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5G é melhor política industrial para o Brasil, segundo Calvet

Webinar promovido pelo Teletime debate o impacto do 5G para o setor produtivo e a possibilidade de uso de redes privadas pelas empresas

Fernanda Melazo | 22/06/2020

Mudanças tecnológicas são seguidas por mudanças sociais, políticas e culturais. As redes 5G vêm promover essas mudanças e, para o setor produtivo, representa uma revolução em termos de modelagem de negócios. Essa é a avaliação feita pelo presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Igor Calvet, durante webinar promovido, nesta segunda-feira (dia 22), pelo Teletime News, publicação online dedicada ao mercado de Telecomunicações do Brasil.

Em debate sobre mercados verticais e redes privadas, Calvet participou como palestrante, ao lado de Vinícius Caram (Superintendente de Outorga e Recursos à Prestação da Anatel); Marcos Scheffer (Vice Presidente e Head of Networks da Ericsson); Heron Fontana (superintendente de Smart Grid da Neoenergia); e Wilson Cardoso (Chief Solutions Officer na Nokia), em webinar mediado pelo jornalista Samuel Possebon.

“Vejo hoje o 5G como a melhor política industrial para o Brasil avançar na economia, retomar o crescimento pós pandemia e garantir aumento de produtividade e competitividade”, disse Igor Calvet, lembrando que o Brasil traz incrementos à produtividade em ritmo lento, há trinta anos (0,5% contra 6,5% da Coreia do Sul, por exemplo).

De acordo com o presidente da ABDI, o 5G abre caminho para uma diversidade de serviços e aplicações que irão muito além das melhorias de comunicação para os usuários finais. Com alta largura de banda e baixa latência, o 5G fornece conectividade principalmente, entre máquinas, equipamentos e dispositivos, potencializando tecnologias, como a Internet das Coisas. Esta conexão entre objetos incrementará a produtividade da economia, flexibilizando linhas de produção e alterando completamente as formas de entrega de bens e serviços.

Wilson Cardoso (Nokia) também avalia que as redes 5G vão garantir maior eficiência às empresas com redução grande de recursos. “Vamos ter ganhos máximos de produtividade”, disse.

O executivo da Ericsson, Marcos Scheffer, acentuou o impacto do 5G nas outras tecnologias. “O 5G vai potencializar muito das aplicações que já existem. E possibilitar o aparecimento de aplicações que nem existem”, disse. “A gente enxerga o 5G como o principal motor para o desenvolvimento da indústria de qualquer país. Sem 5G, é o mesmo que ficar sem portos e aeroportos”, concluiu.

Mercados verticais e redes privadas

Segundo o presidente da ABDI, a tendência é de que os mercados verticais sejam mais horizontais com a implantação do 5G. “Os negócios vão ser cada vez mais horizontais. Haverá novos modelos de negócios nas verticais”, disse.

Scheffer concorda. “O mercado de telecomunicações, por exemplo, vai deixar de ser vertical para ser horizontal”, disse. Nesse cenário, as empresas terão que buscar conhecimento sobre como operar as redes e sobre como usar equipamentos dos fornecedores. Hoje, segundo ele, as operadoras não têm conhecimento sobre os mercados verticais. “Vai ser uma junção de todas as expertises. Terá que haver parceria para oferecer novos serviços e ganhos de competitividade”, afirmou.

Uma das maiores novidades da tecnologia 5G é a possibilidade que as empresas terão de customizar o uso das redes. O 5G permite o fatiamento de rede (Network Slicing), que pode ser personalizada e otimizada. Isso possibilita às empresas o acesso ao espectro com redes privadas, as quais podem ser orientadas às necessidades do proprietário, o que garante a ele controle total sobre todos os aspectos da rede, como controle de acesso, qualidade de cobertura, priorização de tráfego e respostas a problemas e falhas.

Modelos híbridos

O superintendente da Anatel, Vinícius Caram, afirmou que o órgão regulador está atento às demandas por espectro por parte da indústria, quando da implantação do 5G. “Nosso papel é garantir o espectro para permitir a conectividade”, disse.

Segundo ele, a Anatel busca aproximar os mercados verticais e as operadoras. Ele informou que é possível que redes privadas possam compartilhar a banda de 3,7 a 3,8 GHz, hoje utilizada para o serviço de radiodifusão via antenas parabólicas. E acrescentou que a preocupação do órgão regulador é garantir o uso eficiente do espectro.“Se a operadora não tem interesse em cobrir determinada área, poderá disponibilizá-la a um interessado, de forma segura”, disse.

Segundo os participantes, a tendência é que o Brasil busque modelos híbridos de uso do espectro. “A gente acredita num modelo híbrido e não apenas em redes privadas”, disse o superintendente da Neonergia. Segundo Scheffer, as redes privadas podem funcionar para áreas pequenas, como galpões industriais. Mas para grandes negócios, como as plataformas de petróleo, os modelos híbridos para uso das redes (com parcerias entre empresas, operadoras e fornecedores de equipamentos) seriam mais propícios. “Existem vários modelos e várias combinações que podem ser aplicáveis”.

“A criação dos ecossistemas é fundamental, o espectro é um componente disso. Não estamos fazendo essa antecipação do debate com o 5G, entre o regulador, a indústria e o ecossistema”, apontou Wilson Cardoso (Nokia).

O presidente da ABDI chamou atenção para a necessidade de o leilão do 5G, que está sendo definido pela Anatel, definir a questão do acesso ao espectro. “A ABDI não tem competência pra decidir sobre isso, mas nossa expectativa é que esse leilão já resolva a questão do espectro. Se a gente não fizer isso agora, podemos ter grandes perdas de produtividade e de investimentos das companhias por falta de regulação que não contemple isso”, afirmou.