ABDI e Abiquim apresentam estudo sobre impactos das barreiras regulatórias na indústria química

ABDI e Abiquim apresentam estudo sobre impactos das barreiras regulatórias na indústria química

Diagnóstico mapeia os efeitos das novas exigências regulatórias internacionais e inaugura programa voltado ao fortalecimento da competitividade do setor

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) apresentaram, na quarta-feira (22), em Brasília, a primeira entrega do Programa de Isonomia Regulatória, iniciativa em elaboração pelas duas instituições para fortalecer a competitividade da indústria química brasileira diante das transformações do comércio internacional. O diagnóstico Barreiras Não Tarifárias apresentado analisa os impactos das novas exigências regulatórias sobre o setor e inaugura uma série de estudos que subsidiará as próximas etapas do programa.

O diagnóstico foi apresentado durante workshop na ABDI, com representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE), do setor produtivo, especialistas e equipes técnicas da ABDI e da Abiquim. O estudo mostra como mecanismos relacionados à agenda climática, critérios ESG, rastreabilidade e reporte de emissões vêm alterando as condições de competitividade da indústria química no comércio internacional.

Para a diretora de Economia Sustentável e Industrialização da ABDI, Neide Freitas (foto abaixo), o diagnóstico representa uma ferramenta para orientar políticas públicas e apoiar a adaptação da indústria às novas exigências do comércio internacional. “Esse trabalho amplia o entendimento sobre como as barreiras não tarifárias impactam a indústria química e ajuda a identificar desafios, oportunidades e insumos estratégicos para o desenvolvimento do setor. Ao mesmo tempo, conecta esse diagnóstico às soluções que a ABDI já desenvolve. Hoje, contamos com ferramentas voltadas à mensuração, à rastreabilidade e à verificação, cada vez mais importantes para atender às exigências dos mercados internacionais. Nosso objetivo é aproximar essas soluções da indústria e aprimorá-las continuamente a partir das necessidades de cada setor.”

Para o gerente de Economia, Estatística e Comércio Exterior da Abiquim, Éder da Silva (foto abaixo), compreender as mudanças regulatórias globais é fundamental para transformar desafios em oportunidades para a indústria nacional. “Os padrões regulatórios já fazem parte da dinâmica do comércio internacional e exigem uma resposta estruturada. O objetivo desse trabalho é produzir conhecimento, gerar evidências e apoiar políticas públicas capazes de fortalecer a indústria química brasileira. Falar em soberania produtiva é garantir capacidade industrial, abastecimento das cadeias produtivas e condições para que o Brasil transforme suas vantagens comparativas em vantagens competitivas.”

A apresentação técnica foi conduzida por Mauro Zackiewicz, head de Pesquisa e Desenvolvimento da Deep ESG, startup responsável pela metodologia do estudo. Segundo Zackiewicz, as barreiras não tarifárias deixaram de ser apenas exigências para exportação e passaram a influenciar investimentos, inovação e acesso aos mercados internacionais. Por isso, mecanismos como o ajuste de carbono na fronteira (CBAM), critérios ESG, certificações ambientais, rastreabilidade e reporte de emissões tornam a capacidade de mensurar, comprovar e reduzir emissões um diferencial competitivo para empresas e países.

Na prática, empresas que desejam acessar mercados como o europeu precisam comprovar informações sobre suas emissões de carbono, a origem de matérias-primas e o desempenho ambiental de seus produtos.

Convênio

O estudo integra o convênio firmado entre a ABDI e a Abiquim, em novembro do ano passado, para fortalecer a competitividade, a inovação e a sustentabilidade da indústria química. A parceria está estruturada em três eixos: inteligência competitiva; isonomia regulatória e mitigação climática; e energias limpas e transição energética. Até 2027, novos estudos aprofundarão temas estratégicos e ampliarão a base técnica para subsidiar políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do setor.

Fotos: Thais Holanda/ABDI