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Álcool em gel feito à base de celulose

Projeto do Edital de Inovação para a Indústria desenvolve nova fórmula de álcool em gel a partir da celulose. Uma plataforma disponibiliza o passo a passo da produção em escala

Kátia Maia | 04/09/2020

Um projeto financiado pelo Edital de Inovação para a Indústria, na categoria Missão contra o Covid-19, conseguiu um substituto para o carbopol, espessante importado da China e que faz parte da fórmula do álcool em gel. Com a pandemia, o produto começou a faltar no mercado devido à alta demanda. 

A categoria Missão contra o Covid-19 do Edital de Inovação para a Indústria é resultado de uma parceria entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Embrapii. Desde abril, a partir da escolha do projeto, pesquisadores do Instituto de Inovação (ISI) Biomassa, localizado em Três Lagoas (MS); do Instituto de Biossintéticos e Fibras, no Rio de Janeiro; e do Instituto de Engenharia de Polímeros, em São Leopoldo (RS), começaram, sob a coordenação do ISI Biomassa, a pesquisar produtos capazes de substituir o carbopol, mantendo as características físico-químicas e antissépticas do álcool em gel 70%, indicado no combate ao coronavírus.

Doze alternativas ao espessante foram identificadas. Entre elas, o hidroxietilcelulose (HEC), Metilhidroxietilcelulose (MHEC) e hidroxipropilmetilcelulose (HPMC), de origem celulósica.  “A celulose é extraída da madeira, matéria prima vegetal. É um recurso renovável altamente disponível, principalmente nessa região do Mato Grosso do Sul. Aqui, em Três Lagoas, a gente está na capital da celulose”, ressaltou Jéssica Medina Gallardo, engenheira em bioprocessos e pesquisadora do ISI Biomassa.

Ao todo, foram testados 26 produtos alternativos ao carbopol, sendo de origem vegetal ou sintético. Alguns espessantes alternativos foram excluídos por não conseguirem ser dissolvidos em concentrações altas de etanol, como a de 70%, como deve ter o produto de combate ao coronavírus.  “Os espessantes descartados precipitavam na medida em que se aumentava a concentração de etanol. Acima de 50% viravam em duas fases, uma sólida e outra líquida e não se conseguia o gel”, explicou. 

Os produtos foram testados inicialmente em pequena escala (até volumes de 500 ml) em ambiente laboratorial. Uma vez validados, foram escalados para a produção de 100 a 300 litros. “A primeira formulação que deu certo em escala laboratorial foi aquela utilizando HPMC, partimos então para a avaliação e validação do processo de produção em grande volume, com resultados satisfatórios”, ressaltou.

Todo o passo a passo da produção do álcool em gel, utilizando o espessante a base de celulose em grande escala está disponível para o mercado por meio de uma plataforma na internet. “Nesse link estão as fórmulas, os componentes da fórmula e como chegar a essas formulações, com os procedimentos de preparo, riscos de manipulação, armazenamento, ensaios microbiológicos, etc.”, informou Jéssica.

Para acessar o material é preciso entrar no link e baixar as Fichas Técnicas.