A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) participou, nesta terça-feira (25), do III Seminário de Desenvolvimento da Indústria Farmacêutica Nacional (DIFAN), promovido pela Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (ALANAC). O encontro reuniu representantes do governo, do setor produtivo e de instituições ligadas à saúde para discutir os desafios e as oportunidades para o fortalecimento da indústria farmacêutica brasileira.
No encerramento do seminário, o presidente da ABDI, Olavo Noleto, destacou a importância da articulação entre política industrial, financiamento, inovação e tecnologia para ampliar a competitividade da indústria nacional. Noleto ressaltou que a ABDI tem buscado ampliar o diálogo com diferentes cadeias produtivas e identificar oportunidades de parceria para fortalecer a indústria brasileira.
“Entre a política industrial e o financiamento, existe um caminho que nós vamos atravessar para fortalecer cada cadeia produtiva. E não à toa que a Missão 2 da NIB trata tão fortemente do Complexo Industrial da Saúde. O nosso trabalho tem como pauta única fortalecer a estratégia brasileira, a política industrial brasileira. NIB na veia, e a Missão 2 da NIB passa a ser nossa missão.”
O presidente da ABDI também apresentou iniciativas voltadas à modernização regulatória e ao aumento da eficiência no setor, com destaque para as parcerias firmadas com a Agência Nacional de Mineração (ANM) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ambas no âmbito do programa Destrava Brasil. Com a ANM, a colaboração envolve o uso de inteligência artificial para reduzir o tempo de análise dos processos minerários. A iniciativa já contabiliza mais de 40 mil documentos processados, demonstrando o potencial da tecnologia para ampliar a produtividade e dar celeridade aos procedimentos. Já a parceria com a Anvisa prevê a aplicação de inteligência de dados e automação em etapas relacionadas ao registro e pós-registro de medicamentos, com o objetivo de tornar os processos mais céleres e eficientes, sem comprometer os padrões de segurança.
Outra frente destacada foi a transformação digital da indústria. Noleto citou o trabalho desenvolvido pela ABDI com Biomanguinhos, por meio do MetaIndústria, na aplicação de gêmeos digitais para monitorar, simular e otimizar processos de produção de imunobiológicos.
“A gente já está com a IA, com a digitalização, apoiando, por exemplo, a planta industrial de Biomanguinhos. Então, a planta virtual que antecipa todo o processo produtivo da planta industrial de Bio-Manguinhos nós já estamos fazendo. Essa experiência de Bio-Manguinhos logo vai estar à disposição de toda a indústria brasileira.”
Para Noleto, a incorporação de tecnologias digitais à produção deve ser compreendida como parte da própria política industrial. A iniciativa com Bio-Manguinhos demonstra, na prática, como recursos como gêmeos digitais, inteligência artificial e análise de dados podem gerar ganhos de produtividade e previsibilidade em uma cadeia estratégica para o país.
Durante o encerramento, o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, destacou os resultados alcançados pela Agência na redução das filas de processos regulatórios e ressaltou o trabalho dos servidores da instituição. Segundo ele, a parceria com a ABDI tem potencial para gerar novos resultados para o país, especialmente na modernização dos processos e no apoio às políticas de desenvolvimento.
“A parceria nesse nível de proximidade entre a ABDI e a Anvisa vai trazer frutos para o país. A gente tem muito a entregar juntos e trabalhar de forma conjunta para atender toda a política de desenvolvimento do país que tem que ser implementada.”
Safatle também destacou avanços na agenda internacional da Anvisa e a abertura de novas oportunidades para a indústria farmacêutica brasileira. Ele citou o reconhecimento do registro sanitário brasileiro pelo México, que passou a permitir uma análise em prazo significativamente menor, como um avanço com potencial de facilitar a entrada de produtos nacionais em mercados estratégicos da América Latina. Para o diretor-presidente, a indústria brasileira tem padrão de qualidade competitivo internacionalmente e deve avançar na agenda de internacionalização.
“A indústria nacional se desenvolveu muito bem e tem um padrão de qualidade que é o melhor do mundo, entre os melhores do mundo. E agora é o momento de internacionalização.”
O presidente-executivo da ALANAC, Henrique Tada, ressaltou a importância dos avanços regulatórios e das oportunidades de financiamento para ampliar a produção nacional de medicamentos e fortalecer a capacidade de inovação das empresas. Segundo ele, a expansão fabril depende de linhas de financiamento mais atrativas e de condições que favoreçam a produção nacional, especialmente em segmentos nos quais o país ainda possui dependência de produtos importados.
Tada também destacou a perspectiva de ampliar a presença internacional das empresas farmacêuticas brasileiras. A partir dos avanços apresentados pela Anvisa, avaliou que o setor pode ganhar impulso para avançar na exportação e na internacionalização de empresas nacionais.
A agenda discutida durante o seminário está alinhada à Missão 2 da Nova Indústria Brasil (NIB), voltada ao fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), à redução das vulnerabilidades do SUS e à ampliação da produção nacional de medicamentos, vacinas, equipamentos, dispositivos médicos e insumos estratégicos.
A atuação da ABDI contribui para essa estratégia por meio de iniciativas voltadas à produtividade, inovação e incorporação de tecnologias avançadas. No setor farmacêutico, o MetaIndústria já atendeu empresas como Aché, Baxter, Bionovis, Bio-Manguinhos, EMS, Eurofarma, Libbs, entre outras.
Fotos: Thaís Holanda/ABDI