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Brasil encerra sua participação em Conferência de Energia Limpa, na China, com agenda de bioenergia

No último dia da 8ª Conferência Ministerial de Energia Limpa - CEM8 e a 2ª Missão Ministerial de Inovação - MI-2, os delegados brasileiros participaram de painel sobre os “Desafios na Inovação de Biocombustíveis Sustentáveis ​​e a Biofuture Platform: reforçando a bioeconomia avançada de baixo carbono”. O evento ocorre paralelamente à programação oficial e apresenta a Biofuture Platform, ação que visa fomentar o diálogo e a colaboração entre países, organizações internacionais e o setor privado, cientes da necessidade de desenvolver e ampliar a escala de alternativas de baixo carbono sustentáveis em relação a fontes fósseis para soluções em transporte, indústria química, plástico e outros setores. O Brasil é um dos líderes neste processo.

A Biofuture Platflorm atua na coordenação de políticas de promoção ao uso de combustíveis de baixo carbono para transporte. Tem, ainda, colocado esta questão na agenda global do setor de energia. Jorge Boeira, especialista em Desenvolvimento Produtivo da ABDI e um dos quatro delegados brasileiros no evento, esclarece que “essa é a alternativa mais rápida para reduzir a intensidade de uso de carbono no setor, sem a necessidade de esperar alterações significativas na infraestrutura e na frota mundial de veículos”.

Luís Fernando Machado, da Divisão de Recursos Energéticos Novos e Renováveis do Ministério das Relações Exteriores, representante interino da Biofuture Platform pela parte brasileira, esclarece que a plataforma surgiu do diagnóstico do governo brasileiro, governos parceiros e associações internacionais de que o tema da bioenergia precisava ser tratado de modo mais aprofundado nas discussões. “Muito se fala de energia solar e eólica, mas pouco de bioenergia. Com os compromissos assumidos pelos países na COP21, a bioenergia ganha um outro destaque na matriz energética. Além disso, a Biofuture Platform propõe a implantação da bioeconomia avançada, com a criação de biomateriais, bioplásticos, substituindo o uso do petróleo em toda a sua cadeia. O Brasil, com uma grande viabilidade de biomassa, tem tudo pra largar na frente neste processo.”

Boeira lembra que o setor de transporte é, de longe, o mais desafiador neste sentido. “O transporte é responsável por cerca de 23% de toda a emissão de gases de efeito estufa relacionados com o setor de energia”, afirma, citando o relatório produzido pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas - IPCC, organização criada em 1988 no âmbito da ONU. “Se o setor industrial for somado ao setor de transporte, o percentual da emissão global de efeito estufa do setor de energia vai para 35%”, afirma.

O elemento chave para apoiar os objetivos de desenvolvimento sustentável (SDGs) no contexto das mudanças climáticas e segurança energética está na bioenergia, a maior forma de energia renovável no mundo. “A bioenergia tem papel fundamental em todo o setor de energia, seja no setor elétrico, na indústria, construção civil ou no setor de transporte”, explica Boeira, que também destaca a insuficiência da eletrificação para reduzir o problema de descarbonização do setor de transporte “considerando os segmentos de transporte pesado de frete rodoviário, aviação e transporte marítimo”.

De acordo com Paolo Frankl, chefe da divisão de energia renovável da IEA, agência internacional de energia, é preciso aumentar a escala de produção de biocombustíveis muito rapidamente para atender as metas de desenvolvimento sustentável. Para ele, “os avanços observados até agora não estão num ritmo adequado para atingir os cenários de utilização de bionergia no cenário mais ambicioso definido pela IEA”.

Para Luiz Augusto da Nóbrega Barroso, presidente da Empresa de Pesquisa Energética – EPE, a participação do Brasil em eventos desta importância revela um novo posicionamento do país no mercado internacional. “Temos muito a contribuir na parte técnica e institucional. Muitos dos desafios que o mundo tem enfrentado, sobretudo na indústria de energia e no setor elétrico, são discutidos há muito tempo no país. É o caso das energias renováveis, com a garantia de remuneração de investimentos por leilões. Estamos levando a imagem e o conhecimento do Brasil para fora, em um processo de ensinamento e também de aprendizagem junto ao mercado externo”, afirma.

A partir da participação da delegação brasileira no CEM8, o país passa a fazer parte de iniciativas e campanhas globais, ao lado dos grandes players mundiais do setor. Para encerrar a participação brasileira, a delegação esteve na Embaixada do Brasil e fez um balanço das discussões junto com o embaixador Marcos Caramuru de Paiva, indicando as possibilidades de maior protagonismo do país em outros fóruns. As oportunidades de investimento para o setor de energia no Brasil também foram tema do encontro com o embaixador. “Há um evidente interesse das empresas chinesas no mercado brasileiro”, diz Boeira.

Após a Conferência em Beijing, a discussão terá desdobramentos em outros eventos em São Paulo (outubro/17), Bonn/Alemanha (novembro/17) e San Francisco/USA (outubro/18).