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Mulheres se destacam na indústria

Número de trabalhadoras atinge quase 2,5 milhões nas fábricas brasileiras

Um levantamento da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) revela que de cada quatro pessoas empregadas da indústria, uma é do sexo feminino. São 2,5 milhões de mulheres nos diferentes ramos da indústria e da construção civil. Em relação às 20 milhões de trabalhadoras no mercado, 12,29% estão nas fábricas. A proporção delas em relação aos homens vem aumentando. Em 2010, o índice de trabalhadoras era de 24,8%. Na última Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho, com dados de 2016, o número subiu para 26,63%, segundo avaliação da ABDI.

“As mulheres ocupam cada vez mais postos de liderança e são determinantes para o desenvolvimento da indústria, por serem extremamente qualificadas e dedicadas. Um dos dados que chama a atenção é o avanço delas em setores historicamente dominados por homens, como na indústria extrativa mineral e na construção civil”, defende o presidente da ABDI, Guto Ferreira. Na construção, elas eram 189 mil em 2010 e passaram para 196 mil, seis anos depois. Um aumento de 3%. Na extrativa mineral, o incremento da participação feminina foi ainda maior. Eram 21 mil trabalhadoras, em 2010. Em 2016, 26 mil mulheres atuavam no setor. Um avanço de 23%, segundo o levantamento da ABDI.

Empreendedorismo

Uma das fábricas que explicita a importância da mulher na indústria é a Matersol Modas, de Natal, no Rio Grande do Norte. A confecção começou em 1987, quando Maria de Fátima Santos saiu da empresa onde trabalhava para se aventurar como empreendedora. “Com o dinheiro da rescisão, minha mãe comprou três máquinas de costura e material para fazer as primeiras roupas”, relata a filha de Maria e atualmente diretora executiva da Matersol, Déborah Sayonara.

Nos primeiros anos, quem ajudava a vender as roupas era Déborah. Ela levava a produção de peças íntimas para a escola. “Nós vivíamos dos rendimentos da minha mãe. Depois de alguns anos buscamos financiamento, tanto para manter como para expandir o negócio”, relata. O sucesso da marca veio aos poucos, a troca do foco inicial de roupas íntimas para moda praia abriu um novo mercado. Atualmente, a Matersol conta com três lojas em Natal, uma em Recife (PE) e outra em Fernando de Noronha (PE). “Já temos um projeto de aumento de produção com a instalação de uma fábrica na cidade vizinha, Monte Alegre (RN),  e a abertura de uma loja em Miami nos Estados Unidos. “Atualmente, temos 75 mulheres trabalhando na fábrica, e esse número deve crescer com a abertura da nova unidade de produção”. Em 30 anos de funcionamento, a pequena confecção, que começou na garagem de casa, se transformou em grande fábrica. São produzidas mil peças por dia em um espaço de 2.000 m².

No ano passado, a Matersol participou do programa Brasil Mais Produtivo (P+B) – parceria do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), ABDI, Senai e Apex – que visa o aumento de produtividade de indústrias do país. O resultado foi o fim do retrabalho e o aumento de eficiência. “De cada dez peças, seis tinham que retornar para ajustes. Agora, com o acompanhamento em cada máquina, o retrabalho não existe mais”, explica Deborah. O B+P fez um trabalho específico na linha de maiôs, mas com o bom resultado a metodologia foi expandida para toda a fábrica. A produção aumentou em 92% na Matersol.

A fábrica é gerenciada exclusivamente por mulheres. Déborah é a diretora executiva, Maria de Fátima Santos, que começou a confecção, é a diretora de produção e a filha de Déborah, Gabriela Beatriz, é a gerente de marketing.

O exemplo da Matersol é singular, porque o Nordeste e o Norte são as regiões do Brasil onde ainda existem menos oportunidades de emprego para mulheres na indústria. No Nordeste, de todas as mulheres empregadas, apenas 8,43% trabalham na indústria, e no Norte o índice é menor ainda, 7,41%. Do outro lado da tabela está a região Sul. Nos três estados – Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina – 19% das trabalhadoras estão na fábricas, conforme a ABDI. No Sudeste são 12% e no Centro-Oeste são 9%.