O Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o Conselhão, realizou na quarta-feira (11), no Palácio do Itamaraty, em Brasília, sua 7ª reunião para discutir diretrizes estratégicas voltadas ao desenvolvimento econômico, à inovação e ao fortalecimento da indústria nacional. O colegiado reúne representantes da sociedade civil para assessorar a Presidência da República na formulação de políticas públicas.
O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Olavo Noleto, acompanhou os debates do colegiado sobre desenvolvimento econômico, inovação e fortalecimento da indústria nacional. Após a reunião, ele ressaltou a importância de políticas que ampliem a capacidade produtiva do país e contribuam para a geração de emprego, renda e soberania.
“A ABDI está a serviço desse Brasil que produz, que constrói, que une as pessoas e que entende que soberania passa por economia forte, por indústria forte e por emprego”, afirmou Noleto, que foi secretário-executivo do Conselhão durante sua passagem pela Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.
Parceria para fortalecer a indústria
Também presente no encontro, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, destacou números que mostram a retomada do setor industrial brasileiro nos últimos anos e os recordes do comércio exterior.
“Depois de 14 anos, nós assistimos e colecionamos alguns indicadores favoráveis ao crescimento da indústria. Ela cresceu em 2024, com o lançamento da Nova Indústria Brasil (NIB), 3,1%. Neste primeiro quadrimestre, ela já avançou 1,7%”, destacou o ministro ao pontuar que o cenário tem reflexo positivo no mercado de trabalho. O Brasil registrou a menor taxa de desemprego, fixada em 5,6%, e recorde de 103 milhões de pessoas empregadas.
Para impulsionar o desenvolvimento, a Nova Indústria Brasil (NIB) disponibiliza R$ 713 bilhões, por meio do Plano Mais Produção. Até agora, já foram contratados 428 mil projetos, com potencial de regionalização da política industrial. “O bom é que 61% desses projetos estão no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. É preciso regionalizar e internalizar o desenvolvimento”, avaliou o ministro.

Brasil está exportando como nunca
“O crescimento das exportações e importações, do fluxo de comércio no Brasil, no ano passado, foi de 6,2%, que é o topo da média colecionada pela Organização Mundial do Comércio. Graças ao BNDES, à ABDI e à Embrapii, nós temos hoje uma expansão viva da nossa base exportadora”, afirmou Márcio Elias Rosa. Em 2025, o Brasil chegou a 29.818 empresas exportadoras, o maior número da série histórica.
Parceria MDIC e ABDI
Após a reunião, o ministro destacou que o a atuação conjunta da pasta e da ABDI na promoção de políticas voltadas à transformação digital e ao fortalecimento da competitividade da indústria brasileira. Segundo ele, o trabalho em conjunto tem contribuído para aproximar governo, setor produtivo e sociedade na construção das estratégias da Nova Indústria Brasil (NIB).
“Junto com a ABDI, o MDIC participa para debater com o setor produtivo brasileiro, setor privado e setor civil, as novas formas de desenvolvimento da nossa indústria, especificamente na transição digital, a missão 4, da Nova Indústria Brasil”,
Para fortalecer ainda mais os avanços gerados por essa agenda, o ministro anunciou que, a partir de junho, iniciará um ciclo de visitas a federações das indústrias e associações comerciais em parceria com a ABDI, a ApexBrasil e o BNDES. As missões terão o objetivo de difundir os mecanismos de crédito da NIB e os novos acordos internacionais.
Lula no Conselhão
Durante a reunião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o papel do Conselhão como espaço de construção coletiva e de responsabilidade democrática na elaboração de propostas para o governo.
“A responsabilidade do Conselho é preparar propostas para ajudar o governo a fazer coisas diferentes, a atender às demandas apresentadas pela sociedade civil. Isso nem sempre é possível, porque muitas vezes as coisas que parecem simples são as mais difíceis, ou são aquelas que atendem a uma parte da sociedade que nunca foi atendida”, afirmou.
O presidente afirmou ainda que os avanços econômicos devem ser acompanhados por ações que reduzam as desigualdades e promovam mais inclusão social.
“O que é importante é que aos poucos a gente vai colocando a parte mais sensível e mais pobre da população dentro do orçamento do país, levando a sério a educação, saúde, legalização de terras indígenas, demarcar as zonas tanto no oceano quanto na floresta, a questão dos quilombolas”, disse Lula.
Participaram da mesa a primeira-dama Janja Lula da Silva, o vice-presidente da República Geraldo Alckmin, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a secretária-executiva do Conselhão, Raimunda Monteiro, e os conselheiros Isaac Sidney e Mônica Veloso.
*Com informações do MDIC
Fotos: Ricardo Stuckert/PRs e João Miguel/ABDI