O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Olavo Noleto, visitou nesta sexta-feira (18/9) a Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia (GO), para conhecer iniciativas de pesquisa, desenvolvimento e inovação e identificar oportunidades de parceria com o ecossistema de ciência, tecnologia e inovação do estado.
A agenda incluiu visitas a diferentes estruturas da Universidade, com apresentação de projetos e tecnologias desenvolvidos em áreas como inteligência artificial, fabricação digital, robótica e inovação aplicada.
Em visita ao Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA), Olavo conheceu projetos de pesquisa e soluções de inteligência artificial desenvolvidos em parceria com empresas e instituições.
Considerado um dos principais centros de inteligência artificial do país, o CEIA atua no desenvolvimento de soluções de IA aplicada e na transferência de conhecimento da universidade para o mercado. Foram apresentadas aplicações voltadas a diferentes setores, incluindo saúde, indústria, energia, comércio, serviços e cidades inteligentes.
Entre as tecnologias apresentadas estão soluções para conversão de voz em texto e apoio à elaboração de laudos médicos, análise de imagens em exames de endoscopia, sistemas inteligentes para diagnóstico e manutenção automotiva, automação de processos de licitação e ferramentas para recuperação de crédito.
Na área da saúde, uma das soluções utiliza inteligência artificial para apoiar médicos na elaboração e revisão de laudos. A tecnologia permite que o profissional dite as informações do exame por voz e pode cruzar os dados relatados com imagens, auxiliando na conferência do diagnóstico. Outra aplicação utiliza visão computacional para identificar, em tempo real, possíveis pólipos durante exames de endoscopia e colonoscopia.
Também foram apresentadas soluções desenvolvidas para o setor elétrico, incluindo um modelo de linguagem especializado no vocabulário do setor e uma plataforma para criação de agentes de inteligência artificial, desenvolvida em parceria com a Cemig.
Para Olavo Noleto, a visita ao CEIA reafirmou a necessidade de aproximação entre centros de pesquisa, empresas e instituições públicas para que se transforme conhecimento em soluções com impacto econômico e social – o ecossistema do centro de inteligência artificial da UFG tem o terceiro maior número de pesquisadores conectados no mundo.
“Aqui, no coração do Brasil, na Universidade Federal de Goiás, nós temos o CEIA, essa unidade que é exemplo, que foi a primeira graduação em inteligência artificial do Brasil”, afirmou. “A ABDI, com o crescimento da estratégia de difusão de tecnologias, vai precisar tabelar com a UFG sobre como aprofundar nossa estratégia para que, cada vez mais, a Agência sirva a seu propósito de dar competência à indústria brasileira e escala para sua competitividade.”
O CEIA reúne atualmente mais de 300 projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação em sua carteira, mais de 100 projetos em execução e mais de mil pesquisadores, além de parcerias com empresas.

Centro multiusuário e multi-institucional
Dando continuidade à agenda na UFG, o presidente da ABDI visitou o Centro Regional para o Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (CRTI), localizado no Parque Tecnológico Samambaia.
Primeira instalação do Parque Tecnológico Samambaia, o CRTI foi concebido como um centro multiusuário e multi-institucional voltado ao atendimento de demandas de pesquisa acadêmica e de empresas. A estrutura reúne laboratórios e equipamentos utilizados por pesquisadores e instituições de diferentes regiões do país.
Durante a visita, Olavo Noleto conheceu a estrutura do espaço e iniciativas relacionadas à fabricação digital, caracterização de materiais, desenvolvimento tecnológico e inovação aplicada.
O CRTI atende a demandas de empresas e grupos de pesquisa que buscam apoio para projetos de pesquisa e desenvolvimento ou para solucionar desafios tecnológicos de seus processos produtivos. A estrutura já foi utilizada, inclusive, para atender pedidos emergenciais durante a pandemia de Covid-19 com a produção de protetores faciais por meio de fabricação digital.
Além do atendimento às demandas existentes, a equipe da UFG apresentou uma proposta de ampliar a atuação do CRTI para fortalecer seu papel como um hub de soluções tecnológicas para a indústria e conectar a infraestrutura dos laboratórios aos grupos de pesquisa da universidade e às necessidades do setor produtivo.
A proposta busca avançar de uma atuação concentrada no atendimento de demandas imediatas para um modelo capaz de articular pesquisadores, infraestrutura e empresas no desenvolvimento de soluções tecnológicas com maior valor agregado.
MetaIndústria
A discussão sobre a aproximação entre infraestrutura tecnológica, pesquisa e indústria também dialoga com o MetaIndústria, iniciativa da ABDI voltada à difusão e à adoção de tecnologias avançadas pela indústria brasileira.
O projeto tem como referência a experiência de laboratórios de automação industrial e trabalha com a perspectiva de criar uma rede de centros integradores que conecte universidades, empresas e instituições de ciência, tecnologia e inovação para acelerar o desenvolvimento e a transferência de tecnologias para o setor produtivo.
A proposta está alinhada à estratégia da ABDI de utilizar a tecnologia e a capacidade de pesquisa instalada no país para aumentar a produtividade, estimular a inovação e ampliar a agregação de valor na indústria brasileira.
Nesse contexto, a infraestrutura e a capacidade científica do CRTI e de outros laboratórios da UFG podem representar oportunidades de conexão com iniciativas voltadas à transformação tecnológica da indústria.
Conexão com o ecossistema de inovação
As visitas que integraram a agenda do presidente da ABDI em Goiás reforçam a aproximação da Agência com instituições de ciência, tecnologia e inovação.
A programação permitiu conhecer soluções desenvolvidas no ambiente universitário e identificar possibilidades de conexão com iniciativas voltadas à inovação, transformação digital, aumento da produtividade e desenvolvimento da indústria brasileira.
A aproximação com centros como o CEIA e o CRTI amplia o conhecimento da ABDI sobre tecnologias desenvolvidas no estado e sobre experiências que podem contribuir para conectar pesquisa, empresas e políticas públicas de desenvolvimento.
A agenda também reforçou a importância de aproximar a infraestrutura científica e tecnológica das demandas da indústria, criando condições para que o conhecimento produzido nas universidades seja transformado em soluções, produtos e processos capazes de gerar maior competitividade e valor para o setor produtivo.
Fotos: Thais Holanda/ABDI