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Café Robusta da Amazônia: Indicação Geográfica cada vez mais perto

Produtores de 15 municípios próximos à Cacoal (RO) criaram a Associação dos Cafeicultores das Matas de Rondônia. A fundação é um dos passos necessários para obter a certificação

Fernando Rotta com informações da Embrapa | 14/05/2019

No dia 9 de maio, foi realizada a solenidade de criação da Associação dos Cafeicultores da região da Indicação Geográfica dos Robustas Amazônicos - Caferon, marco fundamental para o processo de reconhecimento da Indicação Geográfica (IG) dos Robustas Amazônicos. O presidente empossado, Juan Travain, destacou a importância desse selo de reconhecimento. “A união das famílias para a produção de cafés de qualidade e sustentáveis é fundamental para agregar valor e organizar os produtores. Precisamos enxergar o café como um alimento, levar para a mesa das famílias brasileiras um produto melhor e mais saboroso”, afirmou. A Caferon é composta por cafeicultores de 15 municípios: Alta Floresta d’Oeste, Cacoal, São Miguel do Guaporé, Nova Brasilândia d’Oeste, Ministro Andreazza, Alto Alegre dos Parecis, Novo Horizonte do Oeste, Seringueiras, Alvorada d’Oeste, Rolim de Moura, Espigão d’Oeste, Santa Luzia d’Oeste, Primavera de Rondônia, São Felipe d’Oeste e Castanheiras. A união destes municípios será denomiada como “Matas de Rondônia”. 

O reconhecimento formal da IG no País e responsabilidade Geográfica cabe ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI). A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) fez os diagnósticos e análises técnicas para a Indicação Geográfica de região produtora de café em Rondônia. Segundo o analista de produtividade e inovação da Agência, Antônio Tafuri, um dos resultados imediatos no processo de IG é a identificação, o reconhecimento e a divulgação de atributos do café da região à sociedade e à indústria. “A aproximação da indústria com a cadeia produtiva e sua organização traz inúmeros benefícios, como a percepção da qualidade e valor do café. Isso pode gerar novos produtos que estarão disponíveis aos consumidores em um curto espaço de tempo”, explica Tafuri. 

Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel - ABICS, Pedro Guimarães Fernandes, o processo de Indicação Geográfica é uma ideia revolucionária e que vem em um momento muito apropriado, em que os consumidores querem saber de onde vêm os produtos que eles consomem, de que maneira está sendo produzido, se é sustentável e se agrega valor para a comunidade. “A IG é fantástica e vai abrir possibilidades de comercialização do café de Rondônia, incluindo o solúvel. A indústria de solúvel é o maior comprador dos cafés do estado e exporta para mais de 180 países. Isso abre possibilidades imensas de comercialização do café solúvel, verde e isso agrega valor e todos da cadeia ganham com isso”, conclui Fernandes.


Já existe um acordo entre as empresas brasileiras do ramo para a compra de 20 mil sacas de café dos produtores mais bem colocados no Concurso de Qualidade e Sustentabilidade do Café de Rondônia (Concafé) deste ano. As sacas, que são comercializadas em média à R$ 280, serão adquiridas com pelo menos R$ 50 de acréscimo. Com a criação da Associação dos Produtores, o próximo passo rumo a Indicação Geográfica é a definição de um “regulamento de uso e estrutura de controle”. Este documento será uma espécie de guia de plantio e cultivo visando a excelência do produto final.