A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), por meio de seu Escritório de Compras Públicas para Inovação (Hubtec), encerrou nesta sexta-feira (16/10) a 2ª Oficina de Disseminação do Conhecimento, sediada na Universidade dos Correios, em Brasília. O evento capacitou gestores e analistas da estatal para a execução de Encomendas Tecnológicas (ETECs), marcando um avanço na adoção de modalidades especiais de compras pelo setor público.
Ao longo da semana de imersão, 30 colaboradores das áreas jurídica, de planejamento, inovação e contratação e dos Correios acompanharam trilhas teóricas e práticas. Com o auxílio da InovaCpin – plataforma aberta de sistematização e intercâmbio de informações sobre compras públicas para inovação –, os participantes detalharam e estruturaram o passo a passo necessário para a contratação de uma ETEC.
O encerramento do evento consolida as premissas estabelecidas no início dos trabalhos: transferir conhecimentos sobre práticas e procedimentos, compartilhar lições aprendidas e ampliar a capacidade de geração de valor na organização.
“A equipe técnica dos Correios, em especial o laboratório de inovação deles, sempre teve muita capacitação técnica, muita competência técnica, e essa participação na oficina de 16 horas/aula adicionou conhecimentos muito específicos e muito importantes para que eles colocassem em prática antigos projetos”, observou o gerente do Hubtec, André Rauen.
“Ou seja, eles têm agora ferramentas de gestão adequadas para fazer o enfrentamento que a realidade do século XXI impõe à empresa deles, que tem mais de três séculos. Então, a ABDI conseguiu cumprir o seu papel de trazer para eles a capacitação necessária para promover transformação digital.”
Segundo a analista de Produtividade e Inovação da ABDI, Glaucia Mendes, o saldo dos quatro dias reforça o sucesso do convênio firmado entre as duas entidades e representa um passo fundamental para a modernização da estatal. “Durante esses quatro dias, com o suporte da plataforma InovaCpin, percorremos todo o fluxo das encomendas tecnológicas: desde a descrição do desafio e o mapeamento de mercado até a gestão de riscos e o início do contrato de fornecimento”, explicou.
“Deixamos aqui uma semente e o legado de um trabalho de modernização que já desenvolvemos há dois anos com a estatal. É um apoio que visa aumentar a competitividade da instituição e formar um capital humano preparado para enfrentar os desafios da gestão pública, adquirindo soluções para problemas reais dos Correios e da sociedade.”
Processos e fluxos internos
O superintendente executivo de Planejamento e Capacidade Operacional dos Correios, Frank Schneider, celebrou o resultado das dinâmicas e o engajamento da equipe. Segundo ele, o evento cumpriu o propósito de aplicar a teoria à realidade da estatal por meio do desenho de processos e fluxos internos.
“Acreditamos muito no poder transformador da inovação, mas sabemos que ela não acontece de forma automática; exige capacitação, engajamento, propósito e estratégia. O objetivo deste treinamento foi unir as áreas envolvidas no processo para atualizar nosso know-how e o conhecimento sobre os normativos de contratação de inovações tecnológicas. Nosso propósito é garantir que a organização possa alavancar essas soluções, alinhando as equipes tecnicamente e reforçando a importância do tema para o futuro dos Correios.”
O economista dos Correios, Ricardo Luiz, participou da imersão e ressaltou a importância da oficina e do aprendizado obtido. “O treinamento foi muito disruptivo. A troca com a equipe da ABDI trouxe um conhecimento ímpar sobre encomendas tecnológicas e nos mostrou como aplicar, na prática, essa realidade em uma instituição secular como os Correios”, afirmou. “É um passo essencial para continuarmos inovando e oferecendo serviços que de fato atendam às demandas da população.”
Sobre a ETEC
A Encomenda Tecnológica é um tipo especial de compra pública que dispensa licitação e se destina a adquirir uma solução ainda indisponível no mercado e que exige esforço formal de pesquisa e desenvolvimento (P&D).
Com regramento próprio, é a única forma de aquisição que permite contratar o esforço para desenvolver algo que não existe e pode nunca vir a existir. Ou seja, a modalidade não adquire a tecnologia pronta, mas a dedicação em elaborá-la.
No exterior, práticas semelhantes são conhecidas como Compras Públicas Pré-Comerciais (Europa) e Contratos de Pesquisa e Desenvolvimento (EUA).
Foto: Marcos Paulo/ABDI