Conexões Produtivas leva ao Rio debate sobre competitividade e oportunidades para a indústria

Conexões Produtivas leva ao Rio debate sobre competitividade e oportunidades para a indústria

Encontro promovido pela ABDI e pela ApexBrasil apresentou alternativas de inovação, internacionalização e desenvolvimento para empresas fluminenses

A produtividade da indústria brasileira e a busca por novos mercados no comércio internacional estiveram entre os principais temas de mais uma edição do Conexões Produtivas: Oportunidades para o Desenvolvimento da Indústria Brasileira, realizado nesta quinta-feira (8/10), na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), no centro da capital fluminense.

O encontro reuniu representantes do Governo Federal, lideranças empresariais e instituições de apoio à indústria, com participação do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e dos presidentes da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Olavo Noleto (foto), e da ApexBrasil, Laudemir Müller.         

No primeiro painel do evento, Márcio Elias Rosa destacou que o país vive um momento de fortalecimento com a Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial lançada em 2024, mas que ainda enfrenta obstáculos importantes para elevar a produtividade e ampliar a competitividade. “O Brasil atravessa um momento peculiarmente bom, mas severamente desafiador”, pontuou.

O ministro afirmou que a agenda atual não se limita à retomada da indústria tradicional, mas envolve uma neoindustrialização baseada em digitalização, inovação, sustentabilidade, segurança alimentar e maior inserção no comércio exterior. Nesse contexto, destacou os R$ 755 bilhões previstos no âmbito da NIB para apoiar investimentos.

Márcio Elias Rosa também citou o programa Brasil Mais Produtivo, voltado à transformação digital das empresas brasileiras. Segundo ele, o programa atende 134 mil empresas, com estimativa de ganho de produtividade de cerca de 28% entre as empresas capacitadas. O ministro também citou o Programa Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), a retomada da agenda de semicondutores e o potencial de investimentos de R$ 24 bilhões no setor até 2035.

Em sua fala a empresários, o ministro ressaltou ainda a importância da ABDI para a agenda de transformação da indústria. Ao mencionar a atuação da Agência, afirmou que a instituição é “absolutamente fundamental” para o desenvolvimento industrial e para a indústria 4.0.

Olavo Noleto, por sua vez, observou que o interesse demonstrado pelas empresas pelos instrumentos de política industrial revela a capacidade de investimento do setor produtivo brasileiro.

O presidente da ABDI citou, como exemplo, a ampliação dos recursos do Plano Mais Produção, que passaram de uma previsão inicial de R$ 300 bilhões para R$ 800 bilhões, como evidência da demanda da indústria por crédito e instrumentos de apoio capazes de sustentar investimentos.

“Isso não mostra a força do governo, mostra a força do setor produtivo, que foi lá pegar esse dinheiro, que acreditou na estratégia, na política industrial, e está investindo no Brasil”, afirmou. O desafio agora, segundo ele, é transformar esse movimento em ganhos efetivos de competitividade.

Para Olavo, a atuação da Agência está diretamente relacionada a esse desafio por meio de iniciativas de mapeamento de cadeias produtivas, inteligência, assistência às empresas e difusão de tecnologias. “Nós sabemos que ganhar produtividade é fundamental para podermos acessar novos mercados”, afirmou. Esse processo, acrescenta, depende de conhecimento, inovação e capacidade de transformar recursos em soluções aplicadas à produção.

Ministro Márcio Elias Rosa fala em painel do Conexões Produtivas, na Firjan (foto: Rossana Fraga)

Acesso a mercados

Um levantamento apresentado pela ApexBrasil durante o encontro identificou 602 produtos com oportunidades de exportação no estado do Rio de Janeiro. As informações oferecem subsídios estratégicos para empresas interessadas em ampliar a atuação internacional e acessar o mercado europeu.

“A ordem que o Brasil está trabalhando é diversificar, buscar novos mercados, continuar negociando”, afirmou o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller.

No Rio de Janeiro, segundo ele, a ApexBrasil já apoiou 1,1 mil empresas em atividades de exportação. O estado possui uma base industrial diversificada, que inclui, além de óleo e gás, setores como moda, metalmecânico, automotivo, alimentos e bebidas, indústria criativa, cinema, games e software.

Müller lembrou que o Brasil saiu de um déficit de US$ 855 milhões com a União Europeia (UE) no ano passado para um superávit superior a US$ 3 bilhões neste ano. Ao mesmo tempo, a redução de US$ 1,9 bilhão nas exportações para os Estados Unidos foi acompanhada por aumentos de US$ 7,4 bilhões nas vendas para a Europa e de US$ 3,8 bilhões para a Índia.

Rio: oportunidades pouco exploradas

O vice-presidente da Firjan CIRJ, Rodrigo Santiago, reforçou que a diversificação de mercados e parceiros ganhou importância diante da instabilidade do comércio global e destacou o potencial do Acordo Mercosul-União Europeia para a indústria fluminense.

A UE é o segundo maior parceiro comercial do Rio de Janeiro. A corrente de comércio com o bloco inclui cerca de US$ 10 bilhões em exportações e quase US$ 7 bilhões em importações. Segundo Santiago, porém, o estado ainda está distante de aproveitar todo o potencial dessa relação comercial.

Para o dirigente, uma das oportunidades está justamente na diversificação da pauta industrial fluminense. “Quando a gente pensa em Rio de Janeiro, a gente pensa só em óleo e gás”, afirmou, destacando que outros segmentos da base industrial do estado também podem ampliar sua presença no mercado europeu.

A ABDI e ações para a indústria fluminense

A atuação da ABDI no estado do Rio de Janeiro também foi apresentada durante o encontro pelo analista de Produtividade e Inovação da Agência, Thiago Mendes Lima. No painel sobre Indústria 4.0, ele apresentou iniciativas voltadas à adoção de tecnologias, ao aumento da produtividade e à conexão entre empresas, universidades e ecossistemas de inovação.

Um dos projetos apresentados foi o Rio.IA, hub de inovação em inteligência artificial instalado no Porto Maravalley em parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro e a PUC-Rio. A iniciativa conecta indústria e startups para desenvolver soluções de IA aplicadas a problemas reais.

Em 2026, oito startups foram premiadas no edital do projeto, com R$ 640 mil destinados ao desenvolvimento de provas de conceito, além de mentoria e acompanhamento técnico do Instituto ECOA, da PUC-Rio. 

Thiago também apresentou os resultados do projeto MetaIndústria na Fiocruz, onde o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) utiliza uma rede privada 5G para monitorar, em tempo real, equipamentos envolvidos na produção de vacinas. A solução permite identificar falhas imediatamente e reduzir o desperdício de insumos, em uma aplicação relacionada às missões 2 e 4 da Nova Indústria Brasil.

Outra iniciativa é a Estratégia Cadeia 4.0, desenvolvida pela ABDI em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Fundação Euclides da Cunha (FEC). O projeto atua em Niterói, Maricá e Itaboraí, no Leste Fluminense, com metodologias para avaliar a maturidade digital das empresas e identificar vocações produtivas, capacidades locais e oportunidades de desenvolvimento de arranjos produtivos locais. 

Durante o painel, o analista da ABDI também apresentou o Desafio de Inovação – Conexões Produtivas, lançado pela Agência para selecionar e premiar soluções tecnológicas digitais capazes de enfrentar desafios territoriais e produtivos e impulsionar a transformação digital e a inteligência artificial. As inscrições estão abertas até 23/10 para pessoas jurídicas sediadas no Brasil, incluindo empresas e startups, que tenham soluções em fase de validação vinculadas a uma das cinco temáticas da NIB.

Oportunidades

O Conexões Produtivas é uma iniciativa da ABDI e da ApexBrasil, em parceria institucional com Sebrae, INPI, Inmetro e BNDES, que percorre diferentes regiões do país para aproximar empresas, governo e instituições de apoio e apresentar oportunidades para o desenvolvimento da indústria brasileira. Antes do Rio de Janeiro, a agenda passou por São Paulo (SP), Itajaí (SC), Rio Branco (AC), Fortaleza (CE), Manaus (AM), Recife (PE) e Goiânia (GO).

Foto de capa: Júlio César Silva/MDIC