ABDI promove debate sobre os caminhos para um novo ciclo de desenvolvimento econômico e industrial do Brasil

ABDI promove debate sobre os caminhos para um novo ciclo de desenvolvimento econômico e industrial do Brasil

Primeira edição do Café com a Indústria reuniu especialistas para discutir como desenvolvimento humano, inovação e política industrial podem impulsionar a produtividade e ampliar a competitividade do país

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) realizou, nesta segunda-feira (3), a primeira edição do Café com a Indústria, encontro que reuniu representantes do setor público, organismos internacionais e da iniciativa privada para debater os caminhos para um novo ciclo de desenvolvimento econômico do Brasil, sustentado pela inovação, pelo aumento da produtividade e pelo fortalecimento da competitividade industrial.

O debate teve como ponto de partida os resultados do novo Radar do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que mostra que o Brasil alcançou, pela primeira vez, o patamar de muito alto desenvolvimento humano, registrando índice de 0,805 em 2024, o melhor resultado da série histórica.

Participaram do encontro o presidente da ABDI, Olavo Noleto; o secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Uallace Moreira Lima; a economista-chefe e coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD Brasil, Betina Ferraz Barbosa; e o presidente executivo do Grupo FarmaBrasil, Reginaldo Arcuri.

Durante a apresentação do estudo, a economista-chefe e coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD Brasil, Betina Ferraz Barbosa, destacou que o avanço do Brasil para o patamar de muito alto desenvolvimento humano representa um marco importante, mas ressaltou que os desafios do século XXI exigem um novo olhar sobre a agenda de desenvolvimento. Segundo ela, a transformação tecnológica, as mudanças no mundo do trabalho e a ampliação de oportunidades para as próximas gerações serão fatores centrais para sustentar o crescimento do país nos próximos anos.

Para Betina, a formação de capacidades humanas será decisiva para que o Brasil consiga aproveitar os ganhos associados à inovação, à digitalização da economia e à adoção de novas tecnologias nos processos produtivos. Nesse contexto, desenvolvimento humano e competitividade passam a ser agendas cada vez mais complementares.

“A informação-chave para a indústria brasileira está na população de 18 a 20 anos com o ensino médio completo. É aqui que precisamos focar neste próximo ciclo de desenvolvimento para preparar essa população para uma nova estrutura produtiva.”

A economista ressaltou ainda que o Brasil vive uma transição para um novo ciclo de desenvolvimento, que exigirá políticas voltadas ao fortalecimento de capacidades mais sofisticadas e alinhadas às transformações tecnológicas e demográficas. Segundo a economista, essa nova etapa demanda investimentos de longo prazo em educação, inovação e qualificação da população para sustentar a competitividade da indústria.

“O país está concluindo o que nós, no PNUD, chamamos de agenda das capacidades básicas, migrando para uma agenda de desenvolvimento mais sofisticada. Essa agenda vai falar de complexidades na saúde, de tecnologia, de rupturas de padrões, de inteligência artificial. As capacidades avançadas, essa é a agenda nova brasileira.

De acordo com Betina, o estudo mostra que a agenda de desenvolvimento humano do século XXI exige atenção aos impactos das transformações tecnológicas, às mudanças no mundo do trabalho e à ampliação das oportunidades para as próximas gerações. Nesse cenário, os participantes destacaram que a política industrial e a inovação têm papel estratégico na construção de um modelo de crescimento capaz de combinar inclusão social, aumento da produtividade e competitividade.

O entendimento entre os debatedores foi o de que o próximo ciclo de desenvolvimento do país dependerá da capacidade de transformar conhecimento, tecnologia e qualificação profissional em ganhos de produtividade, geração de empregos de qualidade e expansão da atividade econômica.

Nessa perspectiva, o secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do MDIC, Uallace Moreira Lima, destacou que a política industrial e a inovação são instrumentos essenciais para promover transformações estruturais na economia, com impactos duradouros sobre a produtividade, a geração de empregos qualificados e a renda da população.

“A política industrial de inovação é responsável por essa transformação estrutural. Elas talvez sejam a maior política social que um país pode ter nas mãos, porque transformam estruturalmente a sociedade. Mas política industrial e inovação não são algo trivial, em que você vê resultado no curto prazo. É preciso compreender o prazo de maturação dos investimentos para entender o resultado de uma política pública.”

Ao apresentar iniciativas da ABDI voltadas ao fortalecimento da competitividade industrial, Olavo destacou projetos como o Recircula, voltado à rastreabilidade da logística reversa, e o Destrava, que atua na simplificação de processos regulatórios. Segundo ele, as iniciativas ajudam a preparar a indústria brasileira para atender às exigências dos mercados internacionais e a reduzir entraves que dificultam investimentos e a expansão da produção.

O presidente executivo do Grupo FarmaBrasil, Reginaldo Arcuri, apontou o Complexo Econômico-Industrial da Saúde como um dos exemplos mais concretos do potencial brasileiro para combinar inovação, desenvolvimento produtivo e ganhos para a sociedade. Segundo ele, o setor já representa cerca de 9,5% do PIB, reúne uma base industrial consolidada, um sistema público de saúde de grande escala e capacidade científica instalada, criando condições para ampliar a competitividade do país.

“O Complexo Econômico-Industrial da Saúde é uma possibilidade de dar um grande salto. Nós temos uma indústria que produz cerca de 62% dos produtos consumidos no país, um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo e universidades que produzem pesquisa de excelência. Nunca existiu uma lei para o Complexo Industrial da Saúde.

Ao encerrar o encontro, Olavo Noleto ressaltou que a política industrial também exerce um papel relevante na redução das desigualdades regionais, ao criar condições para que o desenvolvimento produtivo alcance diferentes territórios e amplie as oportunidades para a população brasileira.

“A nossa paixão pelo Brasil se expressa em ver a queda da desigualdade, ver o fortalecimento do emprego, da renda, a redução da diferença entre negros e brancos no IDHM, entender que a criança que nasce em Roraima precisa ter a igualdade e oportunidade com a criança que nasce em São Paulo, que o jovem que ingressa na universidade em Goiás tem igualdade e oportunidade com o jovem que sonha em ingressar na universidade em outro estado da federação”, concluiu Olavo.

Fotos: Marcos Paulo Cornélio