Programa da ABDI eleva em 80% a renda de cafeicultores no Vale do Juruá (AC)

Programa da ABDI eleva em 80% a renda de cafeicultores no Vale do Juruá (AC)

Iniciativa impulsiona produção, reduz vulnerabilidade social e beneficia mais de 4 mil pessoas com inclusão produtiva na região amazônica
Iniciativa impulsiona produção, reduz vulnerabilidade social e beneficia mais de 4 mil pessoas com inclusão produtiva na região amazônica

O projeto Café Amazônia Sustentável, uma iniciativa da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) no âmbito do Programa Coopera+, está redesenhando o cenário socioeconômico do Vale do Juruá. Dados atualizados da avaliação de impacto elaborada pelo Observatório da Indústria do Ceará, da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), em parceria com o SENAI Ceará, revelam que a iniciativa multiplicou a produtividade local e gerou independência financeira e inclusão social para centenas de famílias.

O destaque da evolução dos indicadores entre 2023 e 2025 é o salto na qualidade de vida dos produtores. A renda mediana dos cooperados subiu de R$ 2.534,30 para R$ 4.554,00 no período, um crescimento de aproximadamente 80%. Esse avanço financeiro reflete diretamente na redução da vulnerabilidade social: o percentual de famílias cooperadas que dependem do programa Bolsa Família caiu de 38,7% para 33,6%.

No total, o impacto do programa já alcança 4.061 pessoas de forma direta e indireta na região, quase quatro vezes o número registrado no início do acompanhamento, em 2023.

“O Café Amazônia Sustentável é a prova de que a neoindustrialização pode e deve ser inclusiva. Ao levarmos tecnologia e inteligência produtiva para a ponta, para o produtor familiar, estamos fomentando um setor econômico e garantindo que o desenvolvimento chegue de forma ética e sustentável às regiões mais distantes do país”, disse a diretora interina de Economia Sustentável e Industrialização, Neide Freitas.

Produção recorde

O aumento da renda é sustentado por números operacionais robustos. A produção de café saltou de 3,2 mil sacas em 2023 para expressivas 24,9 mil sacas em 2025. Essa alta é fruto da expansão da área plantada, que atingiu 804 hectares, e do plantio de 2 milhões de pés de café. Para 2026, a expectativa é ainda mais otimista, com a previsão de colheita de 30,4 mil sacas.

Segundo o líder do projeto, Eduardo Tosta, a cada R$ 1 investido pela ABDI no projeto houve um retorno de R$ 2,5 para a sociedade, totalizando mais de R$ 36 milhões em benefícios para a região do Juruá.

“Este é um projeto inédito nos 21 anos da ABDI pela sua magnitude, complexidade e, principalmente, pelo impacto social alcançado em menos de três anos. Em Mâncio Lima, provamos que o investimento em quem quer produzir gera um ciclo de prosperidade. Não levamos apenas equipamentos e infraestrutura. Levamos dignidade, capacitação e um futuro próspero que se reflete no aumento da renda mediana e na melhoria de todos os indicadores sociais, da saúde à educação”, afirmou Tosta.

Educação e Saúde

O impacto do fortalecimento econômico transborda para os indicadores sociais do município. Em Mâncio Lima, um dos focos do projeto, os índices de educação são expressivos: a taxa de aprovação escolar atingiu 98,6%, enquanto a evasão escolar caiu para o nível residual de 0,2% em 2024. O município também apresenta uma infraestrutura de saúde mais acessível que a média regional, com um estabelecimento de saúde para cada 682,6 habitantes.

Enquanto a região do Vale do Juruá, como um todo, registrou a formalização de 14.715 empregos em 2025, Mâncio Lima destacou-se com a abertura de 112 novas empresas no último ano e a manutenção de postos de trabalho formais no setor agropecuário.

O sucesso do modelo implementado pela ABDI no Acre reforça como a integração entre tecnologia, assistência técnica e visão de mercado pode transformar biomas preservados em polos de desenvolvimento econômico ético e inclusivo.

Do Juruá para o Baixo Acre

A ABDI já está trabalhando para replicar no Baixo Acre o modelo de sucesso consolidado no Vale do Juruá. Além da ampliação do Complexo Industrial de café em Mâncio Lima, com uma nova unidade em Cruzeiro do Sul, a Agência, em parceria com a Cooperacre, já iniciou as obras da unidade de Capixaba, no Baixo Acre. Este convênio também prevê a implantação de um complexo industrial em Acrelândia. Os dois novos polos devem beneficiar diretamente cerca de 400 famílias produtoras.