ENCONTRE AQUI

Câmara de Saúde 4.0 quer levar sistema público para o futuro

MCTIC e MS lançam Câmara da Saúde 4.0 para aprimorar uso da tecnologia no setor

Paula Fettermann | 03/02/2020

Os caminhos para aplicação de novas tecnologias na área da saúde serão tema de discussão da Câmara da Saúde 4.0, lançada na última quinta-feira (30) pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e pelo Ministério da Saúde. O projeto estava previsto no Plano Nacional de Internet das Coisas (IoT), lançado em 2019, e promete transformar a saúde pública no Brasil.

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) apoia a criação da Câmara da Saúde 4.0. “As tecnologias como IoT já são aplicadas na indústria. Essa câmara pretende discutir como levar essas tecnologias que já funcionavam em ambiente industrial para a área da saúde”, destaca o Coordenador do Projeto Indústria 4.0, da ABDI, Bruno Jorge. Dentro das linhas de digitalização e adoção de tecnologias, a IoT está entre as principais ferramentas para transformar o setor de saúde.

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, destaca que a aplicação para a Saúde de inovações já usadas na indústria tem potencial para transformar a vida do brasileiro. “A tecnologia tem de ser usada para melhorar a vida das pessoas. Internet das Coisas, inteligência artificial e conectividade, tudo isso em conjunto vai nos permitir revolucionar a tecnologia aplicada na área de saúde, tanto em grandes cidades como nas localidades mais distantes”, afirma Pontes durante o discurso.

A Câmara da Saúde 4.0 será coordenada pelo Ministério da Saúde. Com o apoio do MCTIC, a pasta vai aproximar membros das universidades, institutos de ciência e tecnologia, iniciativa privada e demais atores relevantes no cenário da inovação e da saúde. Esses grupos terão que identificar e discutir soluções, alinhar ações, e articular e propor iniciativas para a implementação da IoT.

A expectativa é que o uso dessas novas ferramentas melhore a efetividade da assistência à saúde por meio do monitoramento contínuo dos pacientes e da adoção de soluções de IoT, que aumente a celeridade e eficácia na vigilância epidemiológica, e que promova a conectividade visando à integração do Sistema Único de Saúde (SUS).

Saúde integrada

A tecnologia 4.0 trará integração entre unidades de saúde de todo o país. A criação de um banco de dados permitirá que médicos acompanhem os quadros clínicos dos pacientes, e que pesquisadores identifiquem, com mais facilidade, doenças e fragilidades que possam atingir uma determinada população. As ferramentas permitirão, inclusive, maior cobertura de vacinas.

Durante a solenidade de lançamento da câmara, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, destacou que o Brasil pode ser o primeiro país continental a ter todos os dados de saúde integrados, observadas as diretrizes de segurança da informação, privacidade e proteção de dados pessoais. O executivo explicou que no começo o sistema deverá registrar cinco informações básicas de cada paciente: consultas realizadas; internação; medicamentos recebidos; exames realizados e vacinas tomadas.

“Os benefícios são inúmeros, como a Telemedicina, pois em lugares de vazios assistenciais essa é uma ferramenta fundamental. Esses dados podem servir para pesquisa, para análise de situações e entendimentos sobre coberturas vacinais, enfrentamento de doenças. Será uma ferramenta muito importante. Essa será uma câmara extremamente participativa para discussões de soluções”, disse Mandetta. O investimento estimado será de R$ 4 bilhões a R$ 6 bilhões nos próximos cinco anos.

Plano Nacional de Internet das coisas

O Plano Nacional de Internet das Coisas (IoT) prioriza quatro áreas: indústria, agronegócio, saúde e cidades. São objetivos do plano: melhorar a qualidade de vida das pessoas e promover ganhos de eficiência nos serviços; promover a capacitação profissional e a geração de empregos na economia digital; incrementar a produtividade e fomentar a competitividade das empresas brasileiras desenvolvedoras de IoT; buscar parcerias com os setores público e privado para a implementação da IoT; e aumentar a integração do país no cenário internacional, por meio da participação em fóruns de padronização, da cooperação internacional em pesquisa, desenvolvimento e inovação e da internacionalização de soluções de IoT desenvolvidas no país.