“Precisamos mudar o drive do desenvolvimento econômico da região amazônica, modernizar e aprimorar a indústria e alinhar ao eixo sustentabilidade, respeitando as capacidades e vantagens locais.” A declaração foi feita hoje (26/8) pelo presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Igor Calvet, durante o debate online realizado como parte dos encontros preparatórios ao Fórum Amazônia +21. O encontro reuniu, ainda, o embaixador da União Europeia no Brasil, Ygnacio Ibáñez; Morgan Doyle, representante do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento); e Petrônio Duarte Cançado, diretor de Crédito e Garantia do BNDES. A moderação foi do presidente da Federação das Indústrias de Rondônia, Marcelo Thomé.
Igor Calvet destacou o papel da inovação para o desenvolvimento do país e os avanços nesta área alcançados pelas startups e empresas em tempos de pandemia. Para ele, a forma de fazer desenvolvimento sustentável passará pela inovação. “A manufatura está posta como modelo de desenvolvimento da região amazônica, mas precisamos dar um passo adiante, levando instrumentos da indústria 4.0, difundir novas tecnologias e incentivar os ecossistemas locais de inovação”, afirma.
Para Ignacio Ibáñez, a pandemia de coronavírus apresenta um desafio a governos e sociedade de rever a relação com o meio ambiente e o modo de vida. “A união Europeia sustenta que é preciso lançar um pacto verde, um pacto pela sustentabilidade nos seus três pilares: econômico, ambiental e social”. Ibáñez apontou o Brasil como um parceiro estratégico da União Europeia, como uma grande potência da biodiversidade mundial. “Temos uma parceria há muitos anos com o Brasil, muitas empresas europeias investindo no país por acreditar no potencial do Brasil nessas duas frentes: ambiental e digital.”
Pelo BNDES, Petrônio Duarte Cançado lembrou a capacidade de preservação do país e o papel da Amazônia nestes números. Também destacou o contexto social da região, que reúne um “tesouro” da biodiversidade e, ao mesmo tempo, 30 milhões de pessoas que vivem com os piores Índices de Desenvolvimento Humano do país. “Somos cada vez menos só um banco de crédito e nos aproximamos mais do papel de articulação entre órgãos de pesquisa, blocos econômicos outros bancos internacionais para que juntos busquem soluções e promovam o desenvolvimento da Amazônia levando em consideração quem vive na região.” Petrônio destacou as ações do Banco em projetos de saneamento em estados como Rondônia e Acre.
Morgan Doyle aponta a questão da integração do comércio e da infraestrutura como cruciais para criar um mercado mais amplo e para criar oportunidades para a população se desenvolver, e o BID tem mantido diálogo com os países que compõem o bioma. Segundo estudos do Banco e da OIT, zerar a emissão de carbono no Brasil geraria 7 milhões de empregos. “É preciso não aumentar o uso da floresta, mas estancar os desmatamentos e utilizar as áreas desmatadas com mais eficiência”, afirma.
Do saneamento à conectividade
“Temos que lidar no país, hoje, com questões de infraestrutura do século 19, 20 e 21, do saneamento à conectividade. E tudo tem que acontecer junto”, destacou Igor Calvet. “Discutimos o Marco do Saneamento ao mesmo tempo em que falamos de leilão de 5G. É um quadro desafiador.”
Para enfrentar os desafios da infraestrutura, Ibáñez afirmou o interesse de cooperação da União Europeia no Brasil, e que a imagem do Brasil, apesar das queimadas e desmatamentos, ainda é positiva pelas ações de preservação e demonstrações de preocupação, como a criação do Conselho da Amazônia. Pelo BID, Doyle citou parcerias com o BNDES, Caixa, Banco do Brasil, Ministério da Economia, Minas e Energia e Anatel. “A conectividade é fundamental para puxar a fronteira da produtividade.”
Barreiras na região
Além da integração da infraestrutura – logística, energética, de conectividade -, a qualificação profissional na economia digital foi apontada por Igor Calvet como barreira ao desenvolvimento do potencial amazônico, de maneira sustentável. Outras questões levantadas pelos painelistas foram a desconfiança do interesse internacional no bioma, custos de financiamento e as barreiras de conhecimento, pesquisa, logística e difusão de oportunidades.
Sobre o Fórum
Este foi o segundo momento de diálogo preparatório do Fórum Internacional Amazônia+21, evento que se dará de forma virtual de 4 a 6 de novembro de 2020. A ideia é encontrar as melhores soluções para o desenvolvimento sustentável da região amazônica. O evento é promovido pela FIERO, em conjunto com a Prefeitura de Porto Velho, através da ADPVH, com correalização da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e Instituto Euvaldo Lodi (IEL), com patrocínio da ABDI e outras instituições.
Assista ao evento: