Principais montadoras do mundo apostam nos elétricos

Principais montadoras do mundo apostam nos elétricos

Salão do Automóvel de São Paulo comprova tendência mundial. Algumas das maiores marcas de carros lançaram veículos a eletricidade no evento

A indústria automobilística está apostando na combinação entre tecnologia e sustentabilidade para conquistar consumidores cada vez mais conectados e exigentes. Quatro montadoras aproveitaram o Salão do Automóvel de São Paulo, ocorrido em meados de novembro, para lançar modelos elétricos – Audi e-Tron, Chevrolet Bolt, Nissan Leaf e Renault Zoe. Além destas, outras marcas como BMW, Honda, Mercedes, KIA e Toyota expuseram modelos elétricos e híbridos que já estão no mercado.

“O carro elétrico é uma realidade, tanto que praticamente todas as montadoras estão caminhando para isso. Questões como autonomia e abastecimento estão sendo superadas, com exceção da infraestrutura”, aponta Guto Ferreira, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). A autonomia dos carros apresentados na exposição chama atenção. A maioria dos veículos puramente elétricos ultrapassou os 300 quilômetros com a bateria carregada. Confira, a seguir, algumas das principais novidades.

Chevrolet

O Chevrolet Bolt – lançado no Salão – chega a percorrer 383 km com uma carga. “Esta autonomia pode ser estendida até aproximadamente 500 km dependendo da forma como o carro é conduzido. A gente tem o sistema ‘One Pedal’, onde você usa o sistema de freios regenerativos para retornar energia para a bateria, com isso você consegue aumentar um pouco mais a autonomia”, relata o gerente de produto da Chevrolet, Paulo Santos.

Para alcançar a performance máxima da bateria é preciso manter o veículo conectado a uma tomada convencional por 17 horas. Em pontos de recarga, o tempo cai para apenas três horas. “Nos postos super rápidos, que a gente encontra em pontos comerciais, shoppings, eletropostos, em rodovias, em cerca de 30 minutos, você já tem aproximadamente 145 km de autonomia no carro”, aponta Santos. O Bolt é produzido nos Estados Unidos e custará no mercado nacional R$ 175 mil. 

Nissan

Com uma autonomia parecida, 400 km, a Nissan lançou durante a exposição o Leaf. “A Nissan foi a primeira a vender carro elétrico em massa, que foi o Leaf primeira geração, em 2010. Agora, trazemos o veículo para o mercado brasileiro”, lembra Alexandre Carvalho, coordenador de produtos da Nissan. O veículo é importado do Japão e custa nas concessionárias brasileiras R$ 178 mil.

A recarga tem um tempo similar ao Bolt da Chevrolet. Em uma tomada de 110 volts são 16 horas para alcançar o nível máximo de bateria. Em uma tensão de 220 volts o tempo diminui pela metade – são 8 horas.

Renault

A francesa Renault lançou para o mercado brasileiro o Zoe. Com uma autonomia um pouco menor – cerca de 300 km – mas, também, com valor um pouco abaixo dos concorrentes – R$ 149 mil. O Zoe é produzido na França, mas as pré-vendas começaram no próprio Salão. A montadora já comercializava veículos elétricos no Brasil, mas eram projetos sob encomenda de empresas. O Parque Tecnológico Itaipu, por exemplo, tem um sistema de compartilhamento de veículo para os funcionários se locomoverem no local. O transporte é feito pelo Twizy, modelo de carro desenvolvido pela montadora francesa que comporta apenas um passageiro.

BMW

Dentre os mais caros, aparece o I3 BMW REX Full. Vendido à R$ 250 mil, o veículo apresenta uma autonomia de 385 km. O abastecimento de energia leva entre 8 e 10 horas. Nos postos de recarga rápida a bateria demora entre 2 e 3 horas. Ele é produzido na Alemanha.

