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Indústria cearense discute desafios e aplicações da Nanotecnologia

Nesta sexta-feira, empresários participam de visitas técnicas a indústrias e centros de inovaçao em nano

Fortaleza, 06 de outubro de 2017 – De olho em um mercado global que deverá movimentar, até 2021, US$ 90,5 bilhões e nos desafios impostos pelas tecnologias disruptivas advindas da indústria 4.0, empresários e industriais cearenses se reuniram na quinta-feira (05), durante o Seminário Nanotecnologia para a Indústria, com o objetivo de discutir os conceitos, aplicações e as oportunidades de financiamento para projetos em nano.

Fruto de uma parceria entre a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o seminário foi realizado na sede da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec) e também contou com a presença de representantes do governo, de entidades de classe, além de pesquisadores e profissionais ligados à inovação.

Case de sucesso no Ceará, a Tecnoquímica Indústria e Comércio (T-Química) trabalha com nanotecnologia desde 2012. Após uma parceria com a universidade, a empresa produz desinfetantes de alto nível, hidrogel para uso veterinário, além de produtos agrícolas para proteção das plantações.

O diretor executivo da empresa, Felipe Sátiro, falou da importância da integração entre a universidade e o mercado. “O grande desafio é alinhar o timing desses dois agentes. Enquanto o pesquisador lida com artigos científicos, nós (empresários) lidamos com notas fiscais. No nosso caso, buscamos um professor-pesquisador bastante alinhado ao mercado para nos ajudar a transformar a inteligência acadêmica em produtos competitivos e com alto valor agregado”, explicou Sátiro, que atualmente mantém parceria com Portugal e pretende expandir operações por toda a Europa.

O professor em questão é o pesquisador Odair Pastor Ferreira, da Universidade Federal do Ceará (UFC), que apresentou, no Seminário, os conceitos, aplicações, evolução e tendências da nanotecnologia para a indústria. “A nano não é uma tecnologia particular, mas sim, uma plataforma que agrega valor aos produtos de forma incremental e disruptiva. O papel da universidade são as provas de conceito. Mas quem vai fazer virar um negócio são as indústrias”, explicou o acadêmico.

Desafios

Liliane Barreto, diretora de Marketing da Afins, uma indústria de cosméticos cearense, falou do “susto que a China trouxe ao mercado de cosmetologia”. “Foi uma verdadeira invasão. Eles têm preços assustadoramente baixos. Daí, nos perguntamos como poderíamos competir. A resposta estava no investimento em nanotecnologia e em produtos de alto valor agregado. Nossa proposta não é só embelezar, mas tratar o rosto feminino. Esse é o nosso diferencial”, afirmou a diretora, ao lembrar que, na crise, as mulheres preferem adquirir produtos para fazer o tratamento em casa, ao invés de recorrerem a clínicas e salões especializados.

Durante os painéis, também foram discutidos os entraves aos investimentos em nanotecnologia. Representando o presidente da ABDI, Guto Ferreira, a especialista em Projetos de Saúde da ABDI, Cleila Pimenta, destacou os contínuos debates junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Desde 2012, trabalhamos em conjunto com a Anvisa, para normatizar as evidências do uso e as aplicações da nanotecnologia na indústria, de forma a contribuir com as certificações. As perspectivas para a indústria são positivas e o mais importante é que os empresários não percam de vista que o investimento em nanotecnologia agrega valor ao seu produto, aumenta a produtividade e o torna mais competitivo”, ressaltou a especialista.

Marcos Soares, diretor-executivo da Fortsan do Brasil, indústria de saneantes hospitalares, endossou a opinião da especialista. “A parte mais difícil, para nós, é a certificação. O selo nos dá qualidade e a garantia de que o produto tem valor agregado. Mas, quando estamos falando de inovação, levar mais de uma década para conseguir uma patente beira o absurdo”, frisou Soares, ao mencionar o prazo que o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) costuma levar para emitir as patentes. Soares também preside o Sindicato da Indústria Química do Ceará (Sindquímica-CE) e representou o presidente da Fiec, Beto Studart, no evento.

O segundo painel foi dedicado às oportunidades de financiamento de projetos em nanotecnologia. Foram expostas as linhas e oportunidades da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do Banco do Nordeste (BNB) e do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

O coordenador-geral de Desenvolvimento e Inovação do MCTIC, Leandro Berti, frisou as perspectivas para a indústria em nanotecnologia. “Investir em nano é uma grande oportunidade para o Brasil sair dessa crise. Estamos falando de um mercado multitrilhardário, onde os produtos e processos inovadores e disruptivos poderão colocar o país na vanguarda e torná-lo precursor na corrida global em nanotecnologias”, disse o coordenador.

Nesta sexta-feira (06), os empresários participam de visitas técnicas a empresas e centros de tecnologia e inovação do Ceará para conhecerem cases de sucesso e as aplicações da nanotecnologia no mercado. O Seminário Nanotecnologia para a Indústria também conta com o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-CE) e do MDIC.

Assessoria de Comunicação
Bruna de Castro
(61)3962-8700
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