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Capacete com reconhecimento facial vence hackathon da ABDI

Soluções servirão de subsídios para inovar a indústria de defesa do país

Gabriel Fialho | 17/02/2019

Um soldado está no meio da multidão em busca de um alvo específico. De repente ele olha para um ponto e consegue identificar com precisão o rosto da pessoa que ele procura. Esta é a possibilidade que está por trás da solução apresentada pela equipe “Thunder”, vencedora da Hackathon de Capacete Inteligente promovido pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) durante a 12ª Campus Party, em São Paulo.

O objetivo do hackathon foi cumprido, como avaliou Cássio Rabelo, analista da coordenação de Desenvolvimento Tecnológico da ABDI, pois a Agência conseguiu obter subsídios para a inovação na indústria da defesa. “Estamos em processo de aquisição de um lote piloto de uniforme inteligente. E para a licitação necessitamos ter as especificações do uniforme: tipo de tecido, capacete, funcionalidades incorporadas... Então, um subsídio como esse do hackathon é importante para compor este mosaico que está em produção”.

Um capacete usado em canteiros de obra, um Raspberry Pi3 – dispositivo usado como IoT -, uma câmera, uma bateria e um aparelho periférico de aviso formam o protótipo que ficou com 78 pontos e o primeiro lugar. “São coisas ao alcance de todos, com a tecnologia que temos em mãos é possível montar uma solução como esta”, destacou Vinicius Figueiredo, integrante da “Thunder” e que estuda reconhecimento facial e Inteligência Artificial (IA) no mestrado em computação.

Em 24 horas, o time treinou o sistema de IA para reconhecimento facial. “Juntamos a expertise que temos e um pouco de hardware para poder embarcar a tecnologia no capacete e fazer funcionar. Colocamos nosso conhecimento acadêmico na prática e isso nos empolgou”, completa Figueiredo.

Na apresentação aos três jurados do hackathon, a equipe mostou o sistema em funcionamento. Cada pessoa que entrava no raio de visão da câmera acoplada ao capacete era identificada pelo software, ganhando uma numeração específica e um marcador ao redor do rosto. Além disso, aparecia a quantidade de pessoas presentes no quadro.

“Foi a melhor solução porque eles conseguiram aplicar IA e tornar isso uma ferramenta para o combatente”, justifica Victor Fragoso, engenheiro especialista em IoT. “Isso aqui é viável neste tempo que eu tenho? No que eu devo focar, no designer ou no software do negócio? O Thunder focou no que importava”, completa Fragoso, um dos jurados.

“Eu gostei porque eles pegaram o capacete pronto e colocaram a tecnologia deles. É muito mais fácil de modelar. Algumas pessoas fizeram muita coisa em impressão 3D e produzir somente desta maneira não é viável. Você projetar um capacete é algo complexo”, analisou o engenheiro mecatrônico Diogo Lacerda, outro integrante da banca examinadora do hackathon da ABDI.

O grande desafio na manufatura e criação de um produto, segundo Lacerda, é perceber que não se pode adicionar uma quantidade grande de elementos a ponto de tornar o projeto inviável. “O Thunder viu e atacou o problema. A equipe utilizou o mínimo de sensores e tornou aquilo funcional e executável. A maioria colocou muitos sensores e os projetos ficaram inviáveis tecnicamente”.

Premiação

Além de Vinicius Figueiredo, integrou a equipe vencedora Vinicius Silva, engenheiro da computação e desenvolvedor, Rômulo Almeida, técnico em automação industrial e eletricista autônomo, e Renê Jerez, analista comercial. Eles subiram ao palco principal da Campus Party, junto às equipes Soldier 4.0, que ficou em segundo lugar no hackathon com 69 pontos, e Metadata, terceira colocada com 63 pontos, para receber as premiações no encerramento da edição do evento.

Para a classificação, foram avaliadas a criatividade, a viabilidade técnica e a execução dos projetos. Cada integrante destas equipes recebeu Kits Nerd ao Cubo e ingresso para a próxima Campus Party. Além disso, o primeiro lugar ganhou quatro vouchers de Cursos Impacta On line de R$ 900,00 cada e o segundo colocado outros quatro vouchers de R$ 350,00 cada.

O projeto do time Soldier 4.0 consistiu em conectar eletrodos, que medem a frequência cardíaca de quem estiver usando o capacete, para envio de informações para a nuvem de dados. “A nossa solução faz monitoramento cardíaco. Ela acompanha as micro fibrilações, que são as pulsações nervosas que temos na pele. É possível pegar o dado e saber se o músculo está tencionando, esta é a nossa entrada na rede. Assim sabemos se a pessoa está passando por uma situação de estresse, ou se está mais relaxada, ou até morta”, detalha Juan Manoel, engenheiro de machine learning.

O protótipo da Metadata focou no próprio desenho e fabricação do capacete, feito em impressão 3D e que pode embarcar diversas tecnologias. O jornalista Thiago Toledo, que integrou a equipe na sua décima participação em hackathons, apontou um diferencial na proposta da ABDI: “ este foi totalmente diferente, porque ele é ‘maker’, tem que entregar um protótipo. E achei o tema 'capacete inteligente' muito interessante, nunca tinha visto”.

Para ele, o modelo de hackathon seria importante nas escolas. “Hackathon é meu estilo de vida. Esta cultura maker deveria entrar nas escolas. Você não apenas pensa, você faz, lida com equipes e vive seu projeto”, finalizou Toledo.

Os seis times que apresentaram protótipos na fase final do hackathon terão suas sugestões compartilhadas com um Grupo de Trabalho a ser criado em breve na ABDI, como destacou Cássio Rabelo, que também integrou a comissão avaliadora. “Vamos levar essas apresentações feitas aqui para este Grupo de Trabalho, que será formado em parceria com as forças operacionais, o Ministério da Defesa, o Ministério de Ciência, Tecnologia e Comunicações, o Senai, o setor da indústria têxtil, para vermos o que é viável incorporar nos lotes piloto de uniformes inteligentes”.