação, queremos fomentar a criação de EMPRESAS de projetos no País, como também ter recursos humanos treinados, o que possibilita a atração de mais EMPRESAS e até a oferta de serviços para o exterior", destaca.

Miguel lembra ainda que a formação dos projetistas faz parte das ações do MCT na área de TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO e Comunicação (TIC). "O ministério tem outras duas ações em software e telecomunicações. Esses processos se completam", diz.

A EMPRESA

O Ceitec é uma empresa especializada no desenvolvimento e PRODUÇÃO de circuitos integrados de aplicação específica (ASIC's). Entre suas principais metas está inserir o BRASIL no MERCADO global como produtor de SEMICONDUTORES por meio da implantação de EMPRESAS competitivas em microeletrônica.

O Ceitec é um complexo de 14.600 m², construído em uma área de aproximadamente 5,6 hectares, na Estrada João de Oliveira Remião, 777, bairro Agronomia, em PORTO Alegre (RS). O Centro é formado por dois prédios interligados. Ele produzirá chips nas áreas de telecomunicações, energia, automação COMERCIAL, informática, segurança, energia fotovoltaica, e outros.

Em pouco tempo de existência, a Ceitec já tem produtos desenvolvidos. O Chip do Boi está em fase de teste de campo, em Minas Gerais. Serão mais de 10 mil brincos aplicados em rebanhos no Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e outros estados. Também usando a tecnologia de RFID, foram criados produtos para rastreabilidade de automóveis, automação de aeroportos, rastreabilidade de MEDICAMENTOS e derivados de sangue e o passaporte eletrônico. Estão em desenvolvimento, chips para modulação (recepção) de TV Digital e para a última milha de transmissão de banda larga via Wi-Max.
FONTE: Ministério da Ciência e Tecnologia

 



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