Kia

A Sul Coreana Kia apresentou o modelo do Soul elétrico. Sem preço ainda no Brasil, com a carga completa ele faz 179 km na estrada e 219 km na cidade. Entre os veículos movidos a energia elétrica, é normal a autonomia ser maior em um ambiente com mais trânsito, porque no momento da frenagem a energia gerada é transformada em potência para o motor.

Mercedes

Algumas montadoras não trouxeram para o Salão modelos específicos de elétricos, mas a ideia da marca. A montadora alemã Mercedes aproveitou o evento para apresentar pela primeira vez na América do Sul o Concept UQ, carro em desenvolvimento. “Este conceito foi apresentado em Paris, em 2016. Com esse novo guarda-chuva da marca UQ, que é a nossa identidade técnica, tecnológica e visual para produtos elétricos”, relata o gerente para produtos elétricos da Mercedes Rogério Montagner.

A autonomia prevista para Concept UQ, depois de finalizado, é de 450 km. Serão dois motores, um para o eixo traseiro e outro para o dianteiro. “A ideia é de um SUV de médio porte, mas com características de carro sedan. Conforto, luxo, sofisticação fazem parte do projeto”. A montadora estima que as vendas do carro iniciem na Europa no fim de 2019.

Honda

A Honda também trouxe a eletricidade nos seus protótipos. A montadora ainda não comercializa veículos elétricos no Brasil. No Salão foi apresentado o Urban EV com lançamento previsto na Europa em 2019 e no Japão em 2020. O assessor de imprensa da marca, Rodrigo Leite, explica que o modelo pretende ser uma extensão da casa.

“Traz a tecnologia de eletrificação e também outras tecnologias que permitem um ambiente mais amigável, tanto para o motorista, como para as pessoas que estão fora. O motorista tem um espaço como se fosse uma casa, com materiais que remetem a um ambiente residencial e na parte externa do carro tem um painel que permite que o condutor converse com outros motoristas, passe mensagens alegres, ou de alerta”, detalha.

Apesar de ainda não ter data para o lançamento do Urban EV em terras brasileiras, a marca está acompanhando as tendências do mercado nacional. Segundo Leite, a Honda trabalha com a ideia de apresentar inovações consolidadas, sem necessariamente ser a pioneira. “A gente está acompanhando o mercado de carros elétricos, neste Salão anunciamos que nos próximos cinco anos a gente vai ter três carros com tecnologia elétrica ou híbrida. O mercado brasileiro também está nesta linha de ter modelos mais eficientes do ponto de vista energético e de sustentabilidade”.

Toyota

Outra japonesa que expôs no salão um modelo voltado para a mobilidade elétrica foi a Toyota. O Prius já é vendido no Brasil e trabalha com um conceito híbrido. O carro não pode ser ligado na tomada como os das outras marcas. O veículo é abastecido com gasolina ou etanol e os combustíveis ativam uma espécie de mini usina que gera energia elétrica para movimentar o motor. Essa tecnologia permite uma autonomia maior que a dos carros a combustão, com um litro de gasolina é possível rodar 25 km.

“A gente acredita que o futuro da eletrificação no país vai de mãos dadas com a hibridização. A nossa aposta é o híbrido flex, que roda com gasolina e etanol, que é um combustível sustentável e puramente desenvolvido pelo Brasil”, destaca Anderson Suzuki, gerente de comunicação da montadora. O Prius é importando do Japão e comercializado à R$ 125 mil.

O Salão do Automóvel de São Paulo completou 30 edições e é considerado pelas montadoras como uma vitrine para inovações. Segundo o presidente da ABDI, o país tem potencial para começar a produzir os elétricos em um curto espaço de tempo. “Todas as montadoras já perceberam que o futuro é híbrido e elétrico. O próximo passo para o país é, além de possuir no mercado nacional esta alternativa limpa, começar a montar os veículos na indústria brasileira, que é a mais consolidada da América Latina”, conclui Guto Ferreira.