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Iniciativa irá monitorar sequelas da Covid-19 em comunidades de baixa renda

Projeto da startup Salvus, apoiado pela ABDI, vai avaliar em tempo real condições de saúde no Recife, Jaboatão dos Guararapes e Camaragibe

Paula Fettermann | 16/10/2020

Habitantes de comunidades em vulnerabilidade social do Recife, de Jaboatão dos Guararapes e Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife (RMR), terão possíveis sequelas da Covid-19 monitoradas em tempo real por meio de uma iniciativa da startup Salvus, a partir desta segunda-feira (19). O projeto é apoiado pelo edital Startups & Comunidades da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), que buscava por soluções inovadoras no enfrentamento da pandemia voltadas para comunidades vulneráveis.

Para realizar o projeto-piloto intitulado "Todos a Salvus", a empresa desenvolveu um device capaz de acompanhar a frequência cardíaca, respiratória, temperatura e saturação sanguínea das pessoas que foram infectadas pelo novo coronavírus, monitorando possíveis sequelas de forma remota e em tempo real. O equipamento será utilizado pelos participantes do projeto por cerca de 60 dias e visa reabilitá-los de forma completa. No total, a ação tem a estimativa de alcançar, no mínimo, um grupo de 1.200 pessoas.

A Analista de Produtividade e Inovação da ABDI, Lana Dioum, afirmou que a pesquisa e análise de dados se fazem muito importantes nesse momento para a contribuir com a formulação de novas políticas ou mesmo o desenvolvimento de novas tecnologias. “Por meio do Edital “Startups & Comunidades”, a ABDI apoia o projeto da Salvus, porque pelo uso da tecnologia de IOT e um  wearable será possível monitorar e mapear o impacto da COVID-19 em áreas mais carentes do nordeste brasileiro, e quem sabe auxiliar a encontrar soluções para situações mais urgentes”, completou.

Segundo a pesquisadora da Salvus, Rafaela Covello, dado o histórico de doenças causado por mutações anteriores do vírus da Covid-19, bem como os resultados divulgados por pesquisas científicas, existe grande probabilidade dos recuperados apresentarem o comprometimento da capacidade respiratória e outros problemas ainda desconhecidos pela medicina. Com isso, algumas dessas pessoas podem se tornar pacientes crônicos, o que exigirá uma integralidade do cuidado em saúde. “A ideia é que a ferramenta garanta o acompanhamento e medições remotas e em tempo real, para antecipar-se a eventuais problemas, evitando intercorrências e possíveis remoções aos hospitais”, explica.

O objetivo principal do “Todos a Salvus” é ajudar as pessoas que contraíram o coronavírus e sentem incômodo para realizar algumas atividades comuns do dia a dia, como a limpeza da casa e até mesmo o momento de brincar com os filhos, devido às sequelas respiratórias causadas pela Covid-19. “Esperamos que o processo de reabilitação dos participantes seja realizado com sucesso, proporcionando o restabelecimento completo e à volta da vida normal. Com o êxito da operação, pretendemos desenvolver um protocolo que possa ser aplicado e disseminado em todo o País”, afirmou Maristone Gomes, CEO da Salvus. O projeto contará com o apoio da Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS) e as prefeituras das cidades envolvidas.