O Brasil assumiu, no dia 1º de janeiro, a presidência do BRICS, grupo político-diplomático formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Egito, Etiópia, Irã e Indonésia.
Assim que assumiu o bloco, a presidência brasileira do grupo divulgou os cinco temas prioritários para a discussão no bloco. Com o tema ‘Fortalecendo a Cooperação do Sul Global por uma Governança mais Inclusiva e Sustentável’, a presidência brasileira definiu as seguintes prioridades:
- Facilitação do comércio e investimentos: desenvolvimento de meios de pagamento entre os países do grupo;
- Governança da Inteligência Artificial (IA): promoção de uma governança inclusiva e responsável para o desenvolvimento da IA;
- Financiamento climático: aprimoramento das estruturas de financiamento para enfrentar as mudanças climáticas, em diálogo com a COP 30;
- Cooperação Sul-Sul: estímulo a projetos de cooperação entre países do Sul Global, com foco em saúde pública;
- Fortalecimento institucional do BRICS: reforço das estruturas internas para melhorar a eficácia do grupo.
O analista de Produtividade e Inovação da Unidade de Desenvolvimento Industrial da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) Eduardo Rezende produziu um relatório analítico sobre os temas que serão trabalhados ao longo deste ano pela presidência brasileira no bloco.
No estudo, Eduardo destaca que“ao liderar o BRICS em 2025, o Brasil assume um papel central na articulação de agendas globais e regionais, com potencial para influenciar diretamente as estruturas de governança internacional”, projetou.
“A presidência brasileira tem a oportunidade única de consolidar o bloco como um mecanismo efetivo de transformação econômica e social, promovendo soluções coletivas para os desafios contemporâneos. Dessa forma, o Brasil pode reafirmar sua posição como um dos principais protagonistas na construção de um futuro mais equilibrado, sustentável e inclusivo”, concluiu.
Rezende também analisou a importância do papel do Brasil na presidência e fez um comparativo com os demais membros do BRICS em termos de economia e comércio.
“Trata-se de uma agenda ambiciosa que se insere num contexto político e econômico social desafiador com relevantes obstáculos, mas igualmente com oportunidades atraentes em cada um dos temas”, disse.
Comércio
Com relação ao eixo de facilitação do comércio e investimentos, por exemplo, o analista observou que a iniciativa “pode estimular investimentos nos países do grupo, especialmente no Brasil, em infraestrutura e em setores estratégicos, além de fortalecer cadeias regionais de valor, integrando mais profundamente as economias do BRICS, impulsionando exportações de produtos agroindustriais, minerais e manufaturados”, disse.
Inteligência Artificial
No campo da IA, o nível de desenvolvimento, uso e regulamentação da tecnologia entre os membros pode gerar dificuldades de uma abordagem mais inclusiva. É o que explica Rezende.
“Enquanto a China e a Índia focam na inovação, outros países ainda necessitam de infraestrutura tecnológica sólida. O Brasil pode estimular a adoção de padrões éticos responsáveis e inclusivos no desenvolvimento e uso da IA, ao consolidar sua importância nas discussões globais sobre tecnologia, bem como promover ações em IA para transferência de conhecimento e know how”, afirmou.
Meio Ambiente
De acordo com o analista, a presidência do Brasil, líder na pauta ambiental, pode influenciar outros países a aproveitarem as oportunidades e negociar acesso a incentivos e financiamentos de iniciativas de sustentabilidade ambiental no bloco.
“O BRICS, enquanto agrupamento de economias emergentes, oferece um espaço privilegiado para que o Brasil compartilhe sua expertise em áreas como energias renováveis, agricultura sustentável e políticas sociais. Simultaneamente, o país tem a oportunidade de aprender com a experiência dos demais membros, explorando alternativas para o desenvolvimento industrial, inovação tecnológica e inclusão social”, apontou. “Essa interação pode não apenas fortalecer as capacidades domésticas, mas também contribuir para a edificação de uma nova ordem multipolar baseada na cooperação e no respeito às especificidades regionais”, defendeu.
Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República