A ampliação do uso de soluções de inteligência artificial para aumentar a competitividade do setor produtivo esteve no centro da agenda da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) nesta quarta-feira (05). Durante visita ao Porto Maravalley, hub de tecnologia e inovação localizado na região portuária do Rio de Janeiro, representantes da Agência discutiram novas oportunidades para expandir o Rio.IA, iniciativa que conecta startups, empresas, universidades e investidores no desenvolvimento de tecnologias estratégicas para a indústria.
Entre os temas debatidos está a ampliação da atuação do Rio.IA para áreas estratégicas como saúde, robótica e fertilizantes, entre outras, em consonância com a Nova Indústria Brasil (NIB). Atualmente, o projeto já apoia o desenvolvimento de soluções baseadas em inteligência artificial voltadas aos desafios da indústria nacional.
“Aqui já fazemos um trabalho de apoio a soluções inovadoras para a indústria, e agora ele ganha uma nova dimensão para o Complexo Econômico-Industrial da Saúde. A ABDI está desafiada a participar ativamente desse processo”, comenta o presidente da Agência, Olavo Noleto.
Lançado no ano passado, fruto de parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro e a PUC-Rio, por meio do Instituto ECOA, o hub de inteligência artificial e de desenvolvimento de tecnologias estratégicas tem o objetivo de transformar desafios produtivos em soluções escaláveis de inteligência artificial.
“Estamos pensando agora em como ampliar o projeto para a área da saúde. Queremos fazer com que o Complexo Econômico-Industrial da Saúde seja um motor do desenvolvimento industrial fluminense e do Brasil”, afirma o diretor-executivo do Rio.IA, Leonardo Melo.
Em junho, a ABDI premiou as oito startups vencedoras do Programa de Inovação Aberta do Rio.IA 2026. O reconhecimento ocorreu durante o Web Summit, também no Rio de Janeiro. Cada startup desenvolverá uma prova de conceito (PoC) com foco no aumento da competitividade e da produtividade do setor industrial.
“O Rio.IA pode acelerar e ampliar, cada vez mais e estrategicamente, a forma como a tecnologia da informação e a inovação podem ajudar o setor industrial a melhorar sua produtividade, competitividade e eficiência. Estamos discutindo oportunidades para o país, contribuindo com a política industrial nacional”, explica a gerente da Unidade de Difusão de Tecnologias da ABDI, Isabela Gaya.
Para o diretor do Instituto ECOA PUC-Rio, Rafael Nasser, as universidades e os centros de pesquisa precisam participar da articulação entre as necessidades da indústria e as capacidades produtivas. “Para a universidade, fazer parte dessa articulação é fundamental, avançando tanto na pauta de produtividade para a indústria quanto fazendo escolhas estratégicas de como o Brasil pode se diferenciar em uma visão internacional”, ponderou.
O presidente Olavo Noleto e a gerente Isabela Gaya visitaram ainda as instalações do IMPA Tech, programa de graduação do Instituto de Matemática Pura e Aplicada, instalado no Porto Maravalley. O local oferece formação transdisciplinar orientada à aplicação da matemática em áreas como ciência de dados, computação, tecnologia e inovação.
“Foi muito importante a visita da ABDI aqui no Rio.IA para podermos pensar como trazer a inovação para servir a indústria nacional”, pontuou o secretário municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro, Gabriel Medina de Toledo.
Foto: João Miguel/ABDI