A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE/MCTI), a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e a Fundação Apolônio Salles (FADURPE) assinaram, nesta segunda-feira (23), convênio de cooperação técnica e financeira para o desenvolvimento de uma Plataforma Digital de Mensuração, Relato e Verificação (dMRV) voltada à eficiência energética e à descarbonização industrial.
A iniciativa representa um passo estratégico para a modernização da gestão energética e ambiental da indústria brasileira, com foco no aumento da produtividade, da competitividade e da sustentabilidade ao longo das cadeias produtivas. O projeto prevê a implementação de uma plataforma-piloto baseada em tecnologias da Indústria 4.0, com monitoramento energético em tempo real e uso de infraestrutura digital segura e rastreável.
O presidente da ABDI, Ricardo Cappelli, reforçou o potencial da parceria para o fortalecimento e competividade da indústria brasileira. Cappelli destacou ainda, a capacidade estratégica da matriz energética, que é uma das mais limpas do mundo.
“Nossos aerogeradores têm rendimento praticamente o dobro da média mundial. Então, temos uma grande vantagem estratégica, que precisa ser aproveitada para viabilizar e tornar nossa indústria mais competitiva, reduzindo custos e aumentando a produtividade. Não há registro no mundo de país que prospera sem uma indústria forte e desenvolvida”, afirmou.
Cappelli também destacou o papel da eficiência energética na competitividade industrial. “Um dos elementos fundamentais para reduzir custos é a eficiência energética. Quanto mais eficiente, menor o custo e maior a capacidade de competir nos mercados nacionais e globais”, completou.
Com duração prevista de 24 meses e investimento total de R$ 2,64 milhões — sendo 80% financiado pela ABDI —, o projeto resultará na implementação de uma solução funcional e validada em ambiente industrial real. A arquitetura tecnológica incorpora mecanismos de registro distribuído, como blockchain, garantindo integridade, transparência e confiabilidade às informações ambientais geradas.
Durante o evento, o diretor do CETENE, Marcelo Brito, destacou o potencial da iniciativa para transformar conhecimento científico em ganhos concretos para o setor produtivo. “É muito gratificante ver esse projeto acontecer, com todo um arcabouço científico por trás, uso de blockchain e internet das coisas, mas, principalmente, pela possibilidade de as indústrias melhorarem sua eficiência energética e gerarem créditos de carbono certificados e auditáveis, com retorno financeiro desse investimento”, ressaltou.
A gerente da Unidade de Difusão de Tecnologias da ABDI, Isabela Gaya, explicou que a proposta é integrar gestão operacional e oportunidades de mercado em uma única solução digital.
“A ideia é ter uma plataforma que reúna dados de mensuração da gestão energética e da operação das empresas, armazenados de forma imutável, permitindo sua aplicação em metodologias que viabilizem, por exemplo, o uso no mercado de crédito de carbono. Isso conecta a eficiência operacional à geração de valor para a indústria”, afirmou.
Além da implementação tecnológica, o projeto prevê a elaboração de documentação técnica e metodológica, com o objetivo de viabilizar a replicação e o escalonamento da solução em diferentes setores industriais.
Foto: Chico Peixoto