Com o foco em transformação produtiva e economia circular, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) iniciou diálogos com a representação diplomática da China para prospectar soluções sustentáveis voltadas à gestão de resíduos têxteis e à valorização da produção amazônica.
Na última sexta-feira (10), a diretora interina de Economia Sustentável e Industrialização da Agência, Neide Freitas, e o analista de Produtividade e Inovação, Eduardo Tosta, reuniram-se na Embaixada da China, em Brasília, com o ministro Zou Chuanming e a secretária Wei Liliana. A pauta central foi o tratamento e o reaproveitamento do lodo industrial — um dos gargalos ambientais do setor têxtil. Na ocasião, a Agência também apresentou o projeto Café Amazônia Sustentável, desenvolvido em parceria com a Coopercafé.
A iniciativa integra a missão da ABDI, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), de fomentar a inovação e novas tecnologias na indústria nacional. A escolha da China como parceira estratégica baseia-se em sua liderança global na cadeia têxtil e no avanço em tecnologias emergentes para a reinserção de resíduos no ciclo produtivo.
Segundo Neide Freitas, o objetivo é estabelecer canais que permitam o intercâmbio de experiências técnicas e a identificação de novos parceiros institucionais e empresariais.
“Uma das nossas missões na ABDI é mostrar que a sustentabilidade e a eficiência caminham juntas, seja na resolução de problemas ambientais complexos, como o lodo têxtil, ou na agregação de valor aos produtos da nossa biodiversidade. Ao dialogar com a China, buscamos tecnologia de ponta que pode ser aplicada tanto na modernização de grandes polos industriais quanto no fortalecimento da bioeconomia na Amazônia, transformando desafios em oportunidades de negócios sustentáveis”, disse.
Bioeconomia no Juruá
Durante o encontro, a industrialização na Amazônia ganhou destaque com o Complexo Industrial de Café do Juruá, no Acre. O empreendimento é um marco para a economia local, permitindo que o estado não apenas produza, mas beneficie e agregue valor ao grão de forma sustentável.
“Viemos promover um café com história e que é exemplo de sustentabilidade. Queremos mostrar ao mercado chinês que temos um produto de altíssima qualidade cultivado na Amazônia”, afirmou Eduardo Tosta.