Uma parceria entre a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Parque Tecnológico de Itaipu (PTI) vai testar inovações para cidades inteligentes. O Living Lab está sendo criado no Parque que fica em Foz do Iguaçu (PR). No local, que já conta com uma série de tecnologias em pleno funcionamento, serão instalados mais dispositivos. A ABDI vai organizar caravanas de prefeitos, para mostrar como as inovações podem auxiliar o melhor funcionamento dos municípios brasileiros. O Diretor Técnico do PTI, Claudio Osako, esteve na ABDI em Brasília para acertar os últimos detalhes do acordo. Durante o encontro, ele destacou que a formação do Living Lab pode melhorar a vida das pessoas nos municípios brasileiros e fomentar a criação de negócios. Confira a entrevista:
– Quais benefícios o projeto proposto pela ABDI e Parque Tecnológico Itaipu podem trazer para os municípios brasileiros?
A parceria com a ABDI conecta uma série de iniciativas que o parque já tinha. Esse projeto faz com que a tecnologia chegue a cidade e faz a tecnologia chegar no cidadão. Cria-se uma plataforma de cidades inteligentes, que para nós que trabalhamos com incubação de empresas, faz sentido. Agora, temos mais um tema, no qual as startups podem criar ideias e desenvolver produtos e serviços, em cima desta plataforma. Pensando nos municípios, eles vão poder observar, neste living lab, todas as tecnologias que poderão levar para a cidade, como também conferir a confiabilidade dos sistemas. O que podemos fazer em conjunto com a ABDI? O sistema de gestão destas tecnologias pode ser desenvolvido em conjunto. Esse sistema integrador permite que o prefeito e sua equipe monitorem os sensores da cidade em uma tela. Podemos fazer esse desenvolvimento em conjunto, gera uma oportunidade de negócios para a ABDI e para o Parque Tecnológico.
– Existem algumas tecnologias de cidades inteligentes já instaladas no Parque Tecnológico de Itaipu. Quais são elas?
Temos um sistema, que nós desenvolvemos, de compartilhamento de veículos elétricos por demanda de Itaipu. O sistema de gerenciamento de veículos foi desenvolvido por nossa equipe de automação – hardware e software. Esse sistema já opera no parque. Nós temos outras tecnologias. Tem uma empresa encubada no Parque que trabalha com o compartilhamento de bicicletas. Ou seja, já existe compartilhamento de bicicletas para acoplar ao sistema de veículos. Temos, também, monitoramento meteorológico. É possível trabalhar com segurança cibernética, temos um laboratório que trata do tema. Estamos desenvolvendo, para os próximos dois anos, sistemas gerenciamento de microgrid. Seriam utilizados na ponta da rede de distribuição de energia, na zona rural. Esse sistema ainda não existe e é uma demanda dos produtores, que trabalham com aves e, principalmente, peixes. Esse tipo de agroindústria não pode ficar sem energia elétrica. Vários produtores já têm sistemas de biogás. O problema é como o produtor de peixe que tem biogás, gera energia para o produtor de frango quando falta eletricidade. Com esse sistema em desenvolvimento, poderemos interligar de forma inteligente com a planta de Biogás de Itaipu.
– O Parque Tecnológico de Itaipu já tem convênio com 54 cidades da região de Foz do Iguaçu. Como essa parceria preestabelecida pode ajudar no desenvolvimento do projeto de cidades inteligentes?
Nós temos controle total dentro do parque. Esse espaço todo está sobre governança nossa. As leis de transito, por exemplo, são nossa responsabilidade. Então, podemos mudar, alterar e testar dispositivos. A partir do momento que as tecnologias estão consolidadas, cada prefeito vai trazer a sua necessidade. Aí poderemos trabalhar com parcerias que Itaipu já tem com esses 54 municípios. O prefeito tem a demanda clara, ele vai poder buscar apoio no projeto. Também vejo que as empresas destas cidades podem produzir soluções. Assim fomentamos o desenvolvimento econômico do município.