A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) participou, nesta terça-feira (15), da plenária nacional da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI), realizada em celebração aos 80 anos da entidade. O diretor de Inteligência e Economia da Indústria da ABDI, Randal Farah (foto), participou do painel “Nova Indústria Brasil (NIB) e o Papel do Industriário”, que debateu os desafios da reindustrialização brasileira e a importância da qualificação e da valorização dos trabalhadores diante das transformações tecnológicas.
Randal destacou no encontro que a NIB deve ser compreendida como uma escolha estratégica sobre o futuro do país, envolvendo reindustrialização, tecnologia, sustentabilidade e soberania. “A fábrica moderna precisa de máquina, dados, energia e gente capaz de transformar o futuro”, afirmou.
O diretor da ABDI acrescentou que o avanço tecnológico precisa estar acompanhado da preparação dos trabalhadores para as novas demandas da indústria. “A tecnologia é irreversível. Cada vez mais setores se utilizarão dela. O Brasil vai preparar seus trabalhadores para participar da transformação. Esse é o debate que eu acho central.”
Randal também ressaltou o papel da ABDI na articulação entre governo, mercado, academia e setor produtivo para impulsionar o desenvolvimento industrial. Segundo ele, essa integração é fundamental para identificar talentos, fortalecer centros tecnológicos e conectar projetos e políticas públicas às necessidades das empresas e dos trabalhadores.
A abordagem está alinhada à proposta da NIB de ampliar a capacidade brasileira de inovar, dominar tecnologias e ocupar posições de maior valor nas cadeias produtivas globais.
Outro ponto destacado pelo diretor foi a necessidade de associar ganhos de produtividade à qualificação e à valorização profissional. “É melhorar o processo, qualificar pessoas, investir em tecnologia”, afirmou. Randal defendeu ainda que os ganhos de produtividade se traduzam em melhores condições de trabalho, salários, segurança, carreira e requalificação.
O presidente da CNTI, José Reginaldo Inácio, por sua vez, destacou a importância da aproximação entre a entidade e a ABDI. “Não existe indústria sem classe trabalhadora. Sem trabalhadores e sem trabalhador da indústria, não é possível pensar”, afirmou. Segundo ele, a participação dos trabalhadores na construção das políticas industriais representa um avanço para que a indústria seja pensada de forma integrada.
Missões da NIB
Ao abordar as seis missões da NIB, Randal destacou o potencial da política industrial para promover avanços em áreas como agroindústria sustentável e digital, complexo econômico-industrial da saúde, infraestrutura e saneamento, transformação digital, bioeconomia e descarbonização e tecnologias para soberania e defesa. A proposta da política é promover uma reindustrialização baseada em tecnologia, sustentabilidade e soberania, ampliando a capacidade do país de gerar valor e competir internacionalmente.
Para o diretor, o desafio é fazer com que a indústria brasileira avance tecnologicamente sem deixar os trabalhadores à margem desse processo. “A indústria com, para e pelos trabalhadores. Então, defender o emprego da indústria pressupõe defender a indústria nacional. Indústria moderna é o trabalhador valorizado. Soberania brasileira é chão de fábrica”, disse.
Ao final do evento, Randal destacou a importância da aproximação institucional entre ABDI e CNTI e a perspectiva de novas parcerias. “Não haverá soberania nacional sem indústria e não há indústria sem os trabalhadores”, concluiu. Segundo o diretor, a parceria poderá aproximar os trabalhadores dos programas da ABDI e de iniciativas que articulem academia, universidades, setor produtivo, mercado e governo.
Fotos: João Miguel/ABDI