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Laboratório da ABDI leva inovação a mil empresas do varejo

ProVA impacta mais de cinco mil empresários e vai expandir experiências inovadoras para diversos estados

Gabriel Fialho | 19/10/2019

Iniciativa inédita do governo federal para inovação no varejo, o ProVA apresentou os resultados de dois anos de atividades, em evento na sede do projeto, em São Paulo. Após 102 ações, atendendo mil empresas e impactando cinco mil varejistas, o Laboratório criado pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) encerra sua sede no shopping Frei Caneca para se espalhar por diversos estados, por meio de entidades parceiras.

“Hoje, 70% do nosso PIB está no setor de serviços, dentro disso, comércio e varejo. Nós precisamos de um espaço para impactar essa parcela importante da economia. O que aconteceu aqui foi um pouco do que podemos fazer nesse sentido”, destacou o presidente da ABDI, Igor Calvet, durante o evento nesta sexta-feira (18). “Agora, todos nós temos o desafio de fazer um projeto de inovação no varejo que amplie o que nós aprendemos aqui. Um processo de conhecimento robusto, que precisa ser escalonado, inclusive para os consumidores que demandam cada vez mais novas experiências”, completou.

Acompanhando o secretário de Desenvolvimento da Indústria, Comércio, Serviços e Inovação do Ministério da Economia, Gustavo Ene, o subsecretário de Comércio e Serviços da pasta, Fábio Pina, aceitou o desafio de ampliar a inovação no varejo. “As pequenas empresas são as que têm menos acesso às inovações em tecnologia, que se tornam mais disruptivas e, portanto, mais rápidas. E 98% das empresas de comércio e serviços são pequenas empresas, que também empregam muita gente. São elas que mais necessitam de iniciativas como essa”, disse Pina.

A multiplicação de experiências teve início já no primeiro ciclo do projeto, com a Fecomércio de Minas Gerais, e ganhou impulso na terceira e última etapa. Juliana Peixoto, analista de Negócios Internacionais da entidade mineira, disse que a metodologia desenvolvida no ProVA permitiu traçar as características dos varejistas, além de possibilitar a proposição de soluções práticas.

“Primeiro identificamos o perfil dos empresários e o grau de maturidade deles com o tema inovação. Fizemos uma pesquisa com 400 varejistas de todo o estado. A partir disso, recebemos uma capacitação em design thinking, dada pela equipe do ProVA, e em seguida rodamos grupos focais com as empresas, discutindo inovação, mapeando desafios do varejo e realizando atividades para trabalhar o tema. O ProVA trouxe a metodologia e a prática, o que gerou bons frutos para a Federação, tanto com os empresários, como internamente, pois realizamos ações nos nossos departamentos e com os nossos colaboradores”, detalhou Juliana.

No terceiro ciclo, foram criados cinco novos polos de inovação nas seguintes entidades: Câmaras de Dirigentes Lojistas (CDL) de Erechim e Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul; Senac de São Paulo; Câmara Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e Secretaria de Proteção ao Consumidor (SPC) e; Federação do Comércio de Pernambuco. Elas realizarão, cada uma, dez horas de atividades de inovação e atenderão, no mínimo, 200 pessoas durante o próximo ano.

“Os dois primeiros ciclos foram focados na aprendizagem, conhecimento e experimentação. Fizemos atividades de capacitação, demonstração de tecnologias, visitas guiadas, networking, pitch com startups, dentre outras. O último ciclo, foi focado em levar o conhecimento e a experiência que nós tivemos para outras regiões. Foi uma forma que pensamos para aumentar a capacidade e o raio de atuação do Laboratório”, explicou Eduardo Tosta, líder do projeto na ABDI.

Internacionalização

O ProVA acelerou 16 startups, que realizaram 50 novos negócios. Uma delas é a paulista Shopper UM, que abriu um escritório em Connecticut (EUA) e tem planos de expansão no país. O grupo, com sede em Alphaville Industrial (SP), trabalha em estilo Business to Business (B2B), expressão usada para designar empresas que trabalham para outras empresas.

A Shopper UM oferece soluções inovadoras para o crescimento das vendas no varejo, com o uso das tecnologias de inteligência artificial, realidade virtual e aumentada, unidas à ciência do comportamento de compra do shopper (cliente). “Toda compra é emocional. Quando você encanta o shopper, ele tende a gastar mais no varejo”, afirma Cibelle Ferreira, fundadora da marca.

Antes de entrar no ProVA, a empresa funcionava na casa de um dos sócios. “A gente falava que era uma startup de garagem”, recorda Cibelle. Em três meses de experiências e networking no Laboratório, os empresários tiveram outra dimensão do negócio que poderiam ter. “A gente não tinha o entendimento real de onde poderíamos chegar”, prossegue.

A empresa aprimorou uma tecnologia importada, que permite que os clientes, por exemplo, vejam os catálogos em realidade virtual e aumentada de forma instantânea. Em um evento do ProVA, a Shopper UM expôs a solução, que despertou o interesse de um grupo de internacionalização de startups. Após passar no processo seletivo Hub 55, Cibelle e os sócios abriram a filial nos EUA.

Experimentação

O espaço do Laboratório também abrigou duas lojas conceito, promovendo a integração entre ambiente online e físico, a chamada estrutura omnichannel. A Purple, especializada em vinhos, pôde testar, com totens interativos, novas formas de venda. “A gente começou a perceber que o brasileiro tem a sensação que precisa entender alguma coisa para começar a tomar vinho. Há uma barreira grande de início”, analisou Márcio Cerqueira, CEO da empresa.

Os sócios da Purple estavam realizando a remodelagem do negócio, quando tiveram a oportunidade de montar a loja no ProVA. “Estávamos saindo do processo de distribuição e indo para um projeto de market place, onde teríamos parceiros e que conhecer quem comprava esse vinho: os lojistas e restaurantes”, explica Cerqueira.

No espaço, os empresários puderam interagir e ouvir os clientes e analisar como se comportavam. O público era o mesmo que passava pelo shopping Frei Caneca. A loja conceito funcionava como uma experiência para quem está começando a tomar vinho. O comprador assistia a um vídeo curto, em um tablet, que explicava quatro características da bebida: tanino, acidez, corpo e álcool. Em um minuto, a pessoa sabia o que estas características significavam e tomava uma decisão. A própria gôndola direcionava quais os vinhos tinham a ver com a preferência do cliente, apagando as luzes daqueles que não se encaixavam no gosto dele.

“Tivemos muita ajuda na estrutura da loja, merchandising (a apresentação dos produtos) e na hora de analisar a experiência completa do consumidor, desde a entrada, o que faz a loja ser convidativa e o que deixa ele à vontade”, detalhou Cerqueira.

Para Eduardo Tosta, o ProVA criou uma metodologia de formulação de políticas públicas para o varejo. “Impactamos mais de 10 mil empregos diretos por meio das ações do Laboratório. O projeto teve aproximadamente 35% do total investido pela ABDI em contrapartidas do setor e fez a Agência ser reconhecida entre os varejistas. Isso demonstra o forte apoio à iniciativa”, concluiu.