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ABDI e FGV preparam maior estudo já feito no Brasil sobre rotas logísticas

Greve dos caminhoneiros, em maio, reatualizou debate sobre o sistema de transporte de cargas no país

A matriz de transporte de cargas no Brasil é dependente do sistema rodoviário. Com isso, o custo com logística acaba tendo impacto no preço final dos produtos vendidos no país, afetando a competitividade da indústria. Segundo a Ilos, consultoria especializada, o gasto total com logística – soma de transporte (60%), estoque (31%), armazenagem (5%) e administrativo (4%) – alcança o equivalente a 12% do produto interno bruto brasileiro. Para a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), a rediscussão da matriz de transporte de carga é essencial para o futuro da economia do país. Em conjunto com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a ABDI prepara estudo estratégico sobre o tema no contexto da quarta revolução industrial.

“A última greve dos caminhoneiros abriu uma janela de oportunidade para rediscutirmos a logística no país. Uma discussão urgente e necessária. Este estudo será o maior já feito no país e poderá nortear o estado sobre os investimentos necessários que devem ser feitos nos próximos 15 anos”, diz o presidente da ABDI, Guto Ferreira.

Com a quarta revolução industrial, já em curso, o Brasil precisa se preparar para ter logística 4.0. É da porta da fábrica para fora, até o consumidor, onde está o maior desafio a ser enfrentado para se ter uma entrega ágil e segura correspondente ao ganho de produtividade esperado na indústria. “Hoje o custo é alto e ineficiente, dentre outros motivos, pela pouca diversificação de modais de transporte”, avalia Ferreira.  De acordo com o Plano Nacional de Logística e Transportes (PNLT), do Ministério dos Transportes, o ideal para o país seria aumentar o escoamento da produção por trens e navios. Para tornar o sistema brasileiro mais equilibrado, a utilização de ferrovias deveria aumentar 35% e de hidrovias, 29%.

Dados da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) apontam que de cada dez produtos transportados no Brasil, seis são enviados por rodovias. As ferrovias são utilizadas em 20,7% dos deslocamentos e o transporte aquaviário responde por 13,6%. Encerram a lista os tipos dutoviário (4,2%) e aéreo (0,4%).

Segundo o ranking do Banco Mundial de desempenho logístico, o Brasil aparece na 65º posição. Comparado às economias emergentes dos BRICS (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o país fica apenas na frente da Rússia. A África do Sul, por exemplo, aparece 31 posições à frente, ocupando o 34º lugar. Os dados são de 2014.

“Para recuperar o tempo perdido, temos que investir em infraestrutura, mas também em inovação. As startups têm oferecido boas soluções de logística para a indústria brasileira”, explica o presidente da ABDI. Outro ponto a ser considerado, segundo Ferreira, é o investimento em novas soluções de transporte. A ABDI firmou uma parceria com a Hyperloop Transportation Techonologies (HTT), em abril deste ano, para instalar um Centro Global de Inovação em Logística no país. Com operações previstas ainda para este ano, a inciativa abrigará a divisão de pesquisas de logística, um laboratório de fabricação e um ecossistema de empresas líderes globais, startups, universidades, inovadores, cientistas e governos do mundo inteiro que estejam focados em resolver crescentes demandas em logística. O centro fica em Contagem (MG) e tem investimento previsto de R$ 26 milhões.

O presidente da ABDI está em missão na Califórnia, Estados Unidos, onde visitou a sede da Hyperloop, na última segunda-feira (11). Nesta quarta (13), será selada parceria que vem sendo construída desde o ano passado.Em São Francisco, Guto Ferreira vai assinar um acordo com uma das maiores aceleradoras de startups do mundo. Com presença no Brasil, a Plug and Play participou de iniciativas de sucesso mundial como o Google, PayPal e Dropbox. A ABDI irá associar a marca da agência ao da Plug and Play e participar do ecossistema gerenciado pela empresa.