Antes de investir em inteligência artificial, robótica, gêmeos digitais ou redes privativas 5G, muitas empresas enfrentam um desafio comum: entender como essas tecnologias funcionam na prática e quais resultados podem gerar no ambiente industrial. Foi para aproximar a indústria brasileira dessas tecnologias e reduzir os riscos da transformação digital que nasceu o MetaIndústria, programa da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), desenvolvido em parceria com a SPI Integração de Sistemas.
Em São Caetano do Sul (SP), um dos laboratórios do programa reproduz um ambiente industrial conectado, onde representantes da indústria podem conhecer aplicações reais da Indústria 4.0, testar soluções e estruturar projetos antes de levá-los para suas próprias fábricas.
Em cerca de 30 meses de operação, o espaço já recebeu aproximadamente 400 empresas e instituições, reuniu cerca de 2.245 participantes e consolidou um ecossistema formado por aproximadamente 30 parceiros tecnológicos, entre eles NVIDIA, Siemens e Nokia. Também fazem parte da iniciativa 30 instituições de ensino e de ciência e tecnologia, além de um board industrial composto por empresas como Petrobras, Vale, General Motors, Braskem, Grupo Boticário, Bio-Manguinhos/Fiocruz, Santista e Acelen.
Segundo o líder de Projetos de Inovação da SPI, Jairo Cardoso, a dificuldade de visualizar essas tecnologias em operação ainda é um dos principais obstáculos à transformação digital das empresas.
“O empresário ouve falar em inteligência artificial, gêmeos digitais e automação, mas sempre faz a mesma pergunta: ‘Onde eu posso ver isso funcionando?’. O MetaIndústria nasceu justamente para responder essa dúvida, oferecendo um ambiente onde essas tecnologias podem ser vistas em operação antes que a empresa decida investir”, afirma.
Antes da criação do laboratório, explica ele, a alternativa era levar empresários para visitar fábricas que já utilizavam essas soluções. A estratégia, porém, encontrava limitações.
“Nas primeiras visitas as empresas recebiam muito bem. Depois, naturalmente, começavam a surgir dificuldades, porque cada visita interfere na rotina da produção. Foi daí que surgiu a ideia de criar um ambiente permanente de demonstração tecnológica, onde qualquer empresa pudesse conhecer essas aplicações sem impactar uma operação industrial”, conta.
No espaço, empresas podem acompanhar o funcionamento integrado de tecnologias como inteligência artificial, IA física, gêmeos digitais, robótica colaborativa, visão computacional, internet das coisas (IoT), realidade estendida e integração de dados industriais. O MetaIndústria conta ainda com um segundo laboratório, em São Leopoldo (RS).
Ambiente colaborativo
Um dos diferenciais da iniciativa é reunir, em um único espaço, soluções desenvolvidas por diferentes empresas, permitindo demonstrar essas tecnologias de forma integrada, como acontece em uma fábrica.
Para o CEO da SPI Integração de Sistemas, Elcio Brito, essa integração amplia o valor da experiência para as empresas participantes. “É como um apartamento decorado. Uma empresa pode ter a geladeira, mas não tem o sofá nem a pia. Aqui ela consegue mostrar que a tecnologia dela funciona em conjunto com soluções de outros parceiros. O cliente não vê apenas um produto. Ele enxerga como tudo conversa dentro de um ambiente industrial completo”, compara.
Como funciona
A jornada no MetaIndústria começa com uma visita ao laboratório, onde são apresentadas aplicações práticas das tecnologias. Empresas que já possuem desafios identificados podem participar de imersões técnicas para estruturar projetos junto aos especialistas da SPI. Já aquelas que ainda não sabem por onde começar seguem uma jornada personalizada, voltada à construção de uma estratégia de transformação digital.
Segundo Jairo Cardoso, esse processo exige tempo de maturação. “Não é porque uma empresa visita o MetaIndústria que no dia seguinte ela começa um projeto. Existe todo um processo interno de análise, definição de prioridades, orçamento e aprovação. Muitas empresas que conheceram o laboratório em 2024 começam agora a colocar seus projetos em prática, enquanto outras já estão tendo resultados”, explica.
Os primeiros resultados do MetaIndústria, inclusive, já podem ser observados em diferentes segmentos industriais, como cosméticos, saúde, materiais de construção e agronegócio. Na Natura, a aplicação de inteligência artificial colaborativa e de um copiloto operacional proporcionou aumento de 7,3% na produtividade de uma linha de produção de xampus.
Outro exemplo é o de Bio-Manguinhos/Fiocruz, um dos maiores produtores de imunobiológicos da América Latina e fornecedor de vacinas para o SUS, que implantou uma rede privativa 5G para monitorar em tempo real o funcionamento dos equipamentos que processam matérias-primas para a fabricação de vacinas. A iniciativa, desenvolvida no âmbito do MetaIndústria com Nokia, Rockwell Automation, EDGE e N&DC, detecta falhas de imediato e reduz o desperdício de insumos, assegurando maior produtividade na produção de imunizantes para a população.
Outra iniciativa do programa foi a criação do Desafio MetaIndústria, que destinou R$ 1,05 milhão para financiar 21 provas de conceito (PoCs). A proposta é permitir que empresas validem soluções em ambiente real antes de realizar investimentos de maior porte. Atualmente, as empresas selecionadas desenvolvem as provas de conceito, que poderão subsidiar futuras aplicações industriais.
Visita técnica
Na quinta-feira (16/7), o presidente da ABDI, Olavo Noleto, e a diretora de Desenvolvimento Produtivo e Tecnológico, Neide Freitas, realizaram uma visita técnica ao laboratório MetaIndústria, em São Caetano do Sul (SP), onde acompanharam demonstrações das tecnologias disponíveis e conheceram a metodologia de atendimento às empresas.
Durante a visita, Olavo Noleto destacou a importância de iniciativas que aproximem empresas de tecnologias voltadas ao aumento da produtividade e à redução dos riscos associados à transformação digital. “Ganhos de produtividade exigem diagnóstico preciso, apoio técnico e estratégia bem definida. O MetaIndústria foi concebido para oferecer esse ambiente às empresas”, afirmou.
Acesso ao programa
Empresas de todos os portes podem participar gratuitamente do MetaIndústria. O acesso pode ocorrer por diferentes frentes, como editais da ABDI, indicação de parceiros tecnológicos, encaminhamento pela carteira de clientes da SPI e ações desenvolvidas em conjunto com associações e entidades representativas da indústria.
Todo o atendimento é conduzido por especialistas da SPI Integração de Sistemas, sem custos para os participantes. A estrutura do laboratório foi viabilizada pela ABDI, enquanto a consultoria técnica integra a contrapartida oferecida pela SPI ao projeto.
Mais informações estão disponíveis na página do MetaIndústria no portal da ABDI (https://www.abdi.com.br/metaindustria/) e no site da SPI Integração de Sistemas (spi-integradora.com.br).
