ABDI inicia articulação para reconhecimento de Indicação Geográfica do Café do Acre

ABDI inicia articulação para reconhecimento de Indicação Geográfica do Café do Acre

Agência já possui 18 IGs de café reconhecidas pelo país e mais de 1 milhão de pacotes rastreados

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) deu início, na última semana,  às articulações para a construção da Indicação Geográfica (IG) do Robusta Amazônico do Acre – tipo de café especial resultante de cruzamentos genéticos adaptados ao clima da região. A iniciativa busca reconhecer e registrar oficialmente a origem e as características únicas da produção de café especial da região acreana por meio da Plataforma Origem Controlada.

Realizada entre os dias 21 e 24/7, em Rio Branco (AC), a articulação reuniu representantes da ABDI, Embrapa Acre, Embrapa Rondônia, Sebrae, Emater, Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (IDAF) e Secretaria de Estado de Agricultura do Acre (SEAGRI).

Durante reunião realizada na sede da SEAGRI, os participantes discutiram os diferentes cenários para a futura Indicação Geográfica, considerando possibilidades de reconhecimento por território, por regiões produtoras ou para todo o estado. Essa construção da Indicação Geográfica busca fortalecer a identidade territorial do produto, ampliar sua competitividade e agregar valor à produção regional.

A definição, no entanto, será baseada em um diagnóstico técnico estadual que permitirá identificar as características da cafeicultura acreana e fornecerá subsídios para delimitar a tomada de decisão. Nesse contexto, os parceiros buscam ampliar o diagnóstico inicialmente previsto para a região do Juruá, estendendo o levantamento a todo o estado acreano.

Além disso, também ficou prevista a criação de um Grupo de Trabalho (GT), coordenado pela SEAGRI, que reunirá representantes da ABDI, Embrapa, Sebrae, Senar, Emater, IDAF e Fórum Empresarial e Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O grupo será responsável por coordenar as ações técnicas e institucionais necessárias para a construção da Indicação Geográfica.

O encontro reforçou a importância da atuação integrada entre as instituições, ressaltando que o diagnóstico estadual será o principal instrumento para subsidiar a definição da estratégia da Indicação Geográfica do Café do Acre, garantindo que o processo seja conduzido com base em critérios técnicos e na realidade da cafeicultura acreana, levando em conta suas características e identidade territorial.

2º Seminário Estadual de Cafeicultura do Acre

Durante a agenda no estado, a equipe da ABDI participou, ainda, do 2º Seminário Estadual de Cafeicultura do Acre, promovido pela Embrapa, Senar Acre, SEAGRI e Mapa, que reuniu produtores, pesquisadores, empresas e instituições para discutir os avanços da produção do Robusta Amazônico e as perspectivas para o desenvolvimento da cadeia produtiva no estado.

O evento reforçou o potencial e a qualidade da cafeicultura acreana, destacando a importância de iniciativas voltadas à agregação de valor, à inovação e à valorização da origem dos produtos.

Próximos passos

Entre as próximas ações previstas estão a formalização do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre a ABDI e a Embrapa Acre, a elaboração do diagnóstico estadual da cafeicultura e a estruturação da governança responsável por conduzir o processo de reconhecimento da Indicação Geográfica.

A iniciativa busca fortalecer a identidade do café produzido no Acre e na região Norte, ampliar sua competitividade e criar novas oportunidades para os produtores locais, contribuindo para o desenvolvimento econômico regional e para a valorização do Robusta Amazônico. Atualmente, a região já possui o reconhecimento da IG “Matas de Rondônia”, que abrange cerca de 15 municípios e onde também ocorre o cultivo do café especial Robusta Amazônico.

Plataforma Origem Controlada

O sistema é uma das principais ferramentas de controle, autenticidade e valorização das origens do café brasileiro. Desenvolvida para fortalecer a governança das regiões produtoras e ampliar a transparência ao consumidor, a plataforma conecta atualmente 3.569 produtores e 4.408 propriedades rurais distribuídas em seis estados brasileiros.