A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) realizou, nos dias 11 e 12 de março, em Florianópolis (SC), mais uma etapa dos Painéis de Prospectiva Industrial voltados ao fortalecimento do Complexo Industrial de Defesa. O encontro reuniu especialistas, representantes do setor produtivo e instituições parceiras para discutir as demandas futuras de qualificação profissional nos segmentos de Comando, Controle e Comunicações e Cibernética.
A iniciativa é conduzida pela ABDI em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Fundação Instituto de Administração (FIA/USP) e a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC).
O objetivo dos painéis é identificar e priorizar as demandas atuais e futuras de qualificação da mão de obra para a indústria de defesa, considerando a evolução tecnológica e organizacional desses segmentos em um horizonte de 5 a 10 anos. Durante os encontros, especialistas discutiram tecnologias emergentes, tendências de impacto e as competências profissionais que deverão ser cada vez mais demandadas pelas empresas do setor.
A dinâmica de trabalho também incluiu a identificação de novos perfis profissionais, cursos de capacitação e estratégias educacionais capazes de preparar a força de trabalho para os desafios tecnológicos e organizacionais do futuro.
A líder do projeto Complexo Industrial de Defesa e Segurança da ABDI, Karen Leal, destacou a intensidade das discussões realizadas durante a agenda em Florianópolis.
“Realizamos uma agenda intensa de debates sobre as competências necessárias para os profissionais do futuro nos segmentos de comando, controle e comunicações e cibersegurança, além da identificação de tecnologias críticas e estratégicas para o setor de defesa”, afirmou.
O presidente do Conselho de Desenvolvimento da Indústria de Defesa (CONDEFESA/FIESC), Cesar Olsen, ressaltou o potencial do ecossistema catarinense para contribuir com o desenvolvimento da base industrial de defesa.
“Estamos desenvolvendo um trabalho junto com a FIESC, com o apoio da Confederação Nacional da Indústria, que visa chegar às conclusões iniciais do projeto de avaliação da base industrial de defesa brasileira. Vamos aproveitar o ecossistema que já existe em Santa Catarina, muito voltado para pesquisa, desenvolvimento e inovação, para discutir questões ligadas à inovação para a indústria de defesa e ao desenvolvimento de novos produtos e tecnologias para o setor. Tenho certeza de que será uma discussão extremamente relevante”, destacou.
O consultor da Fundação Instituto de Administração (FIA/USP), general Ivan Neiva, também enfatizou a relevância do debate para a formulação de políticas públicas voltadas ao setor.
“Estamos reunindo aqui pessoas muito capacitadas, com muito conhecimento, que podem trazer uma visão estratégica para o desenvolvimento da indústria de defesa. Esse diálogo possibilita, no futuro, a construção de políticas públicas mais adequadas às necessidades do segmento”, afirmou.
Projeto nacional
A agenda em Santa Catarina integra uma série de 12 painéis realizados no âmbito do projeto Complexo Industrial de Defesa. A iniciativa teve início em outubro, em Brasília, quando foram debatidos temas relacionados aos segmentos de armas e equipamentos de controle de tiro, munições, propelentes, explosivos, mísseis e foguetes.
Em janeiro deste ano, a ABDI também promoveu encontros no Rio de Janeiro para discutir as demandas de qualificação da mão de obra nos setores naval e têxtil voltados para a defesa.
Ao final das rodadas de discussão, os resultados serão consolidados em um mapa estratégico que deverá orientar tanto o setor produtivo quanto as instituições de ensino na preparação da força de trabalho do futuro. Como parte da iniciativa, serão publicados 12 cadernos temáticos com análises e recomendações voltadas ao desenvolvimento do Complexo Industrial de Defesa no país.