A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) reforçaram, nesta quinta-feira (25/9), em São Paulo, a agenda de inovação e transformação tecnológica da indústria brasileira. O tema foi discutido durante reunião do Comitê de Líderes da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), organizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com foco, nesta edição, em tecnologias de alto impacto e minerais críticos.
Após a abertura do encontro pelo presidente da CNI, Ricardo Alban, o ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, destacou a representantes do setor produtivo, da academia e do governo que a incorporação de novas tecnologias deve estar no centro da política industrial brasileira. Ele defendeu o uso de instrumentos do Estado capazes de acelerar sua adoção pelo parque industrial, citando como exemplos as compras governamentais e as encomendas tecnológicas.
“A política industrial que nós vamos ter que conceber daqui para frente haverá que ter como ponto central a incorporação dessas novas tecnologias da inovação e o uso de instrumentos do Estado para garantir que nós tenhamos projetos de alto impacto tecnológico”, afirmou.
O ministro também destacou a Nova Indústria Brasil (NIB) como uma política construída a partir de missões e desafios que alcançam diferentes setores e cadeias produtivas. Segundo ele, a política industrial brasileira deve combinar inovação, modernização do ambiente de negócios e mecanismos capazes de reduzir incertezas, além de estimular a transformação tecnológica da indústria.
“O mérito da NIB foi ter construído a política a partir do diálogo dentro da CNI. E é isso que nós temos que exigir que continue sendo feito. Esse é o caminho possível e legítimo para a construção de uma política pública: o diálogo com a academia e diretamente com o setor produtivo.”

Presidente da ABDI, Olavo Noleto, fala na reunião do MEI, em São Paulo
ABDI amplia atuação em inovação e inteligência
Também presente na reunião, o presidente da ABDI, Olavo Noleto, informou que os profissionais da Agência têm todas as condições para intensificar a cooperação com o MDIC e a CNI em iniciativas de desenvolvimento tecnológico, transformação digital e produção de inteligência para a indústria. “Coloco à disposição o corpo técnico da ABDI, que é fantástico, de alto nível, para aprofundar ainda mais a parceria com as instituições”, disse.
O presidente também apresentou o MetaIndústria, programa da ABDI voltado a reduzir os riscos da transformação digital por meio da aplicação prática de tecnologias da Indústria 4.0. Nos dois laboratórios da iniciativa, localizados em São Caetano do Sul (SP) e São Leopoldo (RS), representantes do setor produtivo podem conhecer aplicações reais, testar soluções e estruturar projetos antes de levá-los para suas próprias fábricas. A intenção, segundo Noleto, é ampliar a quantidade desses laboratórios no país.
Outra frente apresentada foi a parceria da ABDI com a Agência Nacional de Mineração (ANM), no âmbito do Destrava Brasil, voltada à modernização e ao aprimoramento dos processos da Agência. O trabalho envolve o mapeamento e a padronização de fluxos e normativos e o uso de inteligência artificial para apoiar a análise de processos e a elaboração de laudos.
Até o momento, foram analisados 40 mil processos, com 92% de acurácia, a partir da solução de IA desenvolvida para a agência reguladora. A expectativa é ampliar a eficiência dos processos e contribuir para a criação de condições mais favoráveis à expansão dos investimentos no setor mineral.
Olavo Noleto adiantou ainda que a ABDI vem estruturando uma plataforma de inteligência para o setor mineral, reunindo estudos e ferramentas de apoio técnico ao governo. Alguns desses estudos são sobre refino de lítio, materiais para baterias, terras-raras e ímãs, além de outras iniciativas para ampliar a capacidade técnica do governo na área.
A programação também teve espaço para a discussão sobre minerais críticos e seus impactos para a indústria. O professor da Unicamp, Luciano Coutinho, apresentou um estudo sobre tendências tecnológicas e seus efeitos sobre o setor produtivo, seguido pelo economista Caique Souza, consultor associado da Vallya, que tratou de uma pesquisa sobre o potencial dos minerais críticos para o desenvolvimento industrial. Vicente Mello, vice-presidente sênior da Aecom, falou sobre a relação entre minerais críticos e desenvolvimento sustentável e o CEO da Companhia Brasileira de Lítio (CBL), Vinicius Alvarenga, sobre a atuação da empresa na cadeia de minerais críticos.
MEI
A Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) reúne representantes de mais de 300 empresas, institutos de pesquisa e universidades e tem a missão de fazer com que a inovação seja um pilar estratégico do setor produtivo. O grupo empresarial também contribui com propostas e recomendações para aperfeiçoar as políticas públicas de ciência, tecnologia e inovação (CT&I).
Fotos: Augusto Coelho / CNI