A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) participou nesta terça-feira (11/8) do evento Elas em Ação, realizado em Brasília, com a presença da diretora Neide Freitas no painel “Fomento, financiamento e desenvolvimento produtivo”. O encontro reuniu representantes da gestão pública, de entidades de apoio aos pequenos negócios, do desenvolvimento produtivo e da inovação para discutir como políticas públicas e instrumentos econômicos podem ampliar as oportunidades para mulheres empreendedoras e gestoras.
Moderado por Luana Torres, assessora da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), o painel abordou temas como acesso ao crédito e às garantias, capacitação, educação, inovação, tecnologia, acesso a mercados e os desafios para o crescimento e a escala dos negócios liderados por mulheres.
O debate também tratou da necessidade de fazer com que as políticas públicas cheguem efetivamente às empreendedoras, criando condições para que elas não apenas iniciem seus negócios, mas consigam crescer, inovar, gerar oportunidades e ocupar espaços de decisão.
Ao falar sobre os caminhos para que mulheres conquistem reconhecimento e ocupem posições de liderança, Neide destacou a preparação e o domínio técnico como elementos fundamentais, especialmente em ambientes ainda marcados pela presença masculina.
Para a diretora da ABDI, conhecimento e formação dão segurança para que as mulheres tenham autoridade e liberdade para participar dos processos de decisão.
“Para que a gente tenha autoridade, para que a gente tenha voz, para que a gente tenha liberdade de ter essa voz, é preciso que a gente domine muito bem o conteúdo. Então, eu acredito que ter preparação e formação é libertador”, analisou. “Porque você sabe que entende do que está sendo feito ali, que você entende que tem condição de apresentar as melhores saídas e soluções para aqueles problemas.”
Neide também ressaltou a importância da capacidade de transitar entre diferentes ambientes e linguagens para construir soluções. Mulheres que atuam na articulação entre indústria, academia e governo, observou, precisam compreender as diferentes perspectivas e estabelecer conexões entre elas.
A diretora da ABDI defendeu, ainda, novas formas de exercer liderança sem necessariamente reproduzir modelos tradicionais de poder.
“Acho que a gente precisa ter coragem de ser disruptiva no sentido de que a gente pode exercer liderança e autoridade com novas formas de exercer esse poder. A gente não precisa repetir as formas que nos trouxeram até aqui. A gente pode inaugurar uma nova forma de exercer poder e a gente pode exercer a nossa própria forma de liderar”, destacou.
Ocupar espaços de decisão também envolve uma responsabilidade de ampliar as oportunidades para outras mulheres, acrescentou a diretora. “Sentar na mesa não é só representatividade, ela é também representatividade, mas ela é liderar sabendo exatamente, tendo consciência de quem você pode trazer para essa mesa junto com você e de quem você vai preparar e quer que sente nela depois de você”, afirmou, antes de defender que ampliar a presença feminina na liderança significa também preparar novas mulheres para ocupar esses espaços.

Mudança cultural
A presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Fernanda Pacobahyba, destacou que a autonomia econômica das mulheres precisa ser construída para além do acesso ao crédito, com investimentos em educação, formação e qualificação.
Segundo ela, a mudança cultural é fundamental para acelerar a redução das desigualdades de gênero. “Então, você investe em mudança de cultura, em política educacional. Isso precisa estar, sim, sendo debatido”, afirmou, acrescentando também a importância das creches como instrumento de apoio à independência das mulheres.
Obstáculos para financiamento foram igualmente tratados no debate pela superintendente do Sebrae no Distrito Federal, Rose Rainha. Para ela, a permanência das barreiras de acesso ao crédito exige políticas públicas capazes de enfrentar essas desigualdades.
Apesar dos avanços na participação feminina nos negócios, Rose lembrou entraves que dificultam o crescimento das empresas lideradas por mulheres. “Tem estudo do Banco Central que mostra que a mulher, apenas pelo fato de ser mulher, ela já começa pagando 4% a mais de juros”, afirmou.
Para a superação desta e de outras dificuldades, a superintendente do Sebrae defendeu que a construção de soluções passe pela articulação entre mulheres, poder público e representantes do Legislativo.
Qualificação e busca ativa
A subsecretária de Fomento ao Empreendedorismo da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda do Distrito Federal (SEDET/DF), Kássia Buscacio, por sua vez, ressaltou a importância da qualificação e da busca ativa pelas oportunidades disponíveis.
As empreendedoras, disse, precisam conhecer instrumentos de apoio, aprender a precificar seus produtos e serviços e buscar mecanismos de fomento para fazer seus negócios avançarem. “Você tem um sonho, você tem um projeto, coloca esse projeto no papel, vá ter uma OSC, apresente junto com os termos de fomento de emenda parlamentar, ou mesmo dentro da secretaria. Vai lá e apresente para a gente”, afirmou.
Ao retomar a discussão sobre acesso a oportunidades, a diretora da ABDI Neide Freitas ressaltou que a existência de recursos não é suficiente para garantir que as empreendedoras consigam acessá-los e utilizá-los para fazer seus negócios avançarem. Para ela, é necessário combinar crédito com preparação técnica, capacitação e instrumentos que aproximem as empreendedoras das oportunidades disponíveis.
“O problema do crédito é projetos que se conectem com as linhas de crédito. E por que a gente não tem esse casamento? Porque muitas vezes as pessoas desistem no meio do caminho. E muitas vezes porque nós, formuladores de políticas públicas, não entendemos que precisamos ter aqui, não adianta só ter o dinheiro, a gente precisa ter também uma preparação”, afirmou.
Na avaliação da diretora, ampliar o acesso às oportunidades exige também confiança, resiliência e disposição para buscar caminhos. Neide defendeu que mulheres apoiem e incentivem outras mulheres, fortalecendo redes capazes de contribuir para o desenvolvimento dos negócios e para a ocupação de novos espaços de liderança.
O painel reforçou, assim, que fomentar o empreendedorismo feminino vai além da oferta de recursos financeiros. O debate apontou para a necessidade de articular políticas públicas, capacitação, acesso a mercados, inovação, tecnologia e instrumentos de financiamento para transformar o potencial de mulheres empreendedoras em oportunidades concretas de crescimento, autonomia econômica e desenvolvimento.
[MM1]Podemos tirar essa.. Avaliar