Manaus sediou, nesta sexta-feira (14), mais uma edição do Conexões Produtivas – Oportunidades para a Indústria no Acordo Mercosul-União Europeia. Realizado no Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), no Distrito Industrial de Manaus, o evento, promovido pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), reuniu representantes do governo, de instituições de apoio ao desenvolvimento e do setor produtivo para debater oportunidades de internacionalização, ampliação de mercados e o potencial da Amazônia no cenário global.
A programação contou com a participação do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e do ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, que abordaram perspectivas para a ampliação dos negócios associados à bioeconomia e para a inserção internacional de produtos da Amazônia.
Durante o encontro, Márcio Elias Rosa destacou o momento positivo da indústria e do comércio exterior brasileiros e apontou a Amazônia como uma nova fronteira de oportunidades para exportação. Segundo o ministro, o mercado europeu representa uma oportunidade concreta para produtos da região, especialmente aqueles relacionados à bioeconomia.
Ao defender a diversificação dos destinos das exportações brasileiras, o ministro ressaltou o potencial do acordo entre os blocos para ampliar a presença de produtos nacionais no exterior.
“O acordo Mercosul-União Europeia não é uma ficção, é uma realidade”, afirmou.
Dados apresentados pela ApexBrasil indicam a existência de 242 oportunidades de exportação do Amazonas para a União Europeia. Em 2025, empresas amazonenses exportaram US$ 199 milhões para países do bloco, enquanto 112 empresas do estado mantiveram relações comerciais com o mercado europeu.
Além das perspectivas abertas pelo acordo, a programação abordou estratégias de diversificação de mercados, preparação para a exportação e oportunidades relacionadas à bioeconomia e à sociobiodiversidade.
Na abertura do evento, o presidente da ABDI, Olavo Noleto, destacou a importância de uma política industrial conectada à capacidade produtiva nacional e voltada para a geração de oportunidades concretas para as empresas. Segundo ele, o fortalecimento das cadeias produtivas depende do reconhecimento das vocações regionais e da articulação entre diferentes instituições.
“Ter política industrial não é discurso, é você ter clareza de que cadeias produtivas podem ser competitivas para ganhar mercado e gerar emprego de qualidade no Brasil.”
Olavo Noleto também ressaltou a atuação conjunta da ABDI, da ApexBrasil e de outras instituições para aproximar as empresas dos instrumentos de apoio e das oportunidades disponíveis. De acordo com ele, o Conexões Produtivas foi criado justamente para ampliar o conhecimento do setor produtivo sobre a política industrial, os acordos comerciais e os mecanismos de fortalecimento da indústria brasileira.
O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, destacou o potencial do mercado europeu para produtos da Amazônia, especialmente os ligados à bioeconomia e à sociobiodiversidade, e afirmou que a agência atua para aproximar empresas brasileiras de compradores internacionais.
Durante a agenda, 13 compradores de 12 países participaram de rodadas de negócios com 42 empreendimentos da Amazônia Legal. Segundo Müller, as negociações já resultaram em R$ 14 milhões em negócios, além da expectativa de novas parcerias e contratos. O presidente da ApexBrasil também defendeu a qualificação dos empreendimentos da região para que possam aproveitar de forma mais ampla as oportunidades do mercado internacional.
“É isso que a Europa valoriza e é disso que nós estamos falando dessas grandes oportunidades”, afirmou Müller, ao destacar a demanda europeia por produtos amazônicos associados à sustentabilidade.
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, destacou ações para ampliar a bioeconomia e inserir produtos da biodiversidade brasileira nos mercados internacionais.
Entre as iniciativas adotadas pelo governo federal, Capobianco ressaltou a aprovação do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), do plano de promoção dos povos e comunidades tradicionais envolvidos no processo da bioeconomia e da Taxonomia Sustentável Brasileira. O objetivo, segundo o ministro, é garantir que a riqueza gerada a partir dos recursos da biodiversidade beneficie diretamente as populações que vivem e atuam nos territórios.
“Nós queremos que essa atratividade econômica privilegie a produção, a melhoria de emprego, a geração de renda, a geração de impostos qualificados na Amazônia, no Cerrado, na Mata Atlântica, na Caatinga, no Pantanal e no Pampa. Que seja uma atividade em que o Brasil não vá pegar esses recursos biológicos e simplesmente exportá-los como matéria bruta. Ao contrário, queremos processamento, industrialização e agregação de valor no nosso território, envolvendo a sociedade que protege e produz esses ativos”, afirmou.
Capobianco destacou ainda que a realização do encontro no Centro de Bionegócios da Amazônia simboliza a consolidação de uma estratégia construída nos últimos anos para transformar a biodiversidade brasileira em uma frente de desenvolvimento econômico sustentável.
O diretor-geral do CBA, Márcio de Miranda Santos, reforçou a importância de aproximar o Centro do ambiente de negócios e de criar condições para transformar os ativos da biodiversidade em produtos, empreendimentos e oportunidades de geração de emprego e renda. Para ele, a realização do Conexões Produtivas no espaço representa mais um passo no processo de abertura do Centro para parcerias e para a interação com o setor produtivo.
“Abrir o Centro de Bionegócios da Amazônia para o ambiente de negócios permite a gente, de forma coletiva, gerar emprego, gerar renda a partir da utilização sustentável dos ativos da biodiversidade.”

Visita ao Centro de Bionegócios da Amazônia
Após participar do encontro, o presidente da ABDI visitou as instalações do Centro de Bionegócios da Amazônia, acompanhado do diretor-geral do CBA.
“O CBA é um grande exemplo do que a gente pode fazer no Brasil, na Amazônia. A gente pode unir o chamado setor produtivo com a ciência, com a tecnologia, com a inovação”, afirmou Noleto.
Segundo ele, o trabalho desenvolvido pelo Centro demonstra a capacidade de transformar conhecimento científico e biodiversidade em produtos, patentes e empregos qualificados gerados no próprio território.
“O CBA é nosso orgulho, é patrimônio do Brasil”, afirmou.
Márcio Santos também ressaltou a importância das parcerias institucionais para consolidar o CBA como um ambiente de negócios e inovação na Amazônia.
Agenda na Suframa
Ainda em Manaus, o presidente da ABDI realizou uma visita institucional à Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e participou da 324ª Reunião do Conselho de Administração da Suframa (CAS), que discutiu e deliberou sobre projetos industriais voltados ao desenvolvimento da região.
A agenda integrou a programação institucional da ABDI no Amazonas e teve como foco o fortalecimento do diálogo com instituições estratégicas e a construção de oportunidades para o desenvolvimento industrial, tecnológico e sustentável da região.