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Equipe brasileira encerra participação em mundial de robótica com prêmio

Estudantes de São José dos Campos participaram da First Robotics Competition nos EUA

Gabriel Fialho | 18/03/2019

O Brazilian Storm encerrou sua participação na First Robotics Competition (FRC), campeonato mundial de robótica para jovens de 14 a 18 anos, realizado nos Estados Unidos, com o prêmio "Gracious Professionalism Award 2019", que valoriza o profissionalismo do time. Formada por estudantes do ensino médio da rede pública e por mentores da escola estadual Alceu Maynard Araújo de São José dos Campos (SP), a equipe participou das etapas do Arkansas e do Alabama neste ano.

O campeonato põe à prova robôs montados por jovens de todas as partes do mundo que formam mais de 4,8 mil agremiações. Esta é a terceira participação seguida do Brazilian Storm na FRC, que em 2019 é patrocinado pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). Na página do time nas redes sociais, o professor Leonardo Rosa elogiou a dedicação dos estudantes.

"Não conseguimos expressar com palavras toda a alegria, emoção e orgulho que estamos sentindo neste momento! Ganhar um prêmio com tamanho significado e que valorizamos tanto, realmente não tem preço! Gratidão define o Brazilian Storm hoje! Gratidão por Rocket City que nos recebe sempre com o coração aberto, gratidão por nossos patrocinadores que acreditam no poder da transformação através da educação, gratidão pela escola estadual Alceu Maynard Araújo e em especial a todos os mentores do Brazilian Storm que de maneira voluntária se dedicam tanto para fazer a diferença na vida de jovens adolescentes do nosso Brasil", disse Leonardo Rosa.

Os bons resultados do Brazilian Storm nas edições de 2017 e 2018 incentivaram a formação de outras equipes em cidade vizinhas no interior de São Paulo. Um dos exemplos é a Taubatexas, criada com a ajuda dos mentores de São José dos Campos.

O estudante do segundo ano do ensino médio, Willian Danko, destaca a intenção da equipe joseense em disseminar o conhecimento em robótica. “Antes de entrar para o Brazilian Storm, eu não tinha foco, era ocioso. E hoje, vejo como a robótica me prepara para o futuro. O nosso objetivo é que a robótica cresça no país”, projeta.

O time de Taubaté (SP), inclusive, ganhou na etapa do Arkansas o prêmio de melhor equipe novata da competição, repetindo o feito dos precursores em 2017. Com o resultado, o Taubatexas se classificou para a etapa mundial, em abril, no estado do Texas, que inspira o nome da agremiação.

Intercâmbio

A competição também é importante para a troca de conhecimentos e o intercâmbio cultural entre os alunos. O Brazilian Storm foi convidado a conhecer a escola Mae Jemison de Huntsville, cidade sede da etapa do Alabama. A instituição auxiliou no transporte do robô brasileiro de Little Rock, no Arkansas, até o local da segunda fase da competição.

Na visita, os alunos brasileiros puderam conhecer a estrutura do laboratório da escola que leva o nome da primeira astronauta negra dos EUA a viajar para o espaço. “O colégio está localizado em uma área mais pobre de Huntsville e alguns jovens estão envolvidos em gangues e sofrem com a violência, mas a estrutura aqui é incrível. Há um laboratório de manufatura avançada com impressoras 3D para compostos de ligas metálicas e uma autoclave (forno) para o processo de confecção de peças em fibra de carbono, além de centrais de usinagem e um laboratório de cibersegurança”, elogiou Valdênio de Araújo, analista da Coordenação de Indústria 4.0 da ABDI, que acompanhou a etapa da FRC.

História

Há três anos, o engenheiro mecânico Leonardo Rosa e o amigo Arthur de Oliveira, mecânico montador de sistemas da Embraer, decidiram montar o projeto na escola estadual Alceu Maynard Araújo, em São José dos Campos (SP). De forma voluntária, eles passaram a ensinar robótica aos estudantes de diversas unidades escolares da cidade. Durante as férias e nos fins de semana, a sala de aula é na oficina montada no colégio público.

A equipe batizada de Brazilian Storm participou pelo terceiro ano consecutivo de competições nos EUA. Na primeira participação, em 2017, chegou à final da etapa regional do Sul da Flórida, em West Palm Beach, e foi premiada como melhor equipe novata, o que deu vaga para a etapa mundial em Houston, no Texas. No ano seguinte, mais um prêmio, o Woodie Flowers Award, pelo trabalho de mentoria do time.

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