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Uniforme inteligente vai monitorar saúde e bem-estar de militares

Os três primeiros colocados no concurso de uniforme inteligente para o Exército apresentaram os protótipos das vestimentas

Fernando Rotta | 17/12/2018

Foram apresentados, nesta segunda-feira (17), os três protótipos vencedores do concurso promovido pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), que previa o desenvolvimento de um uniforme inteligente para o Exército. O principal objetivo do edital foi agregar tecnologias do setor têxtil com as inovações em wearables. 

O primeiro colocado, Luiz Carlos Lima Filho, apostou na criação de sensores para a vestimenta. “A roupa conta com painéis solares, bateria de longa duração que é carregada pelos painéis e alimenta todo o resto do sistema. Tem um processador de baixo consumo de energia, que é o coração. Ele controla a comunicação com uma central e tem um sensor de gases tóxicos”, explica Filho. A vestimenta ainda conta com monitoramento da saúde do combatente. Todas as informações coletadas pela roupa são visíveis em um pequeno monitor localizado na altura do pulso e também são enviadas para o quartel general.

A bateria, que mantém o funcionamento dos sensores, pode durar entre dois e 20 dias, dependendo da quantidade de equipamentos utilizados. “Existe a placa solar que gera energia, com apenas uma hora de sol, é possível alimentar o sistema por mais dois dias”, lembra Filho. O desenvolvimento do uniforme para o concurso custou aproximadamente R$ 700. Com a produção em escala esse valor seria reduzido. O primeiro colocado no concurso recebeu R$ 50 mil de premiação. 

O segundo colocado apostou no desenvolvimento de inteligência, mas nos tecidos utilizados. A ideia da vestimenta apresentada por Ricardo Ramos, da Nanovetores, foi tornar a roupa mais confortável para o combatente. “Nós pensamos em situações de cansaço, calor, frio... Queríamos criar funcionalidades que pudessem atenuar ou diminuir esses efeitos. Queríamos deixar esse combatente pronto para o combate e não cansado por calo no pé ou algo do tipo”, explica.

A farda é composta por cinco peças básicas: camiseta manga curta, meias, cinto, gandola camuflada e calça camuflada de combate. Nas meias foi revertido o suor. “Quanto mais o militar suar, mais ele vai ter uma sensação de frescor. Selecionamos um blend que tem uma ação anti-inflamatória e analgésica, exatamente para aliviar a dor, a fadiga e o cansaço nos pés”.

Para a camiseta foi pensada uma solução similar. “Por ficar em contato com a pele pensamos em um isolante, que vai dar um conforto térmico melhor, para esse profissional. Além de um hidratante”. Em ambientes quentes, o tecido reduz a sensação térmica, já nos locais frios age de forma contrária. Na calça e na jaqueta, por se tratar de peças expostas, a empresa apostou em uma ação repelente para afastar todo tipo de inseto. O segundo colocado no concurso recebeu R$ 40 mil.    

A empresa que ficou com a terceira colocação apresentou inovações tanto nos tecidos como nas tecnologias. Os panos utilizados para compor a farda têm proteção contra raios UVA e UVB, são antimicrobianos e repelentes a água e óleo. Já na parte de dispositivos tecnológicos foram incluídas etiqueta RFID, relógio smart e uma placa solar. “Nas etiquetas, o Exército pode colocar as informações que quiser. Eu pensei em informações vitais como contato, tipo sanguíneo...”, explica Paula Hoff da empresa Bee.u. A premiação para o terceiro lugar foi de R$30 mil.

Com o término do concurso, a ABDI vai elaborar junto com o Exército um protótipo, como explica a líder do projeto de defesa da Agência Larissa Querino. “Já temos um acordo de cooperação assinado. Agora, vamos juntar estas ideias e consultar as Forças Armadas sobre outras inovações necessárias. Após esse processo, vamos desenvolver um lote piloto do uniforme”.