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Tecnologias e inovação devem aprimorar o futuro do trabalho

ABDI trouxe a discussão para a pauta de evento para o ecossistema de inovação em Caxias do Sul (RS)

Rodrigo Vasconcelos | 22/05/2019

Como será o futuro do trabalho? A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) levou esta questão, ao mesmo tempo que promoveu o encontro de startups, investidores, aceleradoras e grandes empresas em Caxias do Sul (RS), com o Mind7 Startup. O evento, realizado em parceria com o Acelera Serra, reuniu todos esses players com o objetivo de “mergulhar” no ecossistema de inovação, além de criar novas oportunidades de negócios.

Entre as principais palestras, o coordenador de Economia Digital da ABDI, Rodrigo Rodrigues, apresentou o cenário atual da digitalização em diversas profissões e projetou como as relações de trabalho devem se transformar com as novas demandas e tecnologias. “A ideia era compartilhar com o movimento do ecossistema daqui de Caxias do Sul como que a digitalização da economia pode impactar a região”, comentou.

O tema também permeou o discurso de outros palestrantes, como o do desenvolvedor da área jurídica da IBM Brasil, Victor Shinya, que apresentou a influência da Inteligência Artificial (IA) no setor. Para ele, a IA não representa apenas o futuro do trabalho, mas o presente. Por isso, a tendência, na visão dele, deve ser a educação dos profissionais e a adaptação das instituições de ensino, com intuito de levar o domínio dessa tecnologia para mais pessoas.

“Hoje um advogado não é um cara que só conhece a legislação, por exemplo. Ele tem que enxergar a Lei e também conectar, no presente, formas de treinar máquinas com esse tipo de conhecimento. Não para roubar empregos, mas para ser uma oportunidade de surgimento de um novo emprego“, analisou Shinya.

O próprio desenvolvedor da IBM faz parte dessa realidade que defende. Ele ensina sobre IA em alguns cursos de MBA, e percebe que os novos profissionais já enxergam possibilidades, ou descartam áreas nas quais não tem interesse de usar a tecnologia. “Tudo começa na base. Tudo começa na faculdade, onde você aprende esse tipo de conteúdo”, completou.

Um estudo realizado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) mostra que o avanço da indústria 4.0 deve criar 30 novas profissões em oito áreas, nos próximos anos. Entre os segmentos beneficiados com novas profissões estão o automotivo, alimentos, máquinas e ferramentas, comunicação e construção civil.

Profissionais de aplicativos

A realidade das relações de emprego já se transformou intensamente com a popularização de aplicativos como Uber, iFood e Rappi. Startups como essas, mudaram a forma de oferecer serviços de transporte e entrega, gerando oportunidades de trabalho em um formato diferente do convencional.

Uma das pioneiras dessa transformação foi a 99 Táxis, que com o tempo se adaptou ao mercado para rivalizar com o Uber. Um dos criadores da startup é Renato Freitas que também palestrou no Mind7. Ao falar do primeiro “unicórnio” brasileiro (termo usado quando uma startup alcança o valor de um bilhão de dólares) e da Yellow, outra empresa que o engenheiro ajudou a fundar, ele também comentou sobre o futuro do trabalho.

“Quando introduziram máquinas elétricas, as profissões mudaram. Quando introduziram telefone, internet, as coisas mudaram. Internet em tudo quanto é lugar, smartphone e tecnologia embarcada em praticamente tudo, muda bastante mesmo. Muda para advogados, para o próprio governo, para a arte. Não acho que é uma coisa nova, mas acho que a tecnologia sempre mudou o trabalho e mudou para melhor”, afirmou Freitas.

O engenheiro também citou exemplos baseados na própria experiência com as startups que criou para embasar a visão de que a tecnologia fez as relações do trabalho evoluírem. “As coisas ficaram mais eficientes e os trabalhos mais acessíveis. No caso do motorista, que é legal, as pessoas conseguem encaixar o trabalho num horário mais flexível que ele tenha. A tecnologia veio só para melhorar essa questão, e estou muito ansioso para ver o que vai acontecer no futuro”.

Evento

O Mind7 Startup atraiu um público de 2,7 mil pessoas nos dois dias de evento em Caxias do Sul (RS), com a ideia de como gerar negócios entre startups e empresas que buscam inovação na região. “Muito importante esse tipo de iniciativa, porque eles estão promovendo densidade ao ecossistema de inovação, trazendo investidores, startups, empreendedores, grandes empresas, médias empresas. E a ABDI está aqui, sem dúvida, desempenhando seu papel de Agência de fomento a este desenvolvimento em inovação digital”, avaliou Rodrigo Rodrigues.

O número de pessoas envolvidas e a participação do público no Mind7 impressionou até quem está acostumado a eventos nas maiores cidades do país. “Acho que até para padrões de São Paulo, é um evento muito grande e atraiu muita gente. O legal é exatamente isso, trazer gente que tem interesse, que quer aprender mais, que quer sair na frente, com pessoas que estão dispostas a compartilhar o conteúdo", relatou Victor Shinya.