ENCONTRE AQUI

Duas empresas brasileiras estão entre finalistas globais do Accelerate 2030

Iniciativa do PNUD conta com apoio da ABDI para promover soluções dentro dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável

Gabriel Fialho | 25/10/2019

O Brasil tem duas empresas selecionadas entre as dez finalistas da terceira edição do programa Accelerate 2030, a SoluBio, especializada em tecnologias agrícolas, e o Portal Telemedicina, para assistência à saúde. A estratégia do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Impact HUB conta com apoio da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e tem como objetivo identificar soluções inteligentes, inovadoras e sustentáveis, colocadas em prática, que contribuam para o alcance de um ou mais dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

A etapa nacional de seleção dos projetos foi concluída nesta quinta-feira (24), em Brasília, com a demonstração das iniciativas, premiação para cinco empresas, um pitch de negócios e painéis. O coordenador de Indústria 4.0 e Inovação da ABDI, Bruno Jorge, citou a importância do Programa Conexão Startup Indústria para potencializar ações inovadoras no setor produtivo. “As indústrias lançam os desafios de processos, produtos e até de modelos de negócios e as startups apresentam suas competências e juntos eles desenvolvem soluções. Na primeira edição foram dez indústrias e 17 startups e, agora, serão 30 e 60, respectivamente”, exemplificou.

O maior desafio, no entanto, é dar escala aos novos negócios. Bruno Jorge citou locais como o Vale do Silício, nos Estados Unidos, que possui instrumentos informais, como uma cultura de inovação, para que os empreendimentos cresçam. “É um aprendizado. Pelo lado da indústria é uma mudança de processos. Imagina uma indústria que tem um sistema de pagamento que demora seis meses e uma startup esperar esse tempo para receber? A startup consegue fazer um piloto, e a gente tem um exemplo, que a indústria gostou do piloto e pediu 800. E os meios de pagamentos? Os outros instrumentos? Quando a gente olha para ecossistemas consolidados, como o Vale do Silício, a gente sabe que há instrumentos formais e informais para fortalecer este ecossistema e isso faz falta no Brasil”.

Os negócios de impacto são chave para avançar na agenda 2030, conforme destacou Cristiano Prado, representante do PNUD. “Está claro que em todo o mundo os governos não têm recursos financeiros e meios de implementação suficientes para fazer o que precisa ser feito”, disse Prado, para citar que o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 17 trata de parcerias e meios de implementação dos ODS. “O setor privado tem que estar junto e ele tem a lógica do negócio, então buscamos os negócios que tragam impacto na sociedade”, completou.

Etapa Internacional

O Accelerate 2030 é composto por duas etapas, uma nacional e outra internacional. A primeira é a fase de preparação dos negócios para escala global. Os encontros locais têm como objetivo capacitar os empreendedores, aprimorar práticas de mensuração de impacto, elaborar plano de escala global, oferecer suporte e fazer contato com especialistas, investidores, mentores e parceiros ao redor do mundo, de acordo com as necessidades de cada negócio.

Em outubro, os empreendedores à frente dos projetos escolhidos viajarão para Genebra, na Suíça. Os finalistas passarão por diversas rodadas de negócio e serão destaque em eventos globais voltados aos ODSs. Após esta imersão, receberão suporte, por mais nove meses, de organizações internacionais como o próprio PNUD e o International Trade Centre (ITC) para abertura de portas em seus mercados chave.

A última edição do Accelerate 2030 aconteceu em 2017, quando mais de 500 projetos se inscreveram e 50 se tornaram finalistas. Ao todo, 15 iniciativas foram selecionadas e receberam apoio para se tornarem iniciativas de impacto global. Dentre esses empreendedores estava o brasileiro Ezequiel Vedana, do Piipee. Ele desenvolveu e patenteou uma solução líquida que, ao ser borrifada em um vaso sanitário com urina, reage com o rejeito, dispensando a utilização da descarga e, consequentemente, economizando água. O Accelerate 2030 tem, em escala mundial, o apoio da Pfizer e do ITC. No Brasil, tem o apoio da ABDI e da Fundação Boticário.