A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) assinaram, nesta terça-feira (31), um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) para modernizar e tornar mais eficiente o sistema de análise de registros de desenhos industriais no país. Por meio do uso de tecnologia e inteligência artificial, a iniciativa busca enfrentar desafios como o alto volume de pedidos e diminuir a morosidade e o retrabalho nos processos.
A parceria prevê a implementação de soluções inovadoras para otimizar o fluxo de análise de pedidos, que envolvem o registro de aspectos visuais de produtos, como formato, design e aparência. O objetivo é reduzir o tempo de análise, aumentar a qualidade técnica das decisões e dar mais previsibilidade aos requerentes, sem substituir a avaliação dos examinadores.
Atualmente, o INPI registra uma demanda elevada nesse tipo de serviço, com milhares de pedidos em análise e prazo médio de decisão que pode chegar a 12 meses. Com a cooperação, a meta é reduzir esse tempo para menos de seis meses, além de diminuir o estoque de processos pendentes.
Na prática, o projeto atuará em três frentes principais: diagnóstico e mapeamento dos fluxos atuais, desenvolvimento de soluções com inteligência artificial para apoiar os examinadores e criação de um sistema mais inteligente para os usuários. Entre as funcionalidades previstas estão a análise automática de imagens, busca por similaridade visual, identificação de inconsistências formais e apoio à classificação dos pedidos. Para quem solicita, haverá ferramentas de validação prévia e orientação no preenchimento, reduzindo erros antes mesmo da submissão.
Para o presidente da ABDI, Ricardo Cappelli, a iniciativa reforça o papel da inovação na melhoria de serviços públicos estratégicos. “Este acordo com o INPI representa um avanço importante na transformação digital dos serviços públicos. Estamos utilizando inteligência artificial para tornar processos mais rápidos, eficientes e alinhados às necessidades do setor produtivo”, afirma. O acordo também foi assinado pelo presidente do INPI, Júlio César Moreira.
Parte integrante do programa Destrava Brasil, o projeto terá investimento inicial de R$ 1,7 milhão em sua primeira fase, com duração de até 12 meses, e execução total prevista em 36 meses. A implementação será feita por etapas, incluindo diagnóstico, desenvolvimento de protótipos e implantação da solução completa.
Destrava Brasil
O Destrava Brasil tem como objetivo reduzir o chamado Custo Brasil por meio da modernização de processos em órgãos reguladores e da ampliação do acesso a serviços públicos mais digitais e eficientes. O projeto atua especialmente em frentes relacionadas ao ambiente jurídico-regulatório e à transformação digital do Estado, com foco na melhoria da efetividade dos serviços públicos.
Entre os principais resultados esperados estão o aumento da eficiência dos processos internos e a redução do tempo de resposta às demandas do setor produtivo, contribuindo para um ambiente mais ágil e previsível para empresas e investidores.