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ABDI será anfitriã de Hub de Inovação do Fórum Econômico Mundial (WEF)

Primeiro da América Latina, Hub atuará como ponto de contato entre o ecossistema nacional de produção e a Rede Global de Manufatura Avançada do WEF

Paula Fettermann | 01/07/2020

“Há uma clara necessidade de recriar a confiança e promover mais cooperação multiestado com o objetivo de moldar a era pós-Covid-19”, disse a diretora do Fórum Econômico Mundial (WEF) para a América Latina, Marisol Argueta, durante a primeira reunião virtual do Hub de Manufatura Avançada do Brasil, promovida pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), nesta terça-feira (30/06).

A ABDI foi convidada pelo WEF a desempenhar a função de entidade anfitriã do espaço de discussão e de troca de experiências. Com hubs semelhantes já estabelecidos nos Estados Unidos, na Espanha, na Dinamarca, em Istambul, na Itália, e na Austrália, o Hub no Brasil será também o primeiro na América Latina. “O Hub de Manufatura Avançada é uma rede que se mostra bastante eficiente, não só por conectar as experiências que acontecem em todo o mundo com o que acontece no Brasil, mas por deixar o país na vanguarda das discussões das políticas publicas relativas a esse assunto”, ressaltou o presidente da ABDI, Igor Calvet. 

O Hub de manufatura Avançada no Brasil já reúne parceiros importantes como a Google; Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq); Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças); Natura; Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); Ministérios da Economia e da Ciência, Tecnologia e Inovação; TOTVS; WEG; e Câmara Brasileira da Indústria 4.0. Representantes de todas essas organizações participaram da primeira reunião do Hub. O objetivo é que, em cooperação, o Hub componha uma agenda de interesse do setor produtivo nacional a ser trabalhada nos próximos 12 meses.

Cadeia de suprimentos e 5G

Pesquisa feita pelo WEF com 400 líderes de empresas de regiões e indústrias diferentes apontou que 80% deles acham que o covid-19 impactou significativamente as operações da cadeia de suprimentos. Ainda segundo o levantamento, apresentado por Ian Cronin, Líder do Projeto Futuro da Iniciativa Avançada em Sistemas de Manufatura e Produção da WEF, 44% dos respondentes estão se adaptando aos métodos de distribuição para garantir a continuidade da cadeia de suprimentos; 40% colocarão maior foco na gestão de riscos, e 20% das empresas estudam a instauração permanente do Home Office.

Para Igor Calvet, a conexão entre cadeias de suprimento e as tecnologias 4.0 ganham relevância na agenda da inovação. Ele mencionou ainda os impactos das redes 5G no setor produtivo. “O Hub pode ser um lócus importante para a discussão sobre o impacto do 5G na nossa indústria. Acho que esses dois assuntos são fundamentais para o Brasil e o mundo: cadeia de suprimentos e 5G”, disse. 

Ian Cronin também apresentou a Plataforma de Ação Covid-19, lançada pelo WEF. “A intenção era criar um mecanismo que permitisse o intercâmbio de informações entre os países. E conectasse líderes políticos, líderes da indústria e diversas outras partes interessadas”, explicou. O objetivo da plataforma é formar uma rede de trabalho cooperativa para trocar essas melhores práticas e melhorar os canais de comunicação.

O especialista disse ainda que é preciso repensar a tecnologia em nossos processos produtivos para permitir que as empresas possam diversificar e aumentar a expertise em tecnologia, o acesso a insumos e ao mesmo tempo manter as portas abertas de forma inclusiva. De acordo com Ian, a ideia é formar uma cadeia de valor mais ágil, mais conectada, mais humana e sem precisar de investimentos de capital muito elevados. “Precisamos mudar de competitividade de custo para competitividade de risco”, destacou. 

Segundo Marisol, no contexto do covid-19, estamos enfrentando três tipos de desafios transformadores. “O primeiro é reagir, a curto prazo, para garantir suprimentos, demandas, redução de custos e de riscos. O segundo é a recuperação, a médio prazo, com processo de introdução de tecnologias e aumento de capacidade de trabalho. Por último, está a reinvenção, a longo prazo, com o futuro digital, com rede, dados, analíticos e agilidade trabalhando juntos globalmente”, expôs.

Os parceiros

Na visão do Secretário de Empreendedorismo e Inovação do MCTI, Paulo Alvim, é importante para o Hub formar uma teia empresarial que permita dar uma resposta rápida, como foi possível na pandemia. Além disso, o secretário afirmou que ao definir setores estratégicos e usar o mesmo esforço de aceleração da transformação digital utilizado durante o cenário de crise, o Hub pode fazer a diferença. “A gente vai sair de um período de desindustrialização para a reindustrialização de setores estratégicos para o país e para superarmos dificuldades que serão frequentes. A competitividade de risco se torna estratégica”, destaca.  

Ana Costa, chefe de departamento de bens, capital mobilidade, aeronáutica e defesa do BNDES, destacou a importância do Brasil não só fazer parte, mas liderar o centro de discussão. “É de extrema relevância para o país ser anfitrião desse Hub, que pretende levantar temas estratégicos que precisam estar em pauta tanto pela relevância da nossa indústria como consumidora quanto fornecedora capaz dessas tecnologias”, disse. 

O diretor de Inovação do Sindipeças, Maurício Muramoto, destacou a importância de dar apoio às pequenas e médias empresas. “O elo mais fraco define a fortaleza da cadeia de suprimentos. Portando, se não tiver um elo forte também nas menores empresas, o tecido industrial que desejamos para o país não funcionará”, alertou.

Para João Delgado, diretor executivo de tecnologia da Abimaq , “mais do que ter a produção é necessário ter a engenharia necessária . Temos que dominar a engenharia de cabo a rabo. Temos que ter um conjunto de articulações pontuais para fazermos a diferença em áreas estratégicas”, explicou. 

A gerente de políticas públicas do Google, Karen Duque, destacou a cooperação entre setor privado e público como peça-chave para a recuperação econômica no pós covid-19. “O Google acredita que a cooperação com os stakeholders é fundamental para que a gente encontre soluções no contexto atual”, explicou.

Participaram ainda do encontro Igor Nazareth, Subsecretário de Inovação e Transformação Digital do Ministério da Economia; Eliana Emediato e Adriana Depieri, representando o MCTI; Ângela Pinhati,  Diretora de manufatura, segurança e meio ambiente da Natura para a América Latina; Jairo Cardoso, Diretor de Gestão de Projetos da SPI Integradora; Carlos Grillo, Diretor de Negócios Digitais da WEG;  Jefferson Martins e Marcelo Gramigna , representando a TOTVS; Néstor Ayala e Alejandro Frank, professores da Universidade do Rio Grande do Sul (URGS); Ricardo Ávila,  diretor da Sabó; Paulo Navarro, sócio da Peerdustry - Manufatura Compartilhada; além do Diretor da ABDI, Carlos Geraldo; 

Hub, ABDI e WEF

Os hubs são iniciativa do WEF que têm por objetivo engajar os ecossistemas regionais de produção – incluindo setor privado, governos, sociedade civil e academia – para: i) identificar e endereçar oportunidades e desafios trazidos pela Quarta Revolução Industrial;  ii) enfatizar, dar conhecimento e realizar benchmarks de casos de sucesso por meio das plataformas do Fórum Econômico Mundial; iii) promover interação entre os hubs estabelecidos, de forma a que compartilhem melhores práticas e realizem prospecção de novas parcerias.

Como entidade anfitriã da iniciativa, a ABDI promoverá eventos e discussões estratégicas acerca dos temas da manufatura avançada; definirá, com os participantes do Hub, as prioridades temáticas; e atuará como ponto de contato entre o ecossistema nacional de produção e a Rede Global de Manufatura Avançada do Fórum Econômico Mundial.