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Metodologia da ABDI auxilia cadeia leiteira em Rondônia

Aplicativos desenvolvidos para gestão e melhoria da cadeia produtiva do leite encerrou a fase piloto em Cacoal e pode ser replicada a todo o país

Cacoal, 27 de abril de 2018 - Produtores de Cacoal e região, em Rondônia, receberam nesta sexta-feira (27) o certificado de participação no módulo piloto de desenvolvimento da cadeia do leite. O projeto faz parte das ações da Rede Nacional de Produtividade e Inovação (Renapi), iniciativa da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), que conta com a parceria da Prefeitura Municipal de Cacoal, firmada em julho de 2017. Este projeto piloto foi desenvolvido em parceria com a Prefeitura Municipal de Cacoal, Secretaria Municipal de Agricultura, Secretaria Municipal de Indústria, Comércio e Turismo, Instituto Federal de Rondônia, Secretaria de Estado da Agricultura, Universidade Federal de Viçosa e Embrapa Rondônia.

Para desenvolver a metodologia, a ABDI licitou a Esteio, empresa de base tecnológica sediada em Viçosa (MG), que realizou um diagnóstico dos gargalos do processo e propôs, com a Dinni Soluções em Sistemas, aplicativos para instalação nos celulares dos produtores e dos gestores do laticínio. “Hoje, todo mundo tem celular e se comunica pelo Whatsapp. O aplicativo é muito simples, não necessita estar on line o tempo todo e vai facilitar muito a vida do produtor”, afirma Gardiego Luiz, da Dinni.

“A metodologia da ABDI visa ampliar o grau de inovação na gestão das indústrias alimentícias. Em especial neste projeto piloto com os laticínios, a ideia é estimular uso da tecnologia na produção do leite”, esclarece Roberto Pedreira, coordenador da Renapi pela ABDI. “Ao mesmo, também incentivamos a pecuária leiteira de precisão, uma nova postura gerencial assentada no uso de tecnologias para maior controle animal e espacial de produção, e por consequência, maior dinamismo na economia do setor.”

Da caderneta ao aplicativo

A partir do diagnóstico, foi criado um protocolo para ser usado como termo de referência para a metodologia, que passou, então, pela fase mais importante do processo, a validação do aplicativo com todos os produtores envolvidos. “Há muitos aplicativos de gestão disponíveis no mercado. Era preciso fazer mais que isso para que o projeto fosse bem-sucedido. Era preciso que o produtor se visse nele, que fosse uma forma avançada da atual caderneta em que ele faz os apontamentos da propriedade – cobertura das vacas, nascimento dos bezerros, saúde animal, compra de rações”, explica Roberto Pedreira. Encerrada a fase piloto, a metodologia poderá ser replicada em outras cadeias produtivas em todo o país.

O aplicativo oferece, por exemplo, o georreferenciamento da coleta do leite desde a saída dos caminhões, a rota traçada por eles, informações sobre o motorista e a condição das estradas, até o horário da chegada dos tanques no laticínio. “Assim, o gestor pode se preparar com segurança para receber o leite e iniciar o beneficiamento. Não há tempo ou estrutura ociosos”, afirma Alessandro Rodrigues, proprietário do Laticínio Joia, selecionado para o projeto piloto. “Tudo fica registrado. Cada um com seu aparelho celular envia informações em tempo real.”

De filho para pai, de neto para avô
“O desafio do processo era claro: fazer com que produtores rurais, em sua maioria familiares, passassem a ver o aplicativo como aliado, como facilitador do seu negócio”, aponta Antonio Tafuri, especialista da ABDI no projeto. Para isso, rodadas de treinamento e engajamento de produtores e técnicos foram realizadas, com vistas a superar o receio com a inovação, dirimir dúvidas e incentivar o uso do app. Leonardo Maciel, da equipe Esteio, destaca um interessante avanço neste sentido. “Nem todos tinham facilidade com a tecnologia, por mais simples que fosse. Então, um novo movimento surgiu, de forma natural, nas pequenas propriedades: filhos e netos, mais acostumados com o aparelho, passaram a ajudar seus familiares na inserção dos dados.” Com o envolvimento de toda a família, o aplicativo teve maior aceitação.

A ferramenta também permite a gestão do rebanho leiteiro dos produtores. “Leite só pode ser chamado assim se for de rebanho saudável. E esse controle deve ser rigoroso para que nosso produto seja reconhecido pela qualidade. Todos ganham no processo: o laticínio vende mais, os produtores recebem maior valor pelo litro de leite, a região se torna referência”, afirma Alessandro “Joia”. Por meio do sistema, é possível visualizar o número de fêmeas e de machos, touros, inseminações e nascimentos, entre outros dados.

Leonardo atenta para a possibilidade, ainda, da troca de experiências entre os produtores. “Aqui ninguém é concorrente. É parceiro. As soluções encontradas por um produtor pode ajudar na resolução de um problema de outro.” Ele conta que já houve casos de intermediar questões de saúde animal entre especialistas e produtores, resolvendo problemas simples pelo próprio aplicativo, no módulo de gestão do programa de assistência técnica.

Qualidade e melhoramento genético

O módulo de gestão da qualidade dos produtos foi o mais facilmente implementado por se tratar de um laticínio com três anos de conquista de bonificação da qualidade. As informações que os produtores inserem permitem orientar mais acertadamente a tomada de decisão para melhorar a qualidade do leite, por meio do conhecimento das condições do rebanho.


Da mesma forma, no módulo de gestão do melhoramento genético, pode-se ter maior clareza de tipo de gado que o produtor precisa ter em suas propriedades e monitorar a qualidade da nutrição da fazenda, como pastagens, núcleos minerais e rações, além de sanidade e capacidade de criação. Para Leonardo, “não adianta ter a melhor vaca, ter investido na compra do melhor gado, se não houver cuidado com o rebanho”.

Compras coletivas, menor preço garantido

O aplicativo também pode ser utilizado para reduzir custos para os produtores. “Quando se fala em reduzir custo numa cadeia como a do leite, não se trata de cortar pessoal ou reduzir a qualidade dos insumos. Trata-se de saber usar melhor o investimento já feito, como a organização em compras coletivas”, esclarece Leonardo. Esta funcionalidade também está incluída no aplicativo, bem como o recebimento de notificações sobre a detecção de menor preço ou promoções de determinados produtos.

Campo conectado

De acordo com a 7ª Pesquisa de Hábitos do Produtor Rural feita pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócios (ABMRA), cerca de 96% dos produtores de Cacoal possuem telefone celular. Destes, 88% contam com um único aparelho em casa, 7% possuem dois aparelhos e 4% disseram ter três ou mais aparelhos. Os smartphones são maioria: 61% já migrou para esta tecnologia entre os produtores atendidos pelo projeto piloto.

Com relação ao acesso à internet, a Esteio levantou que um número irrelevante de famílias da amostra de Cacoal ainda não possui conexão própria por roteador, mas acessam por rede telefônica, e cerca de ¾ dos produtores que têm acesso costumam utilizar redes sociais. O Whatsapp atinge quase a totalidade dos produtores (96%), seguido pelo Facebook (67%), YouTube (24%), Messenger (20%) e Instagram (8%).