ABDI reúne lideranças do setor público para validar a nova Estratégia Brasileira de Transformação Digital

ABDI reúne lideranças do setor público para validar a nova Estratégia Brasileira de Transformação Digital

Oficina realizada nesta sexta-feira (6/11) integrou a agenda de formulação da E-Digital junto à Casa Civil e instituições da agenda de digitalização

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) reuniu, nesta sexta-feira (6/11), na sede da Agência, em Brasília, lideranças de diferentes órgãos e instituições do Governo Federal para discutir os rumos da transformação digital do Brasil nos próximos cinco anos. A Oficina de Lideranças da Agenda Digital integrou o processo de elaboração da nova Estratégia Brasileira para a Transformação Digital (E-Digital 2026–2031), conduzido pela Casa Civil da Presidência da República, que também preside o CITDigital — Comitê Interministerial para a Transformação Digital.

Ao longo do dia, os participantes discutiram a visão de futuro do Brasil digital, os princípios que devem orientar a estratégia, seus eixos prioritários e os mecanismos de governança necessários para garantir a coordenação e a continuidade das ações governamentais.

A oficina deu continuidade a um processo de participação e construção coletiva que incluiu consultas públicas, debates com especialistas e uma escuta estruturada do setor produtivo, coordenada pela ABDI com apoio técnico do Instituto Datasphere Initiative, na qual representantes de mais de duas dezenas de segmentos — de educação e agronegócio a cibersegurança, inteligência artificial e telecomunicações — compartilharam suas percepções sobre os desafios da digitalização no Brasil.

Um dos principais achados da consulta foi a ausência de uma estratégia clara para o digital e a falta de coordenação entre as diferentes pastas e entidades que atuam no tema.

Portal Investe Indústria Brasil

Ao abrir a oficina, o presidente da ABDI, Olavo Noleto, destacou o diagnóstico e citou o Portal Investe Indústria Brasil como exemplo de coordenação e articulação –coordenado pelo MDIC, com apoio técnico da ABDI e participação de instituições como BNDES, FINEP e EMBRAPII, o portal reúne intenções de investimento e gargalos de setores estratégicos em um único ambiente de governança.

“A consulta revelou características principais presentes nas entrevistas, como a ambição do empresariado brasileiro e dos setores industriais, que não querem ser apenas consumidores de tecnologias, mas também desenvolver e exportar tecnologia. Há o entendimento de que o Brasil pode mais, desde o agronegócio, que busca exportar não apenas commodities, mas também tecnologias de produção, até os segmentos de tecnologia embarcada, que têm condições de disputar mercado”, afirmou Noleto.

O secretário-adjunto de Articulação e Monitoramento de Políticas Sociais na Casa Civil, Rogério da Veiga, reforçou que o digital precisa ser tratado como setor econômico estratégico, com ações que fortaleçam as empresas brasileiras e ampliem a capacidade do país de influenciar as decisões tomadas nesses mercados.

“Aqui, existe uma questão de necessidade de articulação. O digital, por si só, é um setor econômico. Você tem semicondutores, software, inteligência artificial, que é um setor que exige investimento pesado, que gera empregos de qualidade e que tem uma grande disputa pela liderança. Nós temos que ter ações que fortaleçam as nossas empresas e um olhar de o que é estratégico para o Brasil.”



Uma estratégia para o futuro digital do Brasil

A E-Digital 2026–2031 pretende estabelecer uma visão integrada para a transformação digital do país, articulando desenvolvimento econômico, autonomia tecnológica, inclusão social e proteção de direitos.

As atividades da oficina combinaram apresentações técnicas, debates e dinâmicas de trabalho em grupos, com foco na identificação de lacunas e na priorização dos objetivos da estratégia.

Um dos temas centrais foi a governança da agenda digital. A natureza transversal da transformação digital exige articulação entre diferentes ministérios e instituições, mecanismos de acompanhamento e capacidade de manter prioridades de longo prazo.

Ao encerrar a programação, a gerente da Unidade de Transformação Digital da ABDI, Adryelle Pedrosa, destacou o alcance do trabalho realizado. “A escuta que ajudamos a conduzir vai muito além de subsidiar a nova estratégia digital do país. Ele também orienta os projetos e o portfólio da própria Agência, garantindo que nossa atuação esteja alinhada com os desafios reais da transformação digital no Brasil.”

ABDI conecta desenvolvimento produtivo e transformação digital

Além de apoiar tecnicamente a elaboração da E-Digital, a ABDI busca conectar as prioridades da estratégia aos desafios concretos da indústria e do setor produtivo brasileiro.

A atuação da Agência tem a meta de fortalecer a inteligência sobre o setor industrial, articular atores e instrumentos, promover a adoção de novas tecnologias pelas empresas, desenvolver competências para a economia digital e contribuir para a transição sustentável da indústria.

A participação da ABDI na construção da estratégia, portanto, não se limita à organização de debates e à produção de diagnósticos. Ela também poderá contribuir para transformar as prioridades nacionais em iniciativas concretas de desenvolvimento produtivo e inovação.

Próximos passos

As contribuições da oficina serão sistematizadas e encaminhadas à Casa Civil e ao CITDigital como insumos para o aperfeiçoamento da E-Digital 2026–2031. A minuta da estratégia, por sua vez, será submetida à consulta pública, o que permitirá à sociedade a apresentação de novas contribuições antes da consolidação do documento final, prevista para dezembro.

A expectativa é que a nova E-Digital oriente a articulação das políticas públicas voltadas à transformação digital brasileira, com o desafio de fortalecer a autonomia tecnológica do país, ampliar sua competitividade e assegurar que os benefícios da digitalização alcancem toda a sociedade.

Fotos: Marcos Paulo/ABDI