A plataforma Origem Controlada Café, que reúne 18 Indicações Geográficas (IGs) de café reconhecidas pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), ultrapassou a marca de 1 milhão de pacotes rastreados. Lançada em 2024, a iniciativa já contabiliza 1.320.319 pacotes certificados e se consolida como uma das principais ferramentas de controle, autenticidade e valorização das origens do café brasileiro.
Desenvolvida para fortalecer a governança das regiões produtoras e ampliar a transparência ao consumidor, a plataforma conecta atualmente 3.569 produtores e 4.408 propriedades rurais distribuídas em seis estados brasileiros. O sistema contribui para a agregação de valor aos produtos de origem certificada e está alinhado aos objetivos da Missão 1 da Nova Indústria Brasil (NIB), voltada ao fortalecimento das cadeias agroindustriais sustentáveis e competitivas.
Ao integrar as Indicações Geográficas a um ambiente digital de rastreabilidade, a plataforma permite acompanhar informações sobre origem, qualidade e conformidade dos produtos, fortalecendo mecanismos de controle, combatendo fraudes e ampliando a proteção das origens brasileiras. Atualmente, o sistema reúne as IGs Alta Mogiana, Campo das Vertentes, Canastra, Caparaó, Chapada Diamantina, Espírito Santo, Mandaguari, Mantiqueira de Minas, Matas de Minas, Matas de Rondônia, Montanhas do Espírito Santo, Norte Pioneiro do Paraná, Nova Alta Paulista, Região de Garça, Região de Pinhal, Serra da Apucarana, Sudoeste de Minas e Vale da Grama.
O café segue como um dos principais produtos da pauta exportadora brasileira e mantém o país na liderança mundial do setor. Nesse cenário, a rastreabilidade tem se tornado um diferencial estratégico para ampliar o acesso a mercados e atender à crescente demanda por produtos com procedência comprovada. Na plataforma, a pontuação média dos cafés avaliados alcançou 85,18 pontos, indicador que reforça o elevado padrão de qualidade dos produtos monitorados.
Por meio de um QR Code disponível nas embalagens, consumidores podem acessar informações detalhadas sobre a fazenda de origem, o produtor, a nota de qualidade sensorial, a Indicação Geográfica e o processo produtivo. A solução já contabiliza mais de 60 mil leituras de QR Codes em mais de 70 países, demonstrando o alcance internacional das origens cafeeiras brasileiras certificadas.
Expansão da plataforma
Tendo como carro-chefe a cadeia do café, a plataforma Origem Controlada foi desenvolvida pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em parceria com o Sebrae, o Instituto CNA e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A empresa responsável pelo desenvolvimento tecnológico da solução, a Agtrace, foi selecionada por meio de chamada pública de inovação.
Os resultados alcançados no café abriram caminho para a ampliação da iniciativa para outras cadeias produtivas com forte identidade territorial e potencial de agregação de valor. A partir deste mês, o sistema passa a incorporar os setores de mel e queijo, produtos com crescente reconhecimento por origem, número cada vez maior de Indicações Geográficas registradas e alta demanda do mercado por rastreabilidade e garantia de procedência.
A ampliação busca levar para essas cadeias os mesmos benefícios já observados no café, como maior transparência, proteção contra fraudes, valorização das origens e geração de informações estratégicas para produtores e entidades gestoras.
“Mais de 80% dos apicultores brasileiros são familiares, e o queijo artesanal é produzido por pequenos produtores em todo o país. A expectativa é que a plataforma coloque nas mãos desses atores uma ferramenta de gestão e comunicação de origem antes acessível apenas a grandes empresas, e que o modelo Origem Controlada se consolide como referência nacional de rastreabilidade para produtos com identidade territorial”, afirmou Adryelle Pedrosa, gerente da Unidade de Transformação Digital da ABDI.