Equipe brasileira encerra participação em mundial de robótica com prêmio

Equipe brasileira encerra participação em mundial de robótica com prêmio

Estudantes de São José dos Campos participaram da First Robotics Competition nos EUA

O Brazilian Storm encerrou sua participação na First Robotics Competition (FRC), campeonato mundial de robótica para jovens de 14 a 18 anos, realizado nos Estados Unidos, com o prêmio "Gracious Professionalism Award 2019", que valoriza o profissionalismo do time. Formada por estudantes do ensino médio da rede pública e por mentores da escola estadual Alceu Maynard Araújo de São José dos Campos (SP), a equipe participou das etapas do Arkansas e do Alabama neste ano.

O campeonato põe à prova robôs montados por jovens de todas as partes do mundo que formam mais de 4,8 mil agremiações. Esta é a terceira participação seguida do Brazilian Storm na FRC, que em 2019 é patrocinado pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). Na página do time nas redes sociais, o professor Leonardo Rosa elogiou a dedicação dos estudantes.

"Não conseguimos expressar com palavras toda a alegria, emoção e orgulho que estamos sentindo neste momento! Ganhar um prêmio com tamanho significado e que valorizamos tanto, realmente não tem preço! Gratidão define o Brazilian Storm hoje! Gratidão por Rocket City que nos recebe sempre com o coração aberto, gratidão por nossos patrocinadores que acreditam no poder da transformação através da educação, gratidão pela escola estadual Alceu Maynard Araújo e em especial a todos os mentores do Brazilian Storm que de maneira voluntária se dedicam tanto para fazer a diferença na vida de jovens adolescentes do nosso Brasil", disse Leonardo Rosa.

Os bons resultados do Brazilian Storm nas edições de 2017 e 2018 incentivaram a formação de outras equipes em cidade vizinhas no interior de São Paulo. Um dos exemplos é a Taubatexas, criada com a ajuda dos mentores de São José dos Campos.

O estudante do segundo ano do ensino médio, Willian Danko, destaca a intenção da equipe joseense em disseminar o conhecimento em robótica. “Antes de entrar para o Brazilian Storm, eu não tinha foco, era ocioso. E hoje, vejo como a robótica me prepara para o futuro. O nosso objetivo é que a robótica cresça no país”, projeta.

O time de Taubaté (SP), inclusive, ganhou na etapa do Arkansas o prêmio de melhor equipe novata da competição, repetindo o feito dos precursores em 2017. Com o resultado, o Taubatexas se classificou para a etapa mundial, em abril, no estado do Texas, que inspira o nome da agremiação.

Intercâmbio

A competição também é importante para a troca de conhecimentos e o intercâmbio cultural entre os alunos. O Brazilian Storm foi convidado a conhecer a escola Mae Jemison de Huntsville, cidade sede da etapa do Alabama. A instituição auxiliou no transporte do robô brasileiro de Little Rock, no Arkansas, até o local da segunda fase da competição.

Na visita, os alunos brasileiros puderam conhecer a estrutura do laboratório da escola que leva o nome da primeira astronauta negra dos EUA a viajar para o espaço. “O colégio está localizado em uma área mais pobre de Huntsville e alguns jovens estão envolvidos em gangues e sofrem com a violência, mas a estrutura aqui é incrível. Há um laboratório de manufatura avançada com impressoras 3D para compostos de ligas metálicas e uma autoclave (forno) para o processo de confecção de peças em fibra de carbono, além de centrais de usinagem e um laboratório de cibersegurança”, elogiou Valdênio de Araújo, analista da Coordenação de Indústria 4.0 da ABDI, que acompanhou a etapa da FRC.

História

Há três anos, o engenheiro mecânico Leonardo Rosa e o amigo Arthur de Oliveira, mecânico montador de sistemas da Embraer, decidiram montar o projeto na escola estadual Alceu Maynard Araújo, em São José dos Campos (SP). De forma voluntária, eles passaram a ensinar robótica aos estudantes de diversas unidades escolares da cidade. Durante as férias e nos fins de semana, a sala de aula é na oficina montada no colégio público.

A equipe batizada de Brazilian Storm participou pelo terceiro ano consecutivo de competições nos EUA. Na primeira participação, em 2017, chegou à final da etapa regional do Sul da Flórida, em West Palm Beach, e foi premiada como melhor equipe novata, o que deu vaga para a etapa mundial em Houston, no Texas. No ano seguinte, mais um prêmio, o Woodie Flowers Award, pelo trabalho de mentoria do time.

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