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Empresas brasileiras despontam em projetos para Internet das Coisas

Com cada vez mais dispositivos conectados no mundo, Brasil busca abrir mercado para soluções inovadoras que serão base das Cidades Inteligentes

Gabriel Fialho | 17/08/2018

A internet não está ao alcance apenas das pessoas. Os objetos estão cada vez mais ligados em rede e com inteligência própria para realizar tarefas. Atualmente, a estimativa é que 8,4 bilhões de dispositivos estejam conectados e em uso. A automação residencial é a parte mais visível da tecnologia denominada Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês), que também é a base para as Cidades Inteligentes e deverá invadir outros setores da economia.

Mais da metade dos novos negócios irá incorporar algum elemento de Internet das Coisas até 2020, segundo a consultoria norte-americana Gartner. Aplicações desenvolvidas para a indústria e, em especial para o varejo, impulsionarão o uso de IoT. Hoje em dia, o segmento de consumo responde por 63% (5,2 bilhões de unidades) de dispositivos conectados.

“Várias localidades estão colocando em uso estas tecnologias e vencendo alguns preceitos internacionais. Temos Dubai, Londres, Cingapura, Tóquio, Barcelona com algumas ações já em funcionamento. Estamos atrás, mas temos condições de acompanhar o mercado porque temos empresas desenvolvendo tecnologia no parâmetro internacional. Podemos ser disruptivos criando e exportando tecnologias”, analisa Carlos Frees, líder do projeto de Cidades Inteligentes na Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

Controle pelo celular

Um exemplo brasileiro de sucesso é o projeto da IoT Company. A empresa desenvolveu uma solução que denominou de WiseHome. Trata-se de uma placa que é instalada nas tomadas das casas e automatiza a iluminação e os aparelhos com controle remoto, inclusive portões, que passam a ser comandados por um aplicativo de celular. 

A ideia para o projeto surgiu há um ano, quando os empreendedores Emerson BZ, Erick MacDonald Filzek e José Carlos Costa participaram do desafio brasileiro de IoT. Na própria competição, vencida por eles em 2017, receberam mentorias para consolidar a solução e abrir a empresa.

Com a placa instalada em casa, o consumidor pode estabelecer metas de gastos, que o sistema automaticamente gerencia os aparelhos. “A pessoa estabelece que a residência consuma um valor em reais por mês. O sistema faz a gestão de tudo que está conectado às placas Wisehome e vai dando sugestões. Por exemplo, para que se atinja a meta sugere aumentar dois graus no ar condicionado, ou desligá-lo por um período. O aplicativo vai dando instruções de como atingir a meta”, detalha Emerson BZ, sócio da startup.

A partir do conceito de automação residencial, os três sócios desenvolveram outro projeto: as placas instaladas nas tomadas medem o consumo de energia. Com estas informações, as distribuidoras elétricas podem dimensionar melhor suas compras e o fornecimento na rede. “Nós criamos este conceito que é uma análise do consumo de energia em tempo real. Com esses dados, a gente consegue captar uma informação extremamente estratégica para ajudar as companhias de energia a melhorarem a previsibilidade de demanda”, afirma Emerson BZ.

Com esta proposta, a IoT Company venceu a competição internacional de Internet das Coisas, realizada na Espanha em junho deste ano. “Parecia que a gente estava ganhando o Oscar, foi indescritível”, lembra Emerson, que se mostra orgulhoso pelo feito de vencer startups que já tinham recebido investimentos da comunidade europeia para desenvolver suas ideias. “Quando a gente fala em startup, em uma solução disruptiva, ela geralmente tem que oferecer um custo dez vezes menor para chamar a atenção das pessoas, para ser disruptiva. O fantástico é fazer algo incrível e barato”, comentou.

Cidades Inteligentes

Um estudo do McKinsey Global Institute estima que o impacto de IoT na economia global será de 4% a 11% do PIB do planeta em 2025 (entre 3,9 e 11,1 trilhões de dólares). Até 40% desse potencial deve ser capturado por economias emergentes. No caso do Brasil, a estimativa é de 50 a 200 bilhões de dólares de impacto econômico anual em 2025.

Uma ação que vai ajudar a concretizar esta estimativa será o ambiente de demonstrações para soluções de cidades inteligentes que está sendo montado pela ABDI em parceria com o Inmetro, no campus de Xerém (RJ).

Carlos Frees ressalta que o projeto será importante para que o país possa explorar melhor seu potencial de inovação. “A IoT é importante para as Cidades Inteligentes. Todos os sensores que vão trazer informações vão estar conectados de alguma forma. Sensores, sistemas, Big Data, computação nas nuvens, tudo isso compõe o arcabouço do conceito de Internet das Coisas. Nada mais são que tecnologias atuais e dispositivos, alguns deles com inteligência, autônomos e pelos quais temos uma responsabilidade técnica para fazer as coisas acontecerem”.

A Cidade Inteligente irá absorver soluções tecnológicas inovadoras para otimizar o atendimento às demandas públicas, como na área de segurança, por exemplo, com a instalação de Centros de Comando e Controle. “No nosso projeto são 162 soluções, empresas voltadas para Cidades Inteligentes. E a grande maioria delas é de IoT. Qual é o grande problema destas soluções? Primeiro temos que validar se ela funciona de fato. Se ela não coloca em risco a vida do cidadão, caso não funcione. Se o sensor de desastres falhar, ele mata o cidadão que está lá no morro e que teria que receber um aviso sonoro sobre o problema”, exemplifica Carlos Frees.

Uma das soluções que estará no ambiente de demonstração é a da IoT Company, que participou de workshop oferecido pela ABDI e pelo Inmetro no Rio de Janeiro, e pretende testar a inovação da startup em um edifício inteiro. “É um projeto de uma importância gigantesca para nós, porque vai ser uma vitrine para todos os prefeitos que forem visitar o local, para que eles vejam os benefícios para os municípios. Vai ser uma exposição muito relevante para a gente constituir uma nova empresa brasileira, que coloque o país no mapa da IoT”, destaca Emerson BZ.

Após um longo processo de discussão, o Plano Nacional de IoT foi finalizado em 2018. O documento elaborado por diversos atores, dentre eles a ABDI, será a referência para a definição de parâmetros técnicos no ambiente de demonstração para Cidades Inteligentes no campus do Inmetro.