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Brasil busca maior entrada na indústria espacial, mercado de US$ 360 bi no mundo

Especialistas debatem no último dia do Fórum da Indústria Espacial modelos comerciais, conexões e aplicações do setor no país

Bruna de Castro | 20/11/2019

Considerado um dos principais indutores do desenvolvimento tecnológico de um país, o setor espacial movimenta mais de US$ 360 bilhões ao ano no mundo, e as projeções para o futuro próximo são ainda maiores, a partir da entrada mais agressiva de novos players no cenário global, como Japão, Argentina, Paraguai e o próprio Brasil.

"É um mercado pujante e com inúmeras possibilidades. O desenvolvimento industrial nesse setor se dá pela interação entre os diversos organismos, incluindo as empresas privadas que fazem pesquisa aplicada, desenvolvem soluções conjuntas para um setor tão complexo, e cujo transbordamento de tecnologias é patente", destacou o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Igor Calvet, durante moderação do painel 'In and Out – As Conexões da Tecnologia Espacial', no segundo dia do Fórum da Indústria Espacial Brasileira, nesta quarta-feira (20), no Parque Tecnológico São José dos Campos.

Segundo Calvet, os investimentos no setor têm impactos transversais e proporcionam retornos socioeconômicos em diversos outros setores industriais. "Estamos falando não só de tecnologias já incorporadas pelos cidadãos, como o uso do GPS e a qualidade na previsão meteorológica e climática, mas também a inteligência e precisão na mobilidade urbana, o patrulhamento das fronteiras com informações geoespaciais, a agricultura de precisão, entre tantas outras aplicações", lembrou.

Para o diretor do Instituto Senai de Inovação, Pierre Mattei, uma questão fundamental é o transbordamento do setor. “Enquanto eu trabalho na construção de um satélite em Florianópolis, a equipe de Joinville está envolvida com a manufatura aditiva do projeto, e o conhecimento é gerado e transbordados para diversas áreas", exemplificou.

Para Masa Nagasaki, co-fundador da Space BD, empresa japonesa líder em serviços de lançamento de satélites, o setor espacial conseguirá avançar ainda mais se investir em educação e ampliar a sinergia entre os países. Ele contou que, desde 2014, opera um projeto de educação empreendedora para o Ministério da Economia, Comércio e Indústria japonês. "Também atuamos como um balcão único para ajudar com soluções de industrialização do espaço e contribuir com empresas que estão desenvolvendo novas tecnologias. Essa sinergia é muito importante", ressaltou.

O CEO da Concert Technologies no Brasil, Petrônio Prates, defendeu mais investimentos para o setor. "Estamos diante de um mundo novo, uma nova era comercial para o setor espacial brasileiro. É uma janela de oportunidade que o Brasil não pode perder e, para tanto, precisamos de capacitação espacial, demanda governamental e um bom ambiente institucional para os negócios", apontou Prates, ao acrescentar que a Concert está presente no Programa Espacial Brasileiro, com sistemas de software em tempo real para controlar as principais operações do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA).

Parcerias internacionais

O Paraguai também avança no mercado espacial. Segundo a diretora de Relações Internacionais da Agência Espacial do Paraguai (AEP), Hebe Romero, o país já possui uma legislação e uma política espacial própria que incluiu a criação da AEP. "Assim como o Brasil, temos grandes desafios à frente, como a formação de recursos humanos especializados, a atração de investimentos por meio de projetos e cooperações internacionais e a criação de centros de investigação em temas aeroespaciais”, enumerou Romero, ao acrescentar que o país pretende fazer parcerias com empresas brasileiras.

Representando a Argentina, o desenvolvedor de Negócios da INVAP, Leonardo Brocca, também manifestou interesse em parcerias com o Brasil. "Estamos preparados para entregar projetos altamente tecnológicos, não só voltados para o setor espacial, mas também nuclear”, disse. Criada em 1976, de propriedade do governo argentino, a INVAP foi a primeira companhia latino americana certificada pela Nasa para fornecer serviços de tecnologia espacial. Constrói satélites, instrumentos e estações de terra, incluindo a família de satélites SAC (Satélites de Aplicação Científica), desenvolvida pela Agência Espacial Argentina (Conae).

O Fórum também contou com a palestra da diretora do escritório da Agência Espacial Japonesa Jaxa, em Washington, Masami Onoda. Ela apresentou os principais projetos da agência e comentou sobre a importância de eventos como o Fórum, que reúnem diferentes atores do setor. “O Japão está ansioso por essa aproximação com o Brasil, e eventos como este são o ambiente ideal para conversarmos diretamente com o setor, trocarmos experiências e analisarmos futuras parcerias ”, acenou a diretora.

Onoda frisou que uma cooperação espacial entre o Brasil e o Japão pode ser muito promissora na área de satélites de órbita baixa (LEO, na sigla em inglês), na pesquisa em micro gravidade e na área de micro e nanosatélites. "Depois do Acordo de Alcântara, estamos dispostos a desenvolver parcerias, trocar conhecimentos e abrir novas conexões", afirmou.

Em sua 3ª edição, o Fórum da Indústria Espacial Brasileira foi promovido pela AEB e MCTIC, em parceria com a ABDI, a Secretaria Geral da Presidência da República, por meio da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos (SAE), e o Parque Tecnológico de São José dos Campos (PQTEC).