Escuta de Mercado dá início ao projeto Nuvem Brasileira

Escuta de Mercado dá início ao projeto Nuvem Brasileira

Iniciativa, que inaugura nova forma de atuar em parceria com o setor privado, abre espaço para o poder de compra do Estado promover inovação e construir a soberania digital do país

O Governo Federal deu o primeiro passo para a construção da Nuvem Brasileira na última quinta-feira, 3/9, com a realização de uma Escuta de Mercado que dialogou com atores do ecossistema de inovação nacional sobre o projeto para o desenvolvimento da solução de computação em nuvem destinada a ampliar a soberania digital do país.

Realizada na sede da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), a transmissão virtual foi conduzida pelo gerente da Unidade Hubtec da ABDI, André Rauen, com participações do assessor especial do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Felipe Guth, do gerente do Departamento de Entregas do Centro de Dados do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), Alexandre Improta, e do engenheiro de software do órgão, Gildomiro Bairros.

Rauen destacou aos cerca de 250 participantes da live a proposta da etapa da Escuta de Mercado: conhecer a capacidade dos fornecedores de soluções. “A gente quer ouvir vocês, avaliar a capacidade de entrega para, então, tomar a decisão. Por isso é tão importante ouvi-los”, observou.

Objetivos e demandas

Sem caráter vinculante e compromisso legal ou obrigacional por parte das instituições, a Escuta de Mercado buscou apresentar os objetivos e as demandas para a estruturação de soluções seguras de armazenamento e processamento voltadas à administração pública e alinhadas às necessidades do Estado brasileiro. Entre elas, aspectos técnicos como requisitos de arquitetura e controle e custódia nacional de chaves criptográficas em Infraestrutura como Serviço (IaaS).

A expectativa do governo com a soberania digital do Estado não se limita à garantia da residência dos dados. É esperado domínio sobre a tecnologia para que ele possa, assim, operar sua evolução.

“Não basta o Estado possuir acesso ao código-fonte. É preciso ter domínio da tecnologia para poder operar e evoluir com a plataforma”, disse Guth, antes de apontar para a necessidade de interoperabilidade da solução, cujo projeto tem foco em software.

“Não queremos criar um aprisionamento a uma tecnologia. Ela deve ser compatível com hardware de múltiplos fabricantes, evitando um ou poucos fornecedores.”

O assessor do MGI explicou o que se pretende com a Nuvem Brasileira: “a capacidade de escolha e de decisão que amplie o controle sobre os serviços de nuvem, garantindo, assim, que eles não sejam interrompidos em eventualidades futuras”.

Nuvem pública e de governo

A experiência do Serpro na gestão de nuvem é uma importante referência para o desenvolvimento do projeto. Alexandre Improta lembrou que o órgão tem mais de sete anos de história desde a nuvem pública, que está na camada mais baixa do gradiente, até a atual Nuvem de Governo. “Somos uma das poucas empresas do mundo que tem em sua organização as quatro grandes provedoras de nuvem. Isso nos deu possibilidade de avaliar os gaps, com visualização prática”, afirmou.

As nuvens atuais endereçam aspectos relacionados com a soberania de dados, garantindo, em muitos casos, a residência de dados críticos em território nacional, sob jurisdição brasileira, operados por órgãos ou empresas públicas e equipes nacionais.

A Nuvem Brasileira vai além, exigindo que as próprias tecnologias que compõem o ecossistema para prestação de serviços de computação em nuvem, especialmente de software, possam ser desenvolvidas, mantidas e evoluídas por instituições e equipes técnicas nacionais, sem depender amplamente de tecnologias estrangeiras ou de autorização e/ou cooperação de fornecedores estrangeiros.

Escutas individuais

As apresentações dos especialistas do MGI e do Serpro foram seguidas por perguntas dos participantes. Vale lembrar que as perguntas não respondidas durante a sessão serão respondidas e publicadas na plataforma da Nuvem Brasileira, nos próximos dias.

“Este é um esforço inédito de parceria entre instituições federais que estão ligadas ao desenvolvimento de tecnológico nacional, ABDI, MGI, BNDES, Serpro, e isso significa que a gente está em um nível inédito de comando, controle e coordenação política no qual precisamos debater internamente antes de apresentar as respostas, imediatamente”, explicou Rauen.

Encerrada a etapa de escuta coletiva, a organização do projeto realizará interações individuais entre os dias 8 e 25/9 – os pedidos de participação poderão ser feitos até 24/09.

A não participação em qualquer fase do processo, inclusive na audiência da quinta-feira (03), não terá consequências para a empresa em um eventual processo e seleção.

Uma vez conhecidas as possibilidades de oferta da indústria nacional, as informações nortearão a escolha do instrumento contratual mais adequado para estabelecer a parceria para a solução em nuvem, que deverá ser desenvolvida em território brasileiro.

Para mais informações e inscrições, acesse o questionário disponível na página do projeto.

Para assistir à íntegra do vídeo e ter acesso à apresentação da Escuta Coletiva, clique aqui.

Poder de Compra do Estado

A iniciativa de construção da Nuvem Brasileira inaugura uma nova forma do Estado atuar em parceria com o setor privado e abre espaço para fomentar uma tecnologia que, além de uma necessidade do governo, é uma oportunidade para o mercado brasileiro.

A atuação do Hubtec – Escritório de Compras Públicas para Inovação como assessoria técnica do Projeto Nuvem Brasileira reforça a condição da ABDI de referência nacional no uso estratégico dos instrumentos de compras do Estado para induzir inovação, desenvolvimento tecnológico e fortalecimento da indústria brasileira.