Nuvem soberana e segurança digital são temas de masterclass promovida pela ABDI no Web Summit do Rio

Nuvem soberana e segurança digital são temas de masterclass promovida pela ABDI no Web Summit do Rio

Olavo Noleto participou do debate na quinta (11) ao lado do presidente do Serpro, Wilton Mota, e do secretário de Governo Digital do MGI, Rogério Mascarenhas

A construção de uma infraestrutura digital que promova soberania ao país foi o tema central da masterclass realizada nesta quinta-feira (11) pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), durante o Web Summit, no Rio de Janeiro. O debate “Nuvem soberana e infraestrutura digital estratégica no Brasil” tratou sobre a importância e os desafios na implementação de um mecanismo que confira autonomia na gestão de dados, proteção de informações e a continuidade dos serviços públicos digitais.

“A geopolítica mundial está nos exigindo mais do que exigia há cinco anos”, comentou o presidente da ABDI, Olavo Noleto. “Como você pensa o mundo moderno com a indústria brasileira não tendo segurança dos seus dados e do armazenamento deles?”, questionou, ao lado do secretário de Governo Digital do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), Rogério Mascarenhas, e do presidente do Serpro, Wilton Mota.

Para além da agenda de desenvolvimento tecnológico, o desafio de construção da nuvem soberana passa por pilares como segurança, resiliência institucional e desenvolvimento nacional, para proteger o Estado da dependência tecnológica e assegurar a continuidade de serviços essenciais e a própria sustentabilidade da transformação digital brasileira.

A gerente da Unidade de Difusão de Tecnologias da ABDI, Isabela Gaya, moderou o painel e enfatizou a importância da soberania de dados para o país. “Os dados são hoje nosso novo petróleo. Precisamos dessas informações para gerar valor econômico dentro da nossa economia digital”, disse.

De acordo com o secretário do MGI, o governo tem atuado no repatriamento de dados que estavam distribuídos em nuvens públicas. “O primeiro movimento foi adquirir essas nuvens, colocá-las dentro das empresas nacionais para que a gente pudesse repatriar esses dados que têm uma sensibilidade para o brasileiro, dados de sigilo fiscal, sigilo bancário, entre outros”, explicou Mascarenhas.

“O Brasil não pode ficar à margem desse tema, até porque nós produzimos muitos dados e o Estado brasileiro tem uma riqueza em suas mãos. Dados de importação, de exportação, da Receita Federal, dados financeiros”, pontuou o presidente do Serpro, Wilton Mota. “Temos sim que fomentar o mercado, fomentar as academias para que a gente possa pensar tecnologia e sair da era do commodity. É isso que a gente quer, um Brasil melhor, um Brasil desenvolvido e um Brasil com tecnologia”, afirmou.

Também nesta quinta-feira, a ABDI premiou, no Web Summit, as oito startups vencedoras do Programa de Inovação Aberta do Rio.IA 2026. Com um investimento de R$ 640 mil para as provas de conceito (PoCs), as startups desenvolverão soluções para desafios reais apresentados por indústrias parceiras, em alinhamento com a Missão 4 da Nova Indústria Brasil (NIB), dedicada à transformação digital da indústria, e com as diretrizes do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA).

Fotos: João Miguel/ABDI