A indústria brasileira gastou R$ 1,7 bilhão a mais em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) em 2024 do que no ano anterior. O crescimento é um dos dados revelados pela Pesquisa de Inovação (PINTEC) Semestral 2024: Indicadores Básicos, realizada pelo IBGE em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Anunciada nesta quinta-feira, 19/3, a pesquisa também informa que empresas inovadoras utilizaram mais apoio público em 2024 na comparação com 2023.
Segundo os números levantados pelo IBGE, o total de investimentos em P&D realizados pelas empresas industriais inovadoras com 100 ou mais pessoas ocupadas em 2024 foi de R$ 39,9 bilhões, valor 4,4% superior ao do ano anterior (R$ 38,2 bilhões) em termos nominais.
As empresas inovadoras da Indústria de Transformação foram responsáveis por 85,4% desse valor (R$ 34,1 bilhões) e as das Indústrias Extrativas, por 14,6% (R$5,8 bilhões). Em valores absolutos, houve aumento dos desembolsos nos dois segmentos.
Para os próximos anos, também informa a pesquisa, as expectativas de evolução dos gastos em P&D apresentam-se positivas. Considerando-se o ano de 2026, 98,5% das empresas inovadoras declararam a intenção de manter (51,5%) ou aumentar (47%) os montantes investidos.
Quanto à participação das fontes de financiamento dos gastos das empresas inovadoras em P&D, a Pintec indica a prevalência de recursos próprios, que respondem por 86% do total. O setor público e o setor privado financiaram, respectivamente, 8% e 5% desses desembolsos, o que revela um grande espaço para incrementos.
O apoio público utilizado pelas empresas inovadoras, por sua vez, cresceu em 2024 (38,6% das empresas) na comparação com 2023 (36,3% das empresas). O instrumento proporcionalmente mais utilizado em 2024 foi o Incentivo Fiscal à Pesquisa e Desenvolvimento e Inovação Tecnológica (28,9%).
Para acessar a íntegra da pesquisa, clique aqui.
Sobre a PINTEC Semestral
A parceria entre ABDI, IBGE e UFRJ contemplou a estruturação de sete edições semestrais, desde o final de 2021, que intercalaram pesquisas temáticas sobre transformação digital e práticas ambientais com levantamentos que sistematizam os indicadores básicos de inovação, como o divulgado hoje.
A participação da ABDI no projeto deveu-se ao fato de os objetivos das pesquisas estarem plenamente alinhados ao papel da Agência de promover a execução de políticas de desenvolvimento industrial, de inovação, de transformação digital e de difusão de informações e tecnologia.
Além de aportes financeiros que viabilizam as atividades realizadas, a Agência prestou apoio técnico e acompanhou todas as etapas do processo — ações decisivas para a produção de informações que subsidiam a formulação de políticas e estratégias de apoio ao desenvolvimento.
“Os resultados periodicamente anunciados pela PINTEC Semestral preencheram uma lacuna relevante para o ecossistema nacional de inovação, considerando-se que os últimos dados da chamada PINTEC tradicional se referem ao ano de 2017”, explica a analista de Produtividade e Inovação da Unidade de Cooperação e Inteligência Competitiva da ABDI, Simone Uderman.
“Ao longo dos trabalhos realizados, houve consideráveis avanços metodológicos que servirão de referência para esforços semelhantes e que apoiarão o IBGE, em particular, no processo de retomada da pesquisa tradicional”, conclui.
Após sete ciclos semestrais, a pesquisa voltará ao formato trienal, com coleta prevista para começar em maio de 2026. De acordo com o IBGE, a nova edição também investigará temas como inovações ambientais, práticas e estratégias de inovação, uso de tecnologias avançadas e propriedade intelectual. A amostra abrangerá empresas com dez ou mais pessoas ocupadas na indústria e também em alguns serviços, como telecomunicações, informática, edição, arquitetura e engenharia, P&D e eletricidade e gás.
Com informações do IBGE