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A construção de cidades inteligentes para pessoas

As tecnologias 4.0, que devem revolucionar o modo de viver nos municípios, foram o tema do 1º dia no mais importante evento de Smart Cities da América Latina

Márcia Fruet | 24/07/2019

O conceito de cidades inteligentes está associado à agilidade e à economia em processos e serviços nos municípios. Mas uma outra dimensão foi discutida, ontem, no Smart City Expo Brasil, em São Paulo: o uso das tecnologias como fator de desenvolvimento humano nas cidades. O painel “Governo Digital e a Construção de Cidades Inteligentes” reuniu empresas e poder público para debater ferramentas capazes de proporcionar melhorias em serviços públicos e na qualidade de vida nas cidades. O evento, patrocinado pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, se encerra hoje (24) no Transamérica Expo Center. 

Tiago Faierstein, líder do projeto Cidades Inteligentes da ABDI e debatedor no painel, lembrou que é necessário mais que levar tecnologias para as regiões. “Há uma diferença importante entre inovar e utilizar tecnologias. Propiciar acesso às ferramentas ágeis não necessariamente imprime o conceito de cidade inteligente. Como utilizar estas ferramentas, de modo a dar confiabilidade e desburocratizar os processos, facilitando a vida dos munícipes, é que é inovador”, afirma.

Para testar e expor tecnologias, a ABDI criou, em parceria com o Parque Tecnológico de Itaipu (PTI), Itaipu Binacional, BNDES, BID e Inmetro, o Living Lab (em Foz do Iguaçu/Paraná). Tiago apresentou a iniciativa e ressaltou as características apontadas pela Comissão Europeia no “Índice de Economia e Sociedade Digital”: conectividade, capacitação técnica da população, acesso da sociedade à internet, integração tecnológica no setor privado e digitalização do setor público.

Para o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, que também compôs a mesa, “é preciso lembrar que as cidades são compostas por pessoas, e é para elas que devemos implementar inovações e realizar os investimentos em tecnologia”. Para os debatedores, a construção de cidades automatizadas e funcionais só se tornam inteligentes, de fato, quando os vários serviços públicos digitais começam a se integrar e comunicar entre si.

A educação para as profissões do futuro e a preparação dos munícipios para a transformação 4.0 foram outros temas abordados no evento, que contou com a deputada federal Angela Amin; Vitor Menezes, secretário executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações; Anderson França, diretor de Vendas de TI da Oi Telecom; e Leandro Guerra, diretor de Relações Institucionais da Tim Brasil. A mediação do debate foi feita pelo diretor de Relações com o Mercado da Softplan Sistemas.  

Inteligência Artificial – No final da tarde, um grupo composto por empresas de tecnologia e representantes do poder público se reuniram com o secretário executivo do MCTIC para discutir uma política nacional para Inteligência Artificial. O objetivo é desenvolver o ecossistema no Brasil. Tiago Faierstein falou sobre o projeto da ABDI de cybersegurança para o Exército brasileiro, as capacitações possíveis no Living Lab e o acordo de cooperação de tecnologias firmado entre Brasil e Israel. Na ocasião, também apresentou a iniciativa que está sendo desenvolvida em parceria com a Receita Federal na Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu. A ideia é utilizar tecnologias de ponta para reduzir a criminalidade que acessa o País pela fronteira com o Paraguai.

As contribuições tiveram foco na formação de mão de obra para IA, de trabalhadores e executivos - que deverá passar pela estratégia de educação a ser adotada pelo País -, a segurança e o acesso aos dados para IA e a transformação do mercado de trabalho (oferta e demanda) no contexto 4.0. O secretário se comprometeu a compilar as sugestões e analisar a possibilidade de incorporação na proposta de política pública do Ministério